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22 Dezembro de 2013 | 14h45 - Actualizado em 23 Dezembro de 2013 | 11h29

"Há um certo distanciamento entre a velha e as novas gerações de músicos" - Filipe Mukenga

Luanda - O compositor, intérprete, instrumentista e letrista respondeu, via e-mail, a um questionário da ANGOP, num exercício que traz à luz vários aspectos menos conhecidos da vida e do pensamento de um dos maiores ícones da música angolana.

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Filipe Mukenga, compositor, intérprete e instrumentista

Foto: Angop

Acompanhe a entrevista na sua versão integral.

Por José Chimuco

Filipe Mukenga é apenas o pseudónimo artístico pelo qual é conhecido em Angola e no mundo, mas o seu nome verdadeiro é Francisco Filipe da Conceição Gumbe.

Pergunta (P) – Lançou, no dia 17 de Setembro de 2013, em Luanda, o seu mais recente trabalho discográfico, intitulado “O Meu Lado Gumbe”. Que significado tem este título?

Resposta (R) – Em “O Meu Lado Gumbe”, procuro dar a conhecer ao grande público, primeiro que tudo, que Mukenga não é o meu apelido ou sobrenome, mas apenas o pseudónimo artístico pelo qual sou conhecido no mundo inteiro. Eu chamo-me Francisco Filipe da Conceição Gumbe e, em “O Meu Lado Gumbe”, expresso o meu lado musical mais íntimo, mais pessoal, reúno algumas canções  que foram sendo excluídas dos alinhamentos por mim elaborados, ao longo dos anos, e pelas editoras, às quais estive ligado contratualmente,  impondo-me a gravação de canções de cunho marcadamente comercial, para altos índices de venda. O disco, de grande beleza, em termos de interpretação vocal e instrumental, riqueza melódica e de arranjos, tem um grande significado para mim, na medida em que assinala os meus 50 anos de carreira artística.

P – O seu estilo musical é algo acabado ou continua aberto a influências?

R – Musicalmente, faço Nova Música de Angola (NMA), uma música caracterizada por grande riqueza de conteúdos, mas também rica no que concerne às harmonias, onde se notam os acordes invertidos, as dissonâncias, algo pouco comum na música africana. Sou um músico, cuja música está aberta ao mundo, com teor internacional muito grande e, por conseguinte, aberto a influências díspares, que podem, indubitavelmente, contribuir para uma melhor qualidade da nossa música.

P – Gosta da nova vaga de artistas angolanos?

R – Gosto muito. Angola tem apresentado, nos últimos tempos, muito bons valores no campo musical. O que é agora necessário é que esses valores ou talentos se interessem em estudar música, para elevarmos a qualidade da nossa produção musical.

P – Depois de Gumbe, que outro lado surgirá no seu percurso artístico?

R – Pretendo direccionar o meu trabalho para temáticas muito concretas, como o meio ambiente, a solidariedade social, as assimetrias e desigualdades sociais, os conflitos mundiais, etc., e, neste particular, continuar a trabalhar com o meu irmão Filipe Zau, que é um compositor e letrista de nível inquestionável.

P – O Filipe canta, escreve, compõe e toca. Qual destas vertentes sobressai mais na sua pessoa?

R – De facto componho, escrevo, toco e canto, mas o meu lado mais forte reside na construção de melodias. Considero-me um melodista nato. Com relativa facilidade, consigo vestir com notas ou acordes musicais letras ou poemas não por mim escritos.

P – Para o Filipe Mukenga, Setembro é um mês carregado de significados. Fale-me de Setembro na sua vida, do nascimento, em Luanda, aos primeiros acordes.

R –  Setembro é o mês em que nasci, no ano de 1949. Sou filho de Anacleto António da Conceição Gumbe, enfermeiro, e de uma camponesa, Isabel André. Cresci em Massabi, província de Cabinda. Em Luanda, vivi nos bairros Marçal, Popular, S. Paulo e Praia do Bispo, no seio da família Mangueira. E é justamente no seio da família Mangueira que revelo propensão para a música e me apaixono pelos Beatles. Piso um palco (Programa “Chá das Seis”), pela primeira vez, quando tinha 14 anos. Surgem, depois, convites para integrar inicialmente o grupo de música moderna denominado os “Brucutus”, com o qual não cheguei a apresentar-me em público, e, depois, os “Indómitos”, no seio do qual me fui revelando, paulatinamente, vocalista de talento, e com grandes dotes na arte da composição.

P – Foi admirador dos Beatles. Que influências recebeu dos meninos de Liverpool?

