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08 Setembro de 2018 | 15h31 - Actualizado em 08 Setembro de 2018 | 15h31

Vice-primeiro-ministro da Itália é investigado por sequestro

São Paulo - O vice-primeiro-ministro e ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, está a ser formalmente investigado pelo crime de sequestro agravado de pessoas, devido às proibições aos desembarques de imigrantes no país.

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O caso está com a Procuradoria de Palermo, que confirmou na sexta-feira que Salvini, do partido nacionalista Liga Norte, é investigado particularmente por ter negado o desembarque de mais de 100 imigrantes socorridos pelo navio "Diciotti", um guarda-costeiro italiano, em 15 de agosto.

Os imigrantes, após dias à deriva, conseguiram pisar em solo graças a um acordo com a Irlanda, Albânia e a Igreja Católica italiana, que aceitaram receber o grupo.

Segundo a denúncia, Salvini privou ilegalmente os imigrantes de sua liberdade.

O episódio tinha começado a ser investigado pelo Ministério Público de Agrigento, na Sicília, mas foi transferido para uma jurisdição de Palermo habilitada a investigar membros do Poder Executivo.

Os procuradores enviaram o fascículo com a denúncia ao Tribunal de Ministros de Palermo, pedindo aos juízes de realizar uma série de investigações.

O Tribunal terá 90 dias para apurar os detalhes, período em que a denúncia pode ser modificada.

Ao fim, os juízes poderão pedir o arquivamento do caso ou retransmiti-lo à Procuradoria para que peça autorização ao Senado para proceder contra Salvini.

A primeira reacção de Salvini, sexta-feira, foi a de gravar um vídeo para as redes sociais e convocar seus eleitores a reagir à investigação. O vice-premier italiano ironizou dizendo que "tinha sido eleito" pelo povo, enquanto os procuradores não. "Um órgão de Estado investiga outro órgão de Estado. Com a pequena diferença que vocês elegeram esse órgão de Estado.

Ninguém elegeu os outros e eles não respondem ante ninguém", atacou. "Foram vocês que me pediram para controlar as fronteiras, controlar os portos, limitar os desembarques, as partidas e expulsar os clandestinos", argumentou o ministro do Interior.

No entanto, após consultas com representantes do governo, Salvini passou a adoptar um tom menos agressivo nos discursos deste sábado (8). "Não há nenhum golpe judiciário. Existem as investigações e eu espero que sejam feitas bem e rapidamente", amenizou Salvini.

Abalo no governo - A notícia da investigação por sequestro de pessoas vem na mesma semana em que a Procuradoria de Gênova, no noroeste da Itália, ordenou o embargo de 49 milhões de euros que a Liga Norte teria recebido de maneira fraudulenta entre 2008 e 2010, por meio de um esquema de falsos reembolsos eleitorais no Parlamento.

Os escândalos abalaram o governo italiano, formado por uma coligação entre a Liga Norte e o partido Movimento 5 Estrelas (M5S). O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, tentou conter os ânimos e prometeu que o governo não cairá. "Duraremos cinco anos e faremos todas as reformas, mesmo se algumas tiverem que ser aplicadas de maneira gradual", comentou.

"Farei tudo que seja humanamente e politicamente possível para que o governo honre o contrato feito com os italianos pelos próximos cinco anos", disse, por sua vez, Salvini. "Não me interessa ir para a confusão agora nem largar o país na instabilidade. Meu interesse maior é demonstrar o que prometemos fazer".

Assuntos Polícia  

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