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21 Abril de 2017 | 17h31 - Actualizado em 21 Abril de 2017 | 17h31

Atentado abala campanha a 48 horas da eleição presidencial francesa

Paris - O atentado na avenida Champs Elysées de Paris que matou um polícia aumentou a tensão na recta final da campanha para a eleição presidencial da França, que acontecerá no domingo e agora tem como foco o debate contra o terrorismo.

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Atentado abala campanha presidencial francesa

Foto: ALAIN JOCARD


Este cenário era muito temido após a onda de atentados jihadistas na França nos últimos dois anos e meio.
           
Três dos quatro candidatos que aparecem entre os primeiros nas pesquisas de intenção de voto, a líder de extrema-direita Marine Le Pen, o centrista Emmanuel Macron e o conservador François Fillon, cancelaram os compromissos da campanha nesta sexta-feira.

Mas o candidato de extrema-esquerda Jean-Luc Mélenchon, que sonha com uma vaga na segunda volta, decidiu manter a sua agenda e afirmou que "a violência não terá a última palavra".
           
Le Pen, com o seu discurso anti-imigração, defendeu a necessidade de retomar "imediatamente" o controlo das fronteiras dentro da União Europeia e de expulsar todos os estrangeiros com ficha na Polícia por suposta radicalização.

"Esta guerra contra nós é incessante e impiedosa", disse a líder da Frente Nacional (FN), que condenou a "monstruosa ideologia totalitária" por trás do atentado de quinta-feira, cometido por um criminoso reincidente de 39 anos, obcecado com a ideia de atacar as forças de segurança, mas não conhecido como islamita radical.
            
O governo francês acusou Le Pen de "instrumentalizar para dividir, alimentar sem vergonha o medo com fins exclusivamente políticos".
           
O centrista Macron, de 39 anos e acusado de falta de experiência para administrar a questão da ameaça terrorista, pediu aos franceses que não cedam ao pânico e advertiu contra qualquer tentativa de capitalizar o ataque.

"Não existe o risco zero. Qualquer um que diga que com ele ou ela não existiria tal risco é irresponsável e mentiroso", disse Macron.
               
O criminoso abriu fogo com uma arma automática contra uma patrulha da Polícia às 21H00 locais de quinta-feira, provocando uma onda de pânico nas lojas e estações de metrôs próximas.
           
Dois polícias e uma turista alemã ficaram feridos no tiroteio.
      
Depois de matar um agente e atingir outros dois nesta movimentada avenida em pleno centro de Paris, muito procurada por turistas, o atirador foi morto pelas forças de segurança.

Perto do seu corpo, as autoridades encontraram um texto manuscrito de defesa do grupo Estado Islâmico (EI).
         
No veículo de Karim Cheurfi, francês de 39 anos que abriu fogo contra os agentes, também foi encontrado um exemplar do Corão

O EI, responsável pela maior parte dos atentados que deixaram 238 mortos em território francês desde 2015, reivindicou o ataque.

O Amaq, órgão de propaganda do grupo extremista, afirmou num comunicado que um dos seus "combatentes", que identificou como "Abu Yusef, o Belga", foi o responsável pela acção.

Mas de acordo com fontes próximas à investigação, o atirador era o francês Cheurf, que tentou matar um polícia há mais de uma década.

Ele havia sido condenado em 2005 por três acusações de tentativa de assassinato, duas delas contra polícias. Três pessoas próximas ao criminoso estavam a ser interrogadas.

A reivindicação do EI gerou num primeiro momento dúvidas sobre a possibilidade de fuga de um segundo atirador.
              
As autoridades francesas indicaram nesta sexta-feira que um homem procurado pela Polícia belga, que supostamente estava na França desde quinta-feira, apresentou-se numa delegacia da cidade belga de Antuérpia.

Numa operação na casa do suspeito, a Polícia belga encontrou armas, máscaras e um bilhete de passagem de comboio para a França, marcada para a manhã de quinta-feira.
               
No momento é difícil saber qual será o impacto do ataque nas eleições.

"Outro ataque terrorista em Paris. O povo da França não vai aceitar muito mais disto. Terá um grande efeito sobre a eleição presidencial!", opinou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Twitter.

Até agora os eleitores estavam mais preocupados com questões económicas, como o desemprego ou o poder aquisitivo, mas as suas prioridades podem mudar, alertam os analistas.
            
A França, em estado de emergência desde os atentados de Paris de 13 de Novembro de 2015 que mataram 130 mortos, vive com o temor de novos ataques.

No início da semana, as autoridades anunciaram que frustraram um projecto de atentado com a detenção de dois homens em Marselha (sudeste) e a apreensão de armas e três quilos de explosivos.
    
Os candidatos foram alertados sobre a ameaça e as fotografias dos suspeitos enviadas a seus serviços de segurança.

No final de um conselho de defesa extraordinário convocado pelo presidente François Hollande, o primeiro-ministro Bernard Cazeneuve pediu que "nada prejudique o encontro democrático" que os franceses têm no domingo com as urnas, antes da segunda volta de 7 de Maio.
    
           

Assuntos Eleições  

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