R – Como referi antes, com os “Indómitos”, para além de revelar-me cantor de muito talento, fui, simultaneamente, mostrando às pessoas que tinha uma grande veia na arte da composição, e as minhas primeiras composições revelaram uma forte influência do quarteto de Liverpool, os Beatles, o que era inevitável, com todo o sucesso que o agrupamento inglês fazia no mundo.

P – Que outras influências estão presentes nos seus trabalhos?

R – Para além de influências dos Beatles, a minha música apresenta influências de Jazz, através do discurso melódico e utilização das dissonâncias, e também influências da música francesa, nomeadamente de músicos como Charles Aznavour.

P – Há quanto tempo conhece o Filipe Zau e como se fizeram amigos, ao ponto de trabalharem juntos em muitos projectos não só de ampla projecção nacional, como, até, mundial?

R – Conheci, pessoalmente, o Filipe Zau, em 1978, durante um importante encontro de músicos no Teatro Avenida, numa altura em que os músicos, em Angola, davam os primeiros passos no sentido da criação do que é hoje a União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC). Porém, já antes do encontro havíamos trocado impressões na página cultural do Jornal de Angola e havíamos constatado que as nossas ideias relativamente à música e a outras questões eram coincidentes. Começámos, então, a encontrarmo-nos de forma assídua, e a estreitarmos os nossos laços de amizade, que se reforçaram por altura do passamento físico do seu pai, Francisco Filipe Zau, e pela minha semelhança com ele, facto do qual corroboravam tanto o Zau como a sua mãe, Maria de Pina Zau (Dina), também já falecida. “Novo Som” foi a primeira composição em parceria, registada no álbum com o mesmo título, edição de 1991 da EMI – Valentim de Carvalho e, depois, o projecto “Canto da Sereia – o Encanto”, uma opereta com a qual Zau homenageia o seu pai, antigo marítimo africano. Com esse projecto, nascia na história da música angolana uma das mais criativas e competentes parcerias musicais, hoje com 35 anos de existência, ao longo dos quais já compuseram para cima de 200 canções.

P – Em poucas palavras, como define o Filipe Zau?

R – Falar de Filipe Silvino de Pina Zau, é falar de um irmão. Não fomos gerados e nascidos do mesmo ventre, mas é como se isso tivesse acontecido. A amizade que me liga ao Zau ultrapassa a mera amizade, para se colocar num plano superior de afectividade e de fraternidade. O Filipe Zau é meu irmão, meu amigo e amigo sincero dos seus amigos. Ele é meu confidente e um conselheiro importante e indispensável, quando tenho, pela frente, situações delicadas a merecerem soluções urgentes e inadiáveis. Sinto-me regozijado ao ouvi-lo dizer que eu sou, de facto, o irmão que ele nunca teve, pois é filho único e, no domínio da música, eu o considero um compositor, poeta e letrista de talento refinado.

P – Tem no português Rui Veloso também um grande parceiro. Conta como surgiu a vossa aproximação.

R – Conheci o Rui Veloso em 1988, em Lisboa, quando integrei uma delegação de jornalistas angolanos, que participaria no primeiro encontro de jornalistas dos sete países de língua portuguesa. Nessa altura, com a ajuda do angolano Raúl Indipwo, conseguira o primeiro contrato com a EMI – Valentim de Carvalho para a gravação do meu primeiro disco, “Novo Som”. Rui Veloso foi, nessa altura, o músico escolhido pela editora para dirigir musicalmente os músicos instrumentistas e cuidar dos arranjos, mas, por questões de agenda, acabaria por não realizar o trabalho. Em compensação, participou da canção que dá o título ao álbum, gravando o som da sua  gaita de beiços.

P – Que música angolana gosta de ouvir?

R – De música angolana, gosto de ouvir as canções de Elias Dya Kimuezu, Artur Nunes, Rui Mingas, André Mingas, Selda Portelinha e Sandra Cordeiro.

P – Que artistas estrangeiros gosta mais de ouvir?

R – Internacionalmente, gosto de ouvir Milton Nascimento (Brasil), Ray Charles (EUA), Aretha Franklyn (EUA), Djavan (Brasil), Nat King Cole (EUA), Bilie Holiday (EUA), Charles Aznavour (França), Cesária Évora (Cabo Verde), Jorge Vercilo (Brasil) e Paulo de Carvalho (Portugal).

P – Como convive com a fama?

R – Não sei se sou verdadeiramente famoso. Sou, talvez, e na minha terra, um músico respeitado pela seriedade que a minha obra apresenta e revela, uma música feita com a preocupação de enriquecer culturalmente as pessoas.

P – De 7 de Setembro de 1949 a 7 de Setembro de 2013: um percurso de 64 anos. Quais são as recordações mais vivas da sua infância?

