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08 Janeiro de 2019 | 17h28 - Actualizado em 08 Janeiro de 2019 | 17h28

Saudita diz fugir da família e tranca-se num hotel na Tailândia para não ser deportada

São Paulo - Dizendo fugir da sua família, uma adolescente saudita trancou-se num hotel dentro do aeroporto de Bangcoque, na Tailândia, para evitar ser deportada.

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Rahaf Mohammed al-Qunun, 18, fugiu do Koweit, onde visitava parentes, e chegou à Tailândia num voo no sábado (5). Ela pretendia ir para a Austrália e lá pedir asilo, mas foi detida após sair do avião em Bangcoque e informada de que seria deportada.

Desde então, entrincheirou-se no quarto de hotel colocando móveis a frente da porta e tem postado mensagens e vídeos no seu Twitter, explicando a situação e pedindo asilo.

"Os meus irmãos, a minha família e a embaixada saudita vão esperar por mim no Koweit", disse, "Eles vão me matar. A minha vida está em perigo. A minha família ameaça me matar pelos motivos mais triviais."

Nesta segunda-feira, a Polícia tailandesa afirmou que ela não será expulsa. "Se ela não quer ir, não será expulsa contra a sua vontade", declarou o chefe da Polícia, Surachate Hakparn, à imprensa.

Pouco antes, um tribunal havia recusado um recurso apresentado por uma advogada especialista em direitos humanos para impedir a sua expulsão.

A jovem também ja se encontrou com representantes do Acnur (comissariado da ONU para os direitos humanos), como vinha pedindo no seu Twitter, segunda-feira.

Oficiais tailandeses agora planeiam encontrar os funcionários do Acnur para discutir o caso.

Rahaf, que afirma ter visto para a Austrália, diz ter sido detida por autoridades sauditas e do Koweit ao chegar ao aeroporto tailandês e que teve o seu passaporte confiscado à força.

O ministro dos Negócios Estrangeiros saudita, Ibrahim al-Assaf, negou que a embaixada tenha retido o passaporte dela. A embaixada saudita negou que tenha enviado representantes ao terminal e disse "estar em contacto constante com a família da jovem".

Segundo a Polícia da Tailândia, ela foi impedida de entrar no país por não ter os documentos requeridos.

Rahaf afirma que fugiu por temer por sua vida e por sofrer "abusos físicos, emocionais e verbais e por ser trancada dentro de casa por meses". Também afirma que a família a impede de  continuar a estudar.

"Não me deixam dirigir nem viajar. Sou oprimida. Amo a vida e o trabalho e sou muito ambiciosa, mas a minha família está impedir-me de viver."

Já o serviço de imigração tailandesa diz que ela tentava escapar de um casamento arranjado.

Segundo a ONG internacional Human Rights Watch, ela também deseja renunciar ao islamismo. "Se ela for obrigada a voltar ao país, as consequências podem ser dramáticas", informou a entidade, que assinala que a jovem está se convertendo num "símbolo de resistência".

Nas redes sociais, a adolescente escreveu que a sua família é poderosa na Arábia Saudita, mas não identificou quem são.

Na Arábia Saudita, as mulheres são submetidas a numerosas restrições. São obrigadas a estar sob a guarda de um homem (pai, marido ou irmão, geralmente), que exerce autoridades sobre elas e toma decisões importantes em seu lugar.

Uma mulher julgada por haver cometido um "crime moral" pode ser castigada violentamente por sua família e executada em casos denominados "crimes de honra".

Assuntos Sociedade  

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