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12 Setembro de 2018 | 18h09 - Actualizado em 12 Setembro de 2018 | 18h09

Acordos de Oslo: 25 anos de frustração para palestinianos e israelitas

Paris - Há 25 anos, em 13 de Setembro de 1993, Israel e a Organização para Libertação da Palestina (OLP) assinaram os acordos de Oslo (Noruega), em Washington, os quais levaram à criação da Autoridade Palestiniana como primeiro passo para um estado independente.

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Bandeiras de Israel e da Palestina

Foto: Divulgação

Um ano depois, os três artífices desses acordos - o então líder da OLP, Yasser Arafat, o primeiro-ministro israelita, Yitzhak Rabin, e o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Shimon Peres - receberam o Prémio Nobel da Paz.

Hoje, com os três vencedores do Nobel mortos (Rabin foi assassinado em 1995, Arafat faleceu em 2004, e Peres, em 2016), as perspectivas de acordo são mais sombrias do que nunca.

No final de Outubro de 1991, após a Guerra do Golfo, em que Israel e os países árabes alinharam-se contra o Iraque e, enquanto a Intifada palestiniana estava no auge, celebra-se uma conferência de paz árabe-israelita em Madrid (Espanha).

Patrocinada pelos EUA e pela Rússia, pela primeira vez israelitas e palestinianos sentam-se à mesa de negociações. Os segundo comparecem numa delegação conjunta com a Jordânia, já que Israel rejeitava a participação directa da OLP.

Uma série de negociações bilaterais e multilaterais seguiu-se durante meses em vários países, sem progressos reais.

Em Janeiro de 1993, Israel derrogou uma lei de 1986 que proibia qualquer contacto com a OLP.

De Janeiro a Agosto, a Noruega é palco de pelo menos 14 reuniões secretas.

Em 27 de Agosto, citando funcionários israelitas e palestinianos, a AFP revela que Israel negocia secretamente com a OLP para alcançar um acordo sobre um governo de autonomia que começaria na Faixa de Gaza e Jericó (Cisjordânia ocupada).

Para cumprir bem a sua missão, o governo de Oslo (Noruega) apoia-se nos seus contactos de velha data com Arafat e com os estreitos laços entre o Partido Trabalhista norueguês, no poder, e o seu homólogo israelita.

Em 29 de Agosto, Israel anuncia um acordo, em linhas gerais, sobre uma autonomia palestiniana interina, que começa com a Faixa de Gaza e com uma pequena parte da Cisjordânia ocupada, no entorno de Jericó.

Em 10 de Setembro, Israel reconhece a OLP como "representante do povo palestiniano" e, no dia 13, firma-se em Washington uma "Declaração de princípios sobre acordos interinos de autonomia" por cinco anos.

"O Governo do Estado de Israel e a equipa da OLP (...), representando o povo palestiniano, concordam que é hora de pôr fim a décadas de confrontação e conflito, reconhecer os seus direitos legítimos e políticos mútuos, esforçar-se para viver uma coexistência pacífica (...) e alcançar um acordo de paz justo, global e duradouro", diz a introdução ao texto.

O acordo foi assinado pelos dois principais artífices das negociações secretas, Shimon Peres e um alto funcionário da OLP, Mahmud Abbas, mais conhecido como Abu Mazen.

Os heróis são, porém, Yasser Arafat e Yitzhak Rabin.

No jardim da Casa Branca, os ex-inimigos  encontram-se e, sob o olhar do presidente Bill Clinton, Arafat estende a mão para Rabin. Este hesita por um momento antes de fazer o mesmo e selar um histórico aperto de mãos.

A cerimónia durou uma hora na presença de cerca de 3.000 pessoas. O espírito é de emoção e esperança.

Pela primeira vez, Israel e a OLP assinam um acordo que cria a esperança de uma paz global no Médio Oriente, após 45 anos de conflito, apesar das críticas dos opositores de ambas as partes e de alguns países árabes.

Em quatro de Maio de 1994, Arafat e Rabin lançam o período transitório de autonomia. Em Julho, o líder da OLP regressa para os Territórios palestinianos depois de 27 anos no exílio e estabelece a Autoridade Palestiniana.

Em Setembro de 1995, firma-se, em Washington, um novo acordo interino (Oslo II) que estende a autonomia na Cisjordânia.

Em 4 de Novembro, porém, Yitzhak Rabin é assassinado por um judeu ortodoxo de extrema direita, com o objectivo declarado de fazer o processo de Oslo fracassar.

Já Arafat torna-se o bode expiatório dos israelitas, que o responsabilizam pela Segunda Intifada deflagrada no final de Setembro de 2000.

Mediadas pelos EUA, as últimas negociações directas foram retomadas em Julho de 2013, depois de três anos de congelamento. Passados nove meses, terminam sem sucesso.

Em Fevereiro de 2017, o presidente Donald Trump  afasta-se da solução de dois Estados para depois reconhecer Jerusalém como capital israelita. Desde então, os palestinianos negam o EUA qualquer papel de mediador.

O acordo de Oslo deveria abrir caminho para um Estado palestiniano, mas a Cisjordânia, ainda ocupada, e a Faixa de Gaza, nas mãos do movimento islamista Hamas, sofre um bloqueio total por parte de Israel, enquanto as colónias israelitas ganham terreno.

 

Assuntos Acordo  

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