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14 Junho de 2018 | 02h14 - Actualizado em 14 Junho de 2018 | 02h14

Nicarágua: Bispos convocam diálogo na véspera de greve geral

Manágua - Bispos católicos da Nicarágua convocaram, quarta-feira, o governo e a oposição a retomar o diálogo para buscar uma saída para a crise política, na véspera de uma greve geral no país e após o presidente Daniel Ortega oferecer uma proposta de democratização.

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"Estamos convocando a Mesa Plenária do Diálogo Nacional para a próxima sexta-feira, 15 de Junho", quando será apresentada a resposta de Ortega à proposta da Conferência Episcopal de antecipar as eleições como parte de um plano de democratização.

Na reunião, em Manágua, serão divulgadas a proposta dos bispos e a resposta por escrito de Ortega.

O anúncio ocorre após a oposição nicaraguense convocar uma greve geral de 24 horas para hoje, quinta-feira, como medida de pressão exactamente para a retomada do diálogo e contra a repressão violenta.

Os confrontos já deixaram 152 mortos e 1.340 feridos, segundo o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh).

O país está semi-paralisado há quase dois meses por uma onda de protestos, iniciada em 18 de Abril, deste ano, contra a reforma da previdência.

Em carta publicada nesta quarta-feira nos principais jornais da Nicarágua, mais de quatro mil personalidades pediram à polícia que pare com o banho de sangue causado pela violenta repressão aos protestos.

"O regime de Daniel Ortega já está acabado. Vocês precisam deter de uma vez por todas este insensato banho de sangue", exigiram os signatários da "Carta aberta aos polícias", publicada pelos jornais La Prensa e Nuevo Diario.

Entre os signatários estão o ex-candidato presidencial opositor Fabio Gadea e Claudia Chamorro, filha da ex-presidente Violeta Barrios.

"Deixem suas armas, peguem seus escudos e se unam a nós porque quando desaparecer o poder da família de Daniel Ortega e sua esposa (a vice-presidenta) Rosario Murillo, vocês ficarão sozinhos e desprotegidos", advertiram.

Diante da perspectiva de greve, a população de Manágua e de outras cidades passou a guardar alimentos e géneros de primeira necessidade, temendo que a paralisação se estenda por mais de um dia.

"A economia produz 35 milhões de dólares diários, pode ser que nem tudo pare porque há actividades que não podem ser detidas", mas a avaliação é que se deixe de produzir entre 25 e 30 milhões de dólares, disse à AFP Mario Arana, director da Associação de Produtores e Exportadores da Nicarágua (APEN).

A solução da crise "já tomou um tempo além do que realmente justifica a situação. A população está sendo reprimida e esta paralisação é para expressar seu descontentamento", declarou Arana.

Ortega, de 72 anos, está na presidência desde 2007 e é acusado de abuso de poder e de corromper opositores.

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