R – Recordo que, com muita frequência, havia momentos de medo que vivia em Massabi e, à noite,  sempre que o meu pai não chegava a casa, depois de um dia de visitas aos doentes nas aldeias.  Tinha eu seis anos e, frequentemente, à noite, eu ficava com a fronte pregada à janela, ouvindo os bichos na floresta que circundava o posto sanitário, tremendo de muito medo, que só desaparecia quando, ao fundo da rua, eu via um vulto se aproximado da residência. Era o meu pai, montado na sua bicicleta, o meio de locomoção que utilizava nas “deslocações de saúde”. Recordo, também, com muita saudade, o dia em que João Silvestre, meu amigo de infância, no Marçal, em Luanda, me deu a primeira aula de violão, passando numa folha de papel os primeiros acordes que fui praticando, com o Manuel Zé, filho do nacionalista Belarmino Van-Dúnem, meu amigo também de infância, na Praia do Bispo, onde eu vivia com os meus padrinhos (Leopoldo Mangueira e Isabel Mangueira).

P – Porquê Mukenga?

R – O nome Mukenga surge numa altura em que eu formava, com José Agostinho, o Duo Misoso. A ideia tinha sido dele, a de arranjarmos pseudónimos artísticos, através dos quais passaríamos a ser conhecidos. Prontamente e num dos ensaios, eu concordei com a ideia e disse ao Zé que passaria a chamar-me de Filipe Mukenga.

P – O Filipe começa a tocar aos 14 anos. Teve alguma influência familiar ou tudo aconteceu naturalmente?

R –  Começo aos 14 anos a minha carreira, motivado pelo sucesso dos Beatles no mundo inteiro. Na família, não existiam músicos, que me pudessem influenciar a seguir uma carreira artística.

P – Dos primeiros acordes, em 1964, a 1991, quando lança o seu primeiro álbum, vão 27 anos. Porquê tanto tempo?

R – Como é fácil verificar, Angola se encontrava em pleno período colonial, em que a nossa cultura era relegada para um plano secundário. Surgindo no país as primeiras editoras de disco (Valentim de Carvalho e Fadiang), editoras que não pagavam convenientemente os músicos, optei por não gravar nenhum disco, contribuindo, deste modo, pelo não enriquecimento dos proprietários das editoras atrás referidas.

P – Como recorda Luanda de 1964 no plano musical?

R – Luanda tinha uma vida noturna muito movimentada e intensa, com inúmeros boites e centros recreativos, locais onde se bailava ao som da música “yé-yé”, apresentada por grupos musicais de muito bom nível, como os Rocks, de Eduardo Nascimento, Electrónicos, de Vúm-Vúm, Black Stars, de Gégé Belo, The Windies, The Five Kings, de Melo Xavier, Indómitos, meu grupo, que depois evoluiu para  Apollo XI, e muitos outros.

P – Que bandas musicais integrou ao longo dos seus 50 anos de carreira?

R – No decurso dos 50 anos de carreira integrei três bandas musicais a saber: Indómitos, Apollo XI e Madizeza, este último nos anos 80.

P – Qual é o tema mais marcante da sua carreira?

R – Sem dúvida alguma, é a canção Humbi-humbi, cujo sucesso ultrapassou fronteiras nas vozes de Djavan, Flora Purim, Paulo de Carvalho, Abel Dueré, Estevão Djipson, Maurício Mattar e muitos outros músicos de craveira internacional.

P – O Filipe é um indivíduo de fácil trato e que cultiva ao extremo a solidariedade. Fale-me mais de si.

R – Sou uma pessoa tímida, introvertida, reservada, mas que, perante este traço da minha personalidade, não me sinto inibido de prestar ajuda àqueles que precisam. Na vida, precisamos uns dos outros. Dizem os mais velhos que “uma mão lava a outra”. Assim, dentro deste contexto, tenho ajudado jovens músicos que iniciam as suas carreiras com composições, mas, sobretudo, com conselhos úteis, para enfrentarem os bons e maus momentos da vida artística. Com isso, vou passando o meu testemunho às novas gerações.

P – O Filipe regressa a Angola em 2004, depois de 12 anos na diáspora. Em que países viveu?

R – Muita gente, não sei por qual razão, convenceu-se de que eu estava a residir no Brasil ou em França, mas fixei-me em Lisboa, Portugal, no ano de 1992, depois da realização da Grande Exposição Universal de Sevilha. E de Portugal fui saindo para países como França, Espanha, Holanda, Bélgica, Macau, Vietnam, Brasil e Moçambique.

P – Que Angola encontrou em 2004?

R – Encontrei, finalmente, uma Angola em paz e a ensaiar os seus primeiros passos para o crescimento económico, para a solução do problema da habitação, da reabilitação das estradas, construção de hospitais, centros de saúde, escolas, universidades e um nunca mais acabar de questões, que durante a guerra não era possível resolver.

