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16 Maio de 2018 | 18h35 - Actualizado em 16 Maio de 2018 | 18h35

Governo brasileiro rejeita pedido de ex-líderes europeus sobre Lula

Rio de Janeiro - O governo brasileiro rejeitou nesta quarta-feira o apelo "arrogante e anacrônico" de seis ex-chefes de Estado e de governo europeus a favor da participação nas próximas eleições do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, actualmente na prisão.

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Luiz Inácio Lula da Silva

Foto: Jose falso


"Recebi, com incredulidade, as declarações de personalidades europeias que, tendo perdido audiência em casa, arrogam-se o direito de dar lições sobre o funcionamento do sistema judicial
brasileiro", escreveu o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, em comunicado.

Nunes ressalta que a legislação brasileira exclui das disputas eleitorais pessoas condenadas em segunda instância e acrescenta que os signatários, "ao sugerirem que seja feita excepção ao ex-presidente Lula, esses senhores pregam a violação do Estado de direito".

"Fariam isto nos seus próprios países? Mais do que escamotear a verdade, cometem um gesto preconceituoso, arrogante e anacrônico contra a sociedade brasileira e o seu compromisso com a lei e as instituições democráticas", conclui.

O apelo a favor de Lula da Silva foi assinado pelo ex-presidente francês François Hollande, o ex-primeiro-ministro socialista belga Elio Di Rupo, os ex-presidentes do Conselho italiano social-democratas Massimo d'Alema, Enrico Letta e Massimo Prodi, bem como o ex-chefe do governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero.

Os líderes afirmaram que "a prisão precipitada do presidente Lula, incansável artífice da redução das desigualdades no Brasil, defensor dos pobres do seu país, só pode despertar a nossa emoção".

E pediram "solenemente que o presidente Lula possa amanhã se apresentar livremente ao sufrágio do povo brasileiro" nas eleições presidenciais de Outubro.

Lula, que foi duas vezes presidente do Brasil (2003-2010) e é o favorito nas pesquisas para as eleições de Outubro, cumpre desde Abril uma pena de 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

O líder da esquerda, que se declara inocente, enfrenta outras seis acusações judiciais.

O Partido dos Trabalhadores (PT) mantém a sua candidatura, que será analisada em Agosto pela justiça eleitoral.

De acordo com a legislação brasileira, a sua condição de condenado em segunda instância deve excluí-lo da disputa, embora os seus partidários afirmem que esgotarão todos os recursos disponíveis para que ele possa ser candidato.

Assuntos Justiça  

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