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22 Julho de 2019 | 19h05 - Actualizado em 22 Julho de 2019 | 19h05

Turquia suspende acordo de readmissão de imigrantes com UE

Istambul - O governo da Turquia declarou nesta segunda-feira que suspendeu o acordo de readmissão de imigrantes fechado com a União Europeia em 2016, em resposta às sanções anunciadas pelo bloco contra Ankara pela exploração de gás em águas do Chipre.

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UE: Turquia suspende acordo de readmissão de imigrantes

Foto: Rosário dos Santos

O anúncio do ministro dos Negócios Estrangeiros, Mevlüt Çavusoglu, foi feito durante uma entrevista à emissora "TGRT", na qual vinculou a medida com as últimas sanções e com o facto de a UE ainda não ter suspendido a exigência de vistos para os cidadãos turcos.

Pelo acordo, vigente desde Abril de 2016, a Turquia comprometia-se a readmitir os refugiados sírios que zarpassem do seu litoral rumo às ilhas gregas em troca, por um lado, de 6 biliões de euros em ajuda e, por outro, de acelerar as negociações para eliminar a cobrança de visto a partir de Junho daquele mesmo ano.

"O acordo de readmissão e a isenção do visto entrariam em vigor ao mesmo tempo. Suspendemos o acordo de readmissão", disse o ministro.

Çavusoglu afirmou que as sanções da UE, como o congelamento de várias negociações e de outras ajudas económicas, em resposta à actividade de navios perfuradores turcos em águas cipriotas, "carecem de valor" e pediu à Bruxelas "que actue como mediador" em vez de ficar ao lado do Chipre.

O acordo de readmissão, assinado em Março de 2016, prevê que todos os imigrantes que chegam às ilhas gregas situadas em frente ao litoral turco serão devolvidos à Turquia.

No caso específico dos sírios, para cada refugiado do país que for devolvido à Turquia, um solicitante de asilo residente em território turco será realocado na UE.

Após a assinatura do plano, o número de imigrantes que chegavam às ilhas gregas caiu drasticamente: de 150 mil pessoas por mês no verão de 2015 e 50 mil no início de 2016 se chegou a uma média de 3 mil mensais.

No entanto, o número de readmissões é baixo: nos mais de três anos transcorridos, apenas 1.884 pessoas foram devolvidas dentro do acordo, entre elas 357 sírios, segundo dados do Ministério de Interior turco.

O ministro do Interior turco, Süleyman Soylu, insinuou no sábado que a Turquia pode utilizar o controlo da migração irregular como ferramenta de pressão sobre Bruxelas.

"É óbvio que a Europa nos abandonou neste assunto. Não adianta dar tapinhas nas costas. Se a Turquia não tomasse medidas tão decididas, nenhum governo da Europa aguentaria sequer seis meses. Se vocês quiserem, podemos provar", disse Soylu, segundo a agência "Anadolu".

Assuntos Imigração  

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