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12 Agosto de 2019 | 03h26 - Actualizado em 12 Agosto de 2019 | 03h25

Itália e Malta autorizam entrada de três imigrantes

Roma - Três dos 160 imigrantes que estão retidos há 11 dias em um navio da organização espanhola Open Arms no Mar Mediterrâneo receberam neste domingo autorização dos governos da Itália e de Malta para desembarcar.

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Fontes da Open Arms disseram à Agência Efe que os três imigrantes autorizados são uma mulher com suspeita de pneumonia, um homem com tuberculose e outra mulher que possui câncer cerebral. As duas serão levadas de helicóptero a Malta. Já o homem será transferido ao território italiano em outra embarcação.

O navio da organização espanhola está parado perto da ilha de Lampedusa, no sul da Itália, e aguarda autorização para desembarcá-los. Um director da Open Arms disse que só vai recorrer à opção de atracar sem permissão em um porto próximo se a situação for de extrema emergência na embarcação.

Os imigrantes estão há 11 dias no navio da Open Arms, que tenta com os governos da Itália e de Malta autorização para que eles sejam recebidos em algum dos dois países.

O fundador da Open Arms, Óscar Camps, revelou em entrevista a uma emissora italiana que a estabilidade emocional a bordo da embarcação está cada vez fragilizada.

"Seremos obrigados a entrar em um porto por motivos humanitários, com todas os impedimentos administrativos e jurídicos que isso pode causar", disse o activista.

Mais tarde, a ONG divulgou um comunicado para explicar melhor a declaração de Camps.

"Nossa obrigação é cuidar dos imigrantes resgatados e resistir. Entrar em um porto sem permissão seria o último recurso. Jamais colocaremos em perigo a vida das pessoas a bordo", esclareceu a Open Arms em nota.

O ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, já avisou que a embarcação será multada se entrar nas águas territoriais do país.

No dia 1º de Agosto, a Open Arms socorreu 55 pessoas, entre elas dois bebés gémeos e uma mulher grávida, justo quando a balsa que os levava naufragava. No dia seguinte, outros 69 imigrantes foram resgatadas pela organização. Do total, três mulheres já haviam deixado a embarcação por motivos de saúde.

Na madrugada de ontem, a Open Arms auxiliou outra embarcação em perigo, acolhendo mais 39 imigrantes que tentavam cruzar o Mar Mediterrâneo para chegar à Europa.

A postura do governo da Itália tem atraído críticas de organizações de direitos humanos, opositores, jornalistas e artistas.

O actor espanhol António Banderas criticou a lei de imigração aprovada por Salvini e disse estar "horrorizado" pela situação à qual os imigrantes vêm sendo submetidos. Já o actor americano Richard Gere pegou na sua sexta-feira uma embarcação, a lotou de mantimentos e foi ao navio da Open Arms para tentar amenizar as dificuldades dos imigrantes.

"Ninguém me disse para vir, vim de forma espontânea. Estava passando férias com a minha família perto de Roma e, depois da aprovação do decreto anti-imigração, uma lei na qual ninguém parecia acreditar, decidi visitar o navio", explicou Gere.

Salvini respondeu às críticas do actor americano com ironia, sugerindo que ele receba os imigrantes nas mansões que possui.

Assuntos Imigração  

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