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31 Janeiro de 2020 | 11h17 - Actualizado em 31 Janeiro de 2020 | 14h58

Democratas dizem que livrar-se Trump do impeachment é normalizar ilegalidade

Washington - Os democratas alertaram quinta-feira que absolver-se o presidente Donald Trump do abuso de poder no processo de impeachment equivaleria à "normalização da ilegalidade", noticiou a AFP.

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Donald Trump, Presidente dos EUA (arquivo)

Foto: Google/Divulgação

No que poderia ser a sua última tentativa para conseguir destituir Trump da presidência dos Estados Unidos, os promotores da Câmara expressaram-se com relação do advogado de defesa, Alan Dershowitz, que disse que o presidente pode fazer tudo que considere de interesse público.

Adam Schiff, líder dos promotores do julgamento do processo de impeachment na Câmara dos Representantes, afirmou que a declaração atinge as leis americanas e relembram caso Watergate, que ocorreu há 45 anos com o então presidente Richard Nixon.

"O que vimos nos últimos dias chega a ser uma loucura constitucional", disse Schiff durante o julgamento no Senado.

"Quase meio século atrás, tivemos um presidente que disse que quando o presidente faz alguma coisa, isso significa que não é ilegal", afirmou.

"Não aprendemos nada nos últimos 50 anos?", acrescentou.

Schiff falou no segundo dia de perguntas apresentadas à promotoria e à defesa pelos 100 senadores que vão julgar o processo.

Trump, o terceiro presidente da história dos Estados Unidos a ser submetido a um processo de impeachment, está a enfrentar as acusações de abuso de poder e obstrução do Congresso relacionadas ao seu plano de pressionar a Ucrânia a abrir uma investigação sobre o pré-candidato democrata à presidência Joe Biden.

As acusações contra Trump são por supostamente reter 391 milhões dólares em ajuda militar para a Ucrânia, a fim de forçar Kiev a abrir uma investigação contra Biden e o seu filho, que trabalhava para uma empresa do país europeu.

Os democratas afirmam que essa atitude representa um convite ilícito a um governo estrangeiro para interferir nas eleições americanas.

Trump nega várias vezes ter agido de forma incorrecta, descrevendo todo o processo como uma "caça às bruxas" com motivações políticas.

O presidente dos Estados Unidos disse nesta quinta-feira num pronunciamento em Michigan que este processo de impeachment "francamente, é uma desgraça" para o país.

A equipa de defesa de Trump argumentou alternadamente que o julgamento tem motivações políticas, que o presidente tinha motivos para investigar o seu rival político e que tem o direito de fazer isso como presidente.

Na quarta-feira, Dershowitz, um famoso advogado e ex-professor da Universidade de Harvard, disse que o presidente poderia fazer essas exigências se pensasse que a sua reeleição era "de interesse público".

"Se um presidente faz algo que acha que o ajudará a ser eleito a favor do interesse público, esse pode não ser o tipo de assunto que resulte num julgamento político", acrescentou.

Democratas e grande parte da comunidade jurídica dos Estados Unidos ficaram impressionados com a declaração.

"Não consigo pensar em algo mais perigoso para a nossa democracia", disse Neal Katyal, ex-funcionário de alto escalão do Departamento de Justiça e professor de direito da Universidade de Georgetown.

O advogado da Casa Branca Pat Cipollone disse que os democratas estão a usar esse processo "como arma política" e que os eleitores, e não o Senado, devem decidir o destino de Trump nas eleições de Novembro.

"Deixemos nas mãos do povo dos Estados Unidos... que é quem deve decidir quem deve ser o presidente deste país", declarou o advogado.

Eric Herschmann, outro advogado de Trump, insinuou que a popularidade e o sucesso político do presidente invalidavam qualquer tentativa de condená-lo no julgamento.

"A aprovação do presidente enquanto estamos no meio deste julgamento político atingiu o nível mais alto de todos os tempos", disse Herschmann.

O primeiro da lista é o ex-conselheiro de segurança nacional da Casa Branca John Bolton, que supostamente afirma num livro ainda a ser publicado que Trump pessoalmente disse-lhe que a ajuda militar para Ucrânia estava ligada à investigação de Biden.

Mas os democratas precisam obter a maioria do Senado para poder convocar testemunhas, e os republicanos tem a maioria na casa, com 53 representantes, contra 47 dos democratas.

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