P – Como classifica o actual momento da música angolana?

R – É bom, se atendermos ao facto de que na generalidade são utilizados pelos músicos conhecimentos empíricos. A nossa música vai, de certeza, dar saltos muito significativos, no dia em que os fazedores de música começarem a aprender a ler e a escrever, a saber de composição, de harmonia, de solfejo, de história da música e, com isso, começarem a aparecer orquestras. Paralelamente, há a necessidade de surgimento de engenheiros de som para montagem de espectáculos ao ar livre, para gravação em estúdios, surgimento de salas de espectáculos, empresas de agenciamento de artistas, bem como empresas que actuem na área da luminotecnia.

P – Tem sido difícil o casamento entre os clássicos e as novas gerações de músicos angolanos?

R – Verifico que há um certo distanciamento entre a velha e as novas gerações de músicos. Existe toda uma necessidade de promoção de encontros informais entre as gerações, nos quais se possa conversar  e criticar de forma construtiva. Essas reuniões em muito beneficiarão a nossa música, que reúne condições para se colocar em patamares muito mais altos do que presentemente.

P – Está de acordo com a urgente redinamização da Academia de Música de Angola, para suportar a moldura e a formação dos jovens talentos?

R – É imperioso que ao nível de todo o país surjam escolas de música, colocando-se, definitivamente, de lado o empirismo, para que os músicos se possam catapultar para voos mais altos, na bonita arte de fazer música.

P – O que pensa do mecenato?

R – Julgo que a Lei do Mecenato já foi aprovada pela Assembleia Nacional, faltando apenas a sua regulamentação. Como se pode calcular, o mecenato irá beneficiar, grandemente, a cultura e os artistas que se vêm a braços com a falta de financiamento para a concretização dos seus projectos culturais.

P – Que espaço ocupa Angola no panorama musical africano?

R – Em minha opinião, Angola continua à procura de um espaço meritório e digno no panorama musical africano e internacional. Meios financeiros temos de sobra. O que é preciso é vontade política e trabalhar-se, de forma séria, para esse objectivo.

P – O Filipe Mukenga vive só da música?

R – No momento em que já estou reformado da função pública, tenho maior disponibilidade para dedicar-me única e exclusivamente à música, mas  não consigo ainda viver da minha arte.

P – Qual o dia a dia do Filipe Mukenga?

R – Agora, reformado, tenho tido mais tempo para interagir com os netos, sobrinhos, enfim acompanhar mais de perto a situação da família, os seus problemas, ouvir música e compor.

P – Qual foi o último filme que viu?

R – São muitos os filmes não sendo possível enumerá-los todos. Poderei dizer que são todos os de acção.

P – Que livro está a ler?

R – Acabo de ler o livro intitulado “Angolanos na Formação dos Estados Unidos da América”, da autoria de Vladimiro Fortuna, vencedor do Prémio Nacional de Cultura e Artes, na disciplina de Ciências Humanas e Sociais.

P – Uma palavrinha aos admiradores.

R – Os meus admiradores devem continuar a contar com a minha coerência na minha opção artística, a de produzir música que enriqueça culturalmente as pessoas. (FIM)

Por Dentro

Filipe Mukenga nasceu em Luanda, no dia 7 de Setembro de 1949. É filho de Anacleto António da Conceição Gumbe, enfermeiro, e de Isabel André, camponesa. Passou parte da infância em Cabinda. Em Luanda, viveu nos bairros Marçal, Popular, São Paulo e Praia do Bispo. Começou a tocar em 1964 por influência dos Beatles. Ao longo da sua carreira artística, fez parte dos grupos Indómitos, Apollo XI e Madizeza, este útimo nos anos 80. Realizou ensaios com os Brucutus, mas nunca chegou a exibir-se em público com este grupo. Fez ainda parte do Duo Misoso, com José Agostinho.

Data dessa altura o pseudonimo artístico de Filipe Mukenga. Autor de Humbi-humbi, uma canção de raiz popular que projectou a sua carreira, Filipe Mukenga viveu, de 1992 a 2004, em Lisboa, Portugal, de onde visitou países como a França, Espanha, Holanda, Bélgica, Vietnam, Brasil e Moçambique, bem como a região de Macau.

Discografia
•       Novo Som (CD, Emi-VC, 1991)
•       Kianda Kianda (CD, Lusáfrica, 1994)
•       Mimbu Iami (CD, 2003)
•       Nós Somos Nós (CD, Ginga, 2009)
•       O Meu Lado Gumbe (2013)
Participações
•       1998 - Onda Sonora - c/Underground Sound of Lisbon
•       1999 - African Dreams - Underground Sound of Lisbon
•       2005 - Maurício Mattar
•       2007 - Sons da Fala

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