Angop - Agência de Notícias Angola PressAngop - Agência de Notícias Angola Press

Ir para página inicial
Luanda

Max:

Min:

Página Inicial » Notícias » Internacional

06 Junho de 2018 | 10h39 - Actualizado em 06 Junho de 2018 | 10h39

União Europeia não se apercebeu da crise potencial, diz sociólogo britânico

Londres - O sociólogo britânico John Thompson disse que a questão da imigração proveniente do interior da União Europeia (UE) foi decisiva para o processo do 'Brexit' e concluiu que os líderes europeus não se aperceberam dessa crise potencial.

Envia por email

Para compartilhar esta notícia por email, preencha os dados abaixo e clique em Enviar

Corrigir

Para reportar erros nos textos das matérias publicadas, preencha os dados abaixo e clique em Enviar

"No Reino Unido sempre existiu, desde há muito, uma forte cultura eurocéptica. A identidade europeia era mais frágil do que noutros países e isso foi decerto um factor para o resultado do referendo sobre o 'Brexit'", considerou John Thompson, professor de Sociologia na Universidade de Cambridge.

O académico falava na terça-feira em Lisboa à margem da apresentação do livro "Europe's Crisis" (As Crises na Europa) editado por Manuel Castells e no qual colaborou na edição com outros académicos.

Ao referir-se ao resultado do referendo de Junho de 2016 no Reino Unido, que decidiu a saída do país da União Europeia (UE), John Thompson identificou factores determinantes que ditaram o resultado da consulta.

"O 'Brexit' é uma história específica, relacionada com uma dinâmica particular na política britânica, com o Partido Conservador [no poder] e o Partido Independente do Reino Unido [UKIP direita nacionalista eurocéptica]".

Quando decorreu o referendo sobre o 'Brexit', em Junho de 2016, a questão da imigração teve um profundo significado no desfecho final, com 51,89 porcento dos votos a favor da saída.

"Foi sobretudo uma imigração vinda do interior da União Europeia (UE), um factor muito importante. Era proveniente da Europa de leste, do interior da UE, para o Reino Unido, e tornou-se uma questão decisiva".

Na perspectiva do académico, a responsabilidade pelo desfecho da consulta deverá ser atribuída em simultâneo a Londres e a Bruxelas.

No entanto, sublinhou, "os líderes políticos da União deveriam ter-se apercebido de uma crise potencial no horizonte".

"Ninguém tinha interesse em estar agora envolvido neste processo extremamente moroso, dispendioso, de desmantelar parte da UE. Deveriam ter antecipado o problema e tomado medidas para o evitar, o que poderiam ter feito", defendeu.

A questão da designada "identidade europeia", tema muito discutido pelos académicos envolvidos no lançamento do livro - também editado por Olivier Bouin, João Caraça, Gustavo Cardoso e Michel Wieviorka - foi outro tema que destacou.

"A identidade europeia existe, mas é um sentimento muito fraco e variável nas diversas partes da Europa", coexistindo com outras formas de identidade, como a identidade nacional ou regional.

O académico alertou ainda que o resultado do referendo de 2016 poderá voltar a colocar a questão da independência da Escócia, quando o referendo também convocado por David Cameron em Setembro de 2014 rejeitou a secessão com 55,30 por cento dos votos.

A eventual reposição de uma fronteira física entre a República da Irlanda, Estado-membro da União, e a Irlanda do Norte [província autónoma dependente da coroa britânica] é outra questão que tem dominado as tensas conversações entre Londres e Bruxelas, e quando se perspectiva a saída definitiva do Reino Unido na primavera de 2019.

Assuntos Opinião  

Leia também
  • 21/09/2018 19:46:54

    Crise na Catalunha não afectou imagem da Espanha, diz relatório

    Madrid - A disputa entre o governo da região da Catalunha e o governo da Espanha "não teve um impacto relevante" no prestígio do país no exterior entre a população em geral, pois é nula na América Latina e "insignificante" no conjunto dos países do G7, mas a Rússia, indica um relatório apresentado hoje pelo Real Instituto Elcano.

  • 13/06/2018 09:45:44

    EUA: Analistas dizem que faltou desenvolvimento relevante no tema nuclear

    Washington - A cimeira entre os presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Kim Jong-un, da Coreia do Norte, na terça-feira, conduziu à assinatura de uma declaração comum, mas sem desenvolvimento relevante na questão crucial do arsenal nuclear norte-coreano, referem analistas.

  • 19/01/2018 09:58:11

    EUA: Robert Redford considera MeToo "ponto de inflexão" para Hollywood

    Park City, Estados Unidos - O actor americano Robert Redford disse nesta quinta-feira que os movimentos MeToo e Time's Up são um "ponto de inflexão" para uma mudança em Hollywood a favor da igualdade das mulheres e da intolerância a uma conduta sexual imprópria, noticiou a AFP.