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15 Abril de 2019 | 13h50 - Actualizado em 15 Abril de 2019 | 13h51

Eleição na Indonésia mede a força da democracia no país

Jacarta - Os indonésios devem comparecer às urnas na quarta-feira para escolher entre o actual presidente, Joko Widodo, e um ex-general de passado polémico, em uma votação que medirá a solidez da terceira maior democracia do mundo.

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Bandeira da Indonésia

Foto: Pesquisa

Esta será a maior votação já organizada no país que tem a maior população muçulmana do mundo.

Mais de 190 milhões de eleitores devem escolher entre os dois candidatos à presidência, mas também entre 245.000 candidatos a uma cadeira no Parlamento nacional e nas instituições locais deste grande arquipélago de 17.000 ilhas.

O presidente Joko Widodo, que espera obter os benefícios de um "boom" das infra-estruturas durante seu mandato e do bom momento da principal economia de sudeste da Ásia, lidera as pesquisa.

Este político de origem modesta, que apareceu como alguém à margem do sistema quando foi eleito em 2014, enfrenta novamente Prabowo Subianto, um ex-general vinculado ao regime de Suharto.

Em caso de derrota, a oposição já advertiu que pretende questionar os resultados pelas irregularidades constatadas nas listas eleitorais, inclusive, convocar seus partidários às ruas.

"Há muito em jogo nestas eleições", afirma Evan Laksmana, pesquisador do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais de Jacarta.

Laksmana aponta a possibilidade de um retrocesso democrático no caso da eleição de um ex-militar. "Não sabemos o que (Subianto) fará em caso de vitória, nem se os limites institucionais poderão contê-lo".

A votação começará às 7H00 de quarta-feira (horário local) na província de Papua.

Mais de 800.000 secções receberão os eleitores em todo o país, do extremo de Sumatra à populosa ilha de Java, passando pelas praias paradisíacas de Bali e a remota Sumbawa.

Os eleitores devem furar a cédula de votação (para não permitir dúvidas em sua escolha) e depois terão um dedo pintado com tinta halal, aprovada pelos muçulmanos, uma medida para evitar que compareçam às urnas mais de uma vez em um país com casos frequentes de compra de votos.

Analistas esperam que uma série de "apurações rápidas" apontem, de modo confiável, o vencedor da disputa presidencial na quarta-feira à noite, mas o resultado oficial só deve ser anunciado em Maio.

As pesquisas mostram que Widodo, 57 anos, tem uma vantagem de mais de 10 pontos sobre Subianto, 67 anos.

A campanha foi marcada por uma intensa troca de ataques, um discurso identitário estimulado pela religião e uma grande quantidade de notícias falsas espalhadas pela internet, o que pode influenciar milhões de indecisos.

Widodo baseou a sua campanha em um ambicioso plano para construir estradas, aeroportos e outras infra-estruturas, incluindo o primeiro sistema de transporte rápido de massa em Jacarta.

Mas os ataques a minorias, religiosas e outras, incluindo a pequena comunidade LGTB, coincidindo com o avanço sem complexos da linha dura islâmica, mancharam sua gestão na área dos direitos humanos.

Widodo "escolheu o pragmatismo sobre os princípios em temas como islamismo e pluralismo", afirma Dave McRae, professor titular do Instituto para a Ásia da Universidade de Melbourne.

Widodo, um muçulmano praticante, trabalhou para evitar as acusações de ser um político anti-Islão e nomeou o influente clérigo Ma'ruf Amin como companheiro de chapa.

Mas a vitória de Widodo e Amin - conhecido por suas opiniões depreciativas a respeito das minorias - poderia significar o tiro de misericórdia na reputação da Indonésia como país de islão moderado.

Subianto, que tem como vice Sandiaga Uno, uma empresária rica de 49 anos, fez uma campanha intensamente nacionalista.

Ele cortejou os integrantes da linha dura islâmica, prometeu aumentar os gastos militares e, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu colocar a "Indonésia em primeiro lugar", além de revisar mil milhões  de dólares de investimentos chineses.

As ambições presidenciais de Subianto são afectadas por seus laços com a família Suharto e um passado nebuloso.

Ele ordenou o sequestro de activistas democráticos quando o regime autoritário afundava em 1998 e foi acusado de cometer atrocidades no Timor Leste.

Assuntos Eleições  

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