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30 Junho de 2020 | 21h23 - Actualizado em 30 Junho de 2020 | 21h15

Netanyahu dá sinais sobre atrasos no plano de anexação da Cisjordânia

Jerusalém - O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, disse hoje que as discussões com os EUA sobre o plano de anexação de territórios da Cisjordânia ocupada prosseguem "nos próximos dias", sugerindo o adiamento do início do controverso processo, previsto para quarta-feira.

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Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro do Israel

Foto: AFP

Netanyahu fez estas declarações após conversações com o enviado da Casa Branca, Avi Berkowitz, e o embaixador dos EUA em Israel, David Friedman, na sequência dos contactos que mantêm há vários meses para finalizar o mapa que incluirá as áreas da Cisjordânia que o Estado hebreu pretende anexar.

"Falámos sobre a questão da soberania e na qual temos trabalhado nos últimos dias, e continuaremos a trabalhar nos seguintes", declarou o primeiro-ministro, no que foi interpretado por alguns analistas como uma indiciação de que quarta-feira não será o dia decisivo para iniciar a anexação.

No entanto, e pelo facto de Netanyahu não pretender recuar neste polémico projecto, já rejeitado pelos palestinianos e numerosos países e instituições internacionais, admite-se que faça um anúncio simbólico sem implicações práticas nem efeitos imediatos.

De momento, ainda não foi convocada uma reunião do Governo, não se prevendo para quarta-feira um avanço significativo para pôr em marcha o plano de anexação.

"Trata-se de um processo complexo" e "existem muitas questões políticas e de segurança a ter em consideração que não posso comentar com detalhes", admitiu Netanyahu na segunda-feira, no decurso de uma reunião seu partido conservador nacionalista Likud.

Na sua proposta para a região, divulgada em Janeiro, os Estados Unidos autorizam a anexação do Vale do Jordão e dos colonatos da Cisjordânia, mas segundo altos responsáveis da Casa Branca citados pelo diário Jerusalém Post, os norte-americanos pretendem prosseguir as conversações sobre o plano expansionista e que Netanyahu apresentou como a sua principal promessa nas últimas legislativas.

A anexação também suscitou divisões no Governo. O aliado do primeiro-ministro no Governo e que ocupa a pasta da Defesa, Benu Gantz, não pretende decisões unilaterais sem a coordenação com as instâncias internacionais, e já considerou que a concretização deste plano não é prioritária, e que apenas deve avançar após o país ter debelado a pandemia da covid-19.

No entanto, o acordo de coligação entre o Likud de Netanyahu e o partido Azul-Branco (centro, nacionalista) de Gantz não concede ao ministro da Defesa capacidade de veto sobre o plano, que pode ser aplicado sem aprovação do Executivo.

Os territórios a anexar continuam no centro das discussões entre israelitas e norte-americanos. O mapa inicial previa uma anexação de grande parte dos colonatos e do vale do Jordão, mas diversos media locais admitem que Netanyahu poderá agora adopar uma estratégia mais prudente para tentar diminuir as pressões e minimizar o impacto sobre a estabilidade da região.

Nesta perspectiva, poderia optar por um processo "faseado", com uma anexação inicial dos colonatos mais próximos de Jerusalém, e prescindindo no imediato das restantes regiões assinaladas para reduzir a reacção da Jordânia e dos países árabes.

Para quarta-feira estão marcados protestos na Cisjordânia e em Gaza, com diversos analistas a alertarem para um possível recrudescimento da violência.

A posição da Autoridade nacional foi intransigente, e após a divulgação dos planos expansionistas do Estado judaico os seus líderes anunciaram a ruptura dos acordos com Israel, incluindo a cooperação na área da segurança.

O movimento islamita Hamas, que controla da Faixa de Gaza, considerou a anexação como "uma declaração de guerra" e advertiu que a sua ala militar poderia responder com acções armadas.

No entanto, Israel pode beneficiar da situação na Cisjordânia, também afectada pela covid-19, e da frustração de uma população que considera muito difícil alterar uma situação imposta desde há 53 anos e caracterizada por uma implacável ocupação.

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