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15 Março de 2019 | 08h38 - Actualizado em 15 Março de 2019 | 08h38

Ataque a duas mesquitas da Nova Zelândia deixa 'vários mortos'

Christchurch, Nova Zelândia - Várias pessoas morreram nesta sexta-feira em ataques contra duas mesquitas da Nova Zelândia, e ao menos quatro suspeitos foram detidos, informou a polícia, citando "múltiplas vítimas" nesta acção contra a comunidade muçulmana, noticiou a AFP.

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"As vítimas fatais ocorreram em dois locais diferentes, uma mesquita na avenida Deans e outra na avenida Linwood", ambas na cidade de Christchurch, informou o comissário Mike Bush, confirmando um número "significativo" de mortes.

A imprensa local revelou que há ao menos nove mortos e muitos feridos nos ataques.

"Quatro pessoas estão sob custódia, três homens e uma mulher", disse Mike Bush, acrescentar que foram encontrados "dispositivos explosivos nos veículos utilizados pelos suspeitos".

De acordo com o comissário, o Exército conseguiu desarmar as bombas.

No momento do tiroteio, a mesquita Masjid al Noor, na avenida Deans, estava repleta de fiéis, incluindo a equipe de cricket de Bangladesh.

Segundo testemunhas, os jogadores conseguiram fugir para um parque ao lado do prédio, no centro da cidade.

Um porta-voz da equipa de cricket confirmou que todos os jogadores, que estão no país para uma partida, conseguiram escapar ilesos do ataque.

"Estão em segurança, mas também em estado de choque. Dissemos para toda a equipe ficar confinada no hotel", informou o porta-voz à AFP.

A polícia advertiu a população a evitar as mesquitas em todo o país.

Um enorme cordão policial isolava boa parte de Christchurch, cidade da Ilha do Sul da Nova Zelândia.

Mike Bush informou que todas as escolas de Christchurch estão fechadas e a polícia pediu "às pessoas no centro da cidade que evitem permanecer nas ruas e informem qualquer comportamento suspeito".

"A polícia responde com o máximo da sua capacidade diante da situação, mas os riscos são extremamente elevados".

A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, lamentou que seu país vive um dos "dias mais obscuros" de sua história diante das "múltiplas vítimas" em duas mesquitas.

"Fica claro que este é um dos dias mais obscuros da Nova Zelândia. Claramente, o que ocorreu aqui foi um acto de violência extraordinário e sem precedentes".

Segundo Ardern, "muitas pessoas afectadas directamente pelo tiroteio devem ser imigrantes, talvez refugiados, que escolheram a Nova Zelândia para seu lar".

O líder da oposição, Simon Bridges, manifestou publicamente seu "apoio à comunidade islâmica" da Nova Zelândia. "Ninguém neste país deveria viver com medo, não importa sua raça ou religião".

O primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, se declarou "horrorizado com as informações" sobre os tiroteios" no país vizinho.

Na mesquita de Masjid al Noor, um imigrante palestino que pediu para não ser identificado disse que viu um homem ser baleado na cabeça.

"Escutei três tiros e após uns dez segundos tudo começou novamente. Devia ser uma arma automática porque ninguém consegue apertar o gatilho tão rapidamente", contou o imigrante palestiniano à AFP.

Segundo testemunhas, "as pessoas saíram a correr" da mesquita, "algumas cobertas de sangue".

A Nova Zelândia é conhecida por um país de baixa criminalidade, onde o "uso de armas de fogo em crimes é um evento raro", segundo as orientações do departamento americano de Estado para viajantes dos EUA.

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