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14 Novembro de 2019 | 16h20 - Actualizado em 14 Novembro de 2019 | 17h24

Morales disposto a voltar para Bolívia, mas não como candidato

Cidade do México - O presidente deposto da Bolívia, Evo Morales, declarou em entrevista na Cidade do México, que estaria disposto a voltar para a Bolívia para pacificar o país, mesmo sem ser candidato à presidência.

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Evo Morales, Presidente boliviano deposto

Foto: Divulgação

Em entrevista ao jornal El País, Evo Morales confirma que estaria disposto a voltar à Bolívia sem ser candidato à presidência.

"Claro, estou disposto a voltar ao meu país e não continuar no poder", assegurou. "Eu renunciei, e a violência segue [...] Até a minha renúncia, não havia mortos à bala. Depois, já são quatro ou cinco", lamentou Evo Morales.

Morales insiste que o primeiro passo deve ser o fim da violência, para que "parem de ter mortos e feridos" e atribui a responsabilidade ao "Exército e Polícia Nacional".

"Com um presidente indígena, nunca pensaram no toque de recolher, no estado de sítio. Dão o golpe de Estado para defender os ricos. Usam aviões e helicópteros para amedrontar o povo. Isso é um problema de classes", observou.

O presidente acredita que, no momento, "não há autoridade na Bolívia", e considera que o país está "sob controlo militar e policial".

Policiais bolivianos empunham a bandeira do país. As forças de segurança são acusadas de não reagir a ataques contra casas de familiares de membros do governo, inclusive contra a irmã de Evo Morales

"Faço um pedido para que não usem armas contra o povo. O povo nunca será calado com armas", clamou.

Quando perguntado sobre o motivo que o levou a renunciar, Evo relatou os seus últimos dias na presidência, dizendo que se sentiu "traído" pelo general que pediu a sua renúncia.

"Eu havia falado com as Forças Armadas, me disseram que eles não iriam se movimentar. Depois, pediram a minha renúncia. É mais uma prova do golpe. Evidentemente, me sinto traído [...] Investimos para equipar as Forças Armadas durante todos esses anos, mas não para que se voltem contra a população, e sim para defender o povo", narrou.

De acordo com Evo Morales, o processo que levou a sua renúncia começou "no dia 21 de Outubro, após as eleições". A contagem de votos apontava vitória de Evo Morales já no primeiro turno. A oposição não reconheceu os dados preliminares e convocou protestos.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) apoiou o pleito da oposição e anunciou que havia sinais de fraude no processo eleitoral. Morales questiona a postura da organização, que teria tomado uma decisão política ao defender novas eleições.

"[O secretário-geral da OEA] Luis Almagro espera instruções do governo dos Estados Unidos, pode-se entender assim. Eu tinha certa esperança na OEA", declarou.

O líder deposto acredita que o facto de o voto indígena ter definido as eleições presidenciais, dando a vantagem necessária para Evo ganhar as eleições no primeiro turno, teria sido um agravante:

"A questão de fundo é que não aceitavam o voto indígena. Após o primeiro relatório, o TREP [Transmissão de Resultados Eleitorais Preliminares], eu vencia com 7%, mas faltava o voto rural, o voto indígena. Disse que iríamos ganhar. Recusam o voto indígena, é voltar aos tempos do passado, aos tempos da colónia", explicou Morales.

Nesta segunda-feira (11), a segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Áñez, representante da oposição, autoproclamou-se presidente da República numa sessão sem quórum legislativo.

De acordo com a constituição boliviana, a presidente do Senado, Adriana Salvatierra, seria a sucessora da presidência, uma vez que o presidente, Evo Morales, e o vice-presidente, Álvaro Garcia, renunciaram.

No entanto, nesta terça-feira (12) Salvatierra foi impedida de entrar no Parlamento. Quando perguntado se a presidente do Senado deveria proclamar-se presidente do país, Morales explicou:

"A primeira coisa que a Assembleia deve fazer é recusar ou aprovar a minha renúncia. Enquanto não o fizer, continuo a ser presidente. Uma vez aprovada, caberia ao vice-presidente, que também renunciou; constitucionalmente, depois vem a presidente do Senado, Adriana Salvatierra. Essa suposta proclamação [de Áñez] é inconstitucional. Com a designação dessa senhora o golpe de Estado confirma-se".

O governo dos EUA reconheceu a senadora opositora Jeanine Áñez como presidente interina da Bolívia. O governo brasileiro também reconheceu a autoproclamação de Jeanine Áñez. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Ernesto Araújo, declarou que a percepção do Brasil é de que "a Constituição boliviana está a ser respeitada".

Em contrapartida, o governo argentino, liderado pelo adversário político de Kirchner, Maurício Macri, ainda não reconheceu o novo governo boliviano. O chanceler uruguaio, por sua vez, declarou que o seu país só reconhece "presidentes que ascendem ao cargo por via de eleições".

Assuntos Política  

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