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31 Maio de 2020 | 19h41 - Actualizado em 31 Maio de 2020 | 20h00

ONU diz que tensões e o vírus pioraram relações entre Israel e Palestina

Nova Iorque - As Nações Unidas (ONU) alertaram hoje para o impacto da pandemia de Covid-19 nas relações israelo-palestinianas, já deterioradas, e sobre o perigo para a frágil estabilidade da região que podem ter passos unilaterais, como a anexação israelita da Cisjordânia.

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Sede das Nações Unidas, em Nova Iorque (EUA)

Foto: Pedro Parente

"A emergência da Covid-19 destaca a insuficiência das estruturas que regem as relações económicas e administrativas entre Israel e Palestina", alegou um relatório do gabinete do enviado especial para o Médio Oriente, Nickolay Mladenov, que valorizou positivamente a cooperação que houve entre as duas partes para fazer frente à pandemia.

No entanto, lamentou que a crise sanitária evidenciou a "deterioração prolongada" dos seus relacionamentos -- muito evidente no âmbito político.

Além disso, alertou que a "situação de paz e segurança vai piorar" se a tendência actual continuar dando lugar a "políticas mais extremistas de ambos os lados" que poderiam prejudicar "os feitos do Governo palestiniano" nos últimos 25 anos.

A anexação de parte do território palestiniano da Cisjordânia que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, quer activar a partir de Julho, ou a quebra de acordos bilaterais com Israel por parte da Autoridade Nacional Palestina (ANP) -- anunciada recentemente em protesto com a anexação --, são dois elementos susceptíveis de aumentar a tensão nos territórios palestinianos, segundo a ONU.

Isso poderia mudar "drasticamente a dinâmica local" e "desencadear conflitos e instabilidade" na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

Perante isso, Mladenov pediu esforços "a todas as partes" para "preservar a perspectiva de uma resolução negociada de dois Estados", em linha com o direito internacional, para evitar uma escalada maior.

O relatório, que vai ser apresentado na terça-feira, na reunião semestral do Comité de Ligação Ad Hoc -- que inclui países e doadores a favor da Palestina --, alerta também sobre a fragilidade do sistema de saúde palestiniano diante da pandemia, o que pode ter efeitos severos sobre Gaza, já severamente castigada pelo largo bloqueio israelita, vigente desde 2007.

Diante disso, a ONU considera que a ANP "precisa de uma maior ajuda financeira e de desenvolvimento para abordar as necessidades de saúde pública, proporcionar serviços essenciais" e responder ao impacto socioeconómico da Covid-19, que segundo os analistas e autoridades, vai provocar um duro golpe na já frágil economia da Cisjordânia.

Até agora, o impacto do vírus em Israel e nos territórios palestinianos tem sido moderado.

A região passou pela fase mais crítica e a maioria das restrições que paralisavam os movimentos e a vida quotidiana já foram levantadas, mas as autoridades mantêm o alerta em todos os lugares, perante um possível surto de contágio.

Israel sofreu 284 mortes pela pandemia, que infectou pouco mais de 17.000 pessoas, enquanto a Palestina registou 627 infectados e cinco mortes.

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