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12 Setembro de 2018 | 18h19 - Actualizado em 12 Setembro de 2018 | 18h19

Os desafios de Haddad como substituto de Lula nas eleições

Brasília - O candidato presidencial Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores, tem fortes possibilidades de chegar à segunda volta das eleições de Outubro deste ano, mas para governar o Brasil deverá distanciar-se do seu mentor, Luiz Inácio Lula da Silva, segundo os analistas.

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Bandeira do Brasil

Foto: Divulgacao

Da prisão onde cumpre pena de 12 anos e um mês por corrupção e lavagem de dinheiro, Lula esticou até onde pode a sua luta para concorrer à presidência, deixando pouco tempo para a exposição de Haddad até a votação de sete de Outubro. A segunda volta ocorrerá no dia 28.

As últimas pesquisas da Datafolha e Ibope colocam Haddad apenas na quinta posição, com oito e nove porcento das intenções de voto, contra os quase 40 que Lula ostentava antes de ser excluído da campanha.

Mas Haddad, ex-prefeito de São Paulo, terá agora a máquina a seu favor para tentar herdar o maior número possível de eleitores de Lula.

Além do agora apoio explícito do ex-candidato detido, o concorrente do PT terá ainda o segundo maior tempo na propaganda gratuita em rádio e TV, uma arma ainda poderosa no Brasil, além da grande presença da esquerda nas redes sociais.

"Com tudo isto, é muito difícil que ele não chegue ao segundo turno. É apenas uma questão de tempo até o eleitorado reconhecer Haddad como o candidato do Lula", avaliou à AFP Lincoln Secco, historiador da Universidade de São Paulo e autor da "História do Partido dos Trabalhadores no Brasil".

Um dos desafios de Haddad, 55 anos, será arrebatar votos de Ciro Gomes, muito forte no Nordeste, que concentra quase 30 porcento dos votos do país.

Ciro, um ex-ministro de Lula, ocupa a segunda posição nas pesquisas, com entre 11 e 13 porcento, atrás apenas de Jair Bolsonaro (24% a 26%).

O poder de Lula sobre o PT e o seu eleitorado, as frequentes visitas de Haddad a sua cela em Curitiba e o empenho da militância em recordar que "Lula é candidato com o nome de Haddad" tem levado muitos a questionar se o ex-prefeito de São Paulo não será um fantoche do ex-presidente.

"Na primeira volta Haddad será a voz de Lula para manter um eleitorado cativo, mas na segunda a tendência é que ganhe autonomia e mostre o seu perfil mais moderado dentro do PT", disse à AFP Thomaz Favaro, analista político para o Brasil do Control Risk, consultoria de gestão de riscos.

Especialmente se disputar com Bolsonaro, pois terá de convencer os eleitores de centro e de centro direita, muitos radicalmente contrários ao PT.

"Qualquer candidato que for eleito terá uma dificuldade enorme para governar. Haddad teria que encontrar um equilíbrio entre o seu espírito mais conciliador e o seu partido, que tem um programa mais radicalizado em relação às eleições passadas".

Assuntos Eleições  

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