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13 Outubro de 2017 | 12h56 - Actualizado em 13 Outubro de 2017 | 13h05

Após retirada de EUA e Israel, Unesco busca novo director-geral

Paris - A Unesco empreende uma fase decisiva na eleição de seu novo director-geral nesta sexta-feira, um dia depois de Estados Unidos e Israel anunciarem sua saída da organização, acusando-a de ser anti-israelita.

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Irina Bokova - Actual Directora Geral da UNESCO

Foto: Angop

UNESCO: (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura)

Foto: Divulgação

         

O processo para encontrar um sucessor para a búlgara Irina Bokova, iniciado na segunda-feira, evidencia as tensões no interior da Organização de Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
               
Na quarta rodada de votação na quinta-feira, os 58 países-membros do Conselho Executivo só conseguiram nomear um dos dois finalistas, Hamad bin Abdoulaziz Al Kawari, do Catar, que recebeu 22 votos.
               
As candidatas francesa Audrey Azoulay e egípcia Moushira Khattab, que chegaram na segunda posição empatadas com 18 votos, se submeterão a uma nova votação às 12H00 GMT.
               
               
O candidato do Qatar não tem unanimidade entre os países árabes que neste ano romperam relações diplomáticas com Doha, apesar de terem reivindicado insistentemente o posto para sua região.
               
Recentemente surgiram novas suspeitas de antissemitismo em torno de Al Kawari, repetidas pelo Centro Simon Wiesenthal da Europa e da Liga Anti-difamação (ADL) dos Estados Unidos.
               
Ele é reprovado, particularmente, por seu suposto silêncio diante da presença de livros anti-semitas durante as feiras do livro organizadas quando era ministro da Cultura.
               
Em pleno processo eleitoral na Unesco, Estados Unidos e Israel anunciaram na quinta-feira sua saída da organização.
              
"Esta decisão não foi tomada em cima da hora e reflete a preocupação dos Estados Unidos pela dívida crescente à Unesco, pela necessidade de uma reforma fundamental na organização e pelo contínuo viés contra Israel", afirmou o Departamento de Estado.
               
O mesmo Departamento afirmou que os Estados Unidos deve "aproximadamente 550 milhões de dólares" de contribuições atrasadas à organização.
               
"Queremos pagar esse dinheiro" a uma organização "anti-Israel?", questionou o porta-voz Heather Nauert.
               
Bokova rejeitou a acusação e disse "lamentar profundamente" a decisão americana.
              

"Está em jogo a universalidade da organização", afirmou nesta sexta-feira em declarações à rádio France Info, ressaltando que "muitas instituições culturais dos Estados Unidos, ONGs" também expressaram a sua "decepção".
               
A estas reprovações se somaram França, onde se encontra a sede da Unesco, e o secretário-geral da ONU, António Guterres, que ressaltou "o destacado papel dos Estados Unidos na Unesco desde a sua fundação" em 1946. Moscovo também lamentou a "triste notícia".
               
A crise é alimentada há anos pelas controversas posições da Unesco sobre Jerusalém Hebron, defendidas pelos países árabes.
              

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