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14 Março de 2019 | 16h42 - Actualizado em 14 Março de 2019 | 16h57

Igreja Católica busca sair da crise dos abusos sexuais

Berlim - A Igreja Católica, sob pressão pelos abusos sexuais cometidos contra milhares de crianças, procura respostas para a crise profunda em que se encontra, seis meses depois de um pedido público de desculpas por esses crimes.

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A conferência episcopal de quatro dias que termina nesta quinta-feira em Lingen (Baixa Saxônia, noroeste) poucas semanas depois de uma cimeira sem precedentes no Vaticano sobre a pedofilia, para discutir as agressões sexuais impunemente cometidas por religiosos durante décadas em todo o mundo.

Sessenta e seis prelados alemães vão apresentar propostas para acabar com este flagelo, indemnizar as vítimas e punir os culpados.

O bispo encarregado destas questões, Stephan Ackermann, afirmou quarta-feira que a Igreja havia solicitado vários estudos e trabalhava em cooperação com as Procuradorias.
"Queremos saber em que situação estamos", disse.

Em outros países, estão se multiplicando as condenações de altos dignitários católicos, como na Austrália, com a condenação por abuso sexual do ex-número 3 do Vaticano, o cardeal George Pell, ou a do cardeal francês Philippe Barbarin, culpado de ter protegido um padre predador sexual.

- Celibato e homossexualidade

Além de questões práticas, o chefe da Igreja alemã, o cardeal Reinhard Marx, anunciou um debate sobre dogmas, tradições e regras de uma fé em crise. Vários temas serão discutidos: o celibato dos padres, o lugar insuficiente para as mulheres, a moral cristã e a sexualidade.

De facto, a Igreja Católica, a primeira confissão na Alemanha com 23 milhões de seguidores, está mais do que nunca sob pressão das vítimas e dos fiéis, horrorizados pela magnitude dos abusos.

A principal associação de ajuda às vítimas lamenta não ter sido convidada para a conferência episcopal.

"Gostaríamos de apresentar nossas reivindicações aos bispos directamente e pessoalmente, mas não fomos convidados", disse Matthias Katsch, que dirige a organização Eckiger Tisch.

Por sua vez, as associações de fiéis estão mobilizadas. Convocadas pela Comunidade de mulheres católicas na Alemanha, 300 pessoas se manifestaram no início da conferência dos bispos, exigindo que "nenhum criminoso receba cargos" e exigir "acções criminosas", segundo o portal de infomação katholisch.de.

Uma petição de 30.000 assinaturas também foi enviada aos bispos para exigir uma modernização da Igreja.

- Purificação -"É hora de realizar grandes reformas. Devemos responder a essa crise de credibilidade", disse o presidente do Comité Central dos Católicos Alemães, Thomas Sternberg, à emissora pública ZDF na terça-feira.

O cardeal Marx diz que está ciente da situação e admite que a Igreja vive um "marco histórico" e que uma "purificação" é necessária.

"Só poderemos recuperar a confiança de uma Igreja cujo coração é puro (...), sem duplicidade moral e que aceita ouvir a verdade", ressaltou o bispo Franz-Josef Bode esta semana.

A Igreja católica alemã já se desculpou em Setembro pelas décadas de abusos, após a publicação de um relatório que ela própria solicitou.

De acordo com estudantes universitários independentes, teria havido pelo menos 3.677 vítimas, a maioria meninos com menos de 13 anos de idade, que sofrem abusos sexuais por 1.670 membros do clero, entre 1946 e 2014.

Os autores do relatório enfatizaram que essas conclusões eram incompletas, uma vez que não tiveram acesso directo aos arquivos de 27 dioceses alemãs. Os investigadores só puderam examinar 38.000 dossiês e manuscritos seleccionados pela Igreja, e também constataram a destruição de numerosos documentos.

Assuntos Religião  

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