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05 Setembro de 2018 | 12h26 - Actualizado em 05 Setembro de 2018 | 13h41

Ministra destaca qualidade da obra de Bonga

Luanda - A ministra da cultura, Carolina Cerqueira, destacou nesta quarta-feira, em Luanda, a necessidade de o músico Barceló de Carvalho ?Bonga? continuar a criar obras que continuem a preencher de orgulho a cultura angolana no país e na diáspora.

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Bonga - cantor e compositor

Foto: Clemente Santos

Numa mensagem pelo 76º aniversário do artista enviada à Angop, a titular do departamento ministerial cultural augura por novos sucessos no seu percurso criativo em prol da música angolana que o tornou num dos primeiros e principais embaixadores da cultura angolana além fronteiras.

De acordo com Carolina Cerqueira, fiel a uma linha rítmica assente na música das turmas de então, cuja influência está presente no carnaval angolano, Bonga criou um estilo próprio que o levoy aos grandes palcos nacionais e internacionais onde, cooperando com outros autores, mais do que deixar-se deslumbrar por outras influencias culturais e musicais, soube e sabe como ninguém afirmar a especificidade da cultura angolana, preservando e transmitindo mitos, sonhos e tradições, sendo assim uma garantia de preservação e valorização da identidade cultural angolana.

José Adelino Barceló de Carvalho nasceu em Quipiri, na província do Bengo, a norte de Luanda, em Angola. A família tratava-o carinhosamente por Zeca. A sua infância foi passada em bairros como os Coqueiros, Ingombota, Bairro Operário, Rangel, e no Marçal. Aí vive-se um ambiente intimista de preservação das músicas e tradições angolanas, marginalizadas pela dominação colonialista presente na época.

O folclore dos musseques (bairros pobres) cedo fascinou o pequeno Zeca e por isso começou a frequentar e a participar das turmas dos bairros típicos de Angola, onde iniciou a sua actividade musical.

Foi no bairro do Marçal que fundou o grupo "Kissueia". Bonga resolve criar o seu próprio estilo musical, afirmando a especificidade da cultura angolana, numa época muito conturbada.

Carreira musical

Em 1972, na Holanda, lança o seu primeiro álbum "Angola 72", onde canta a revolução e o amor à pátria. É por esta altura que Barceló de Carvalho passa a chamar-se Bonga Kuenda. Adopta um nome africano que significa "aquele que vê, aquele que está à frente e em constante movimento".

Bonga actua pela primeira vez nos Estados Unidos, em 1973, aquando da celebração da independência da Guiné-Bissau, integrado num espectáculo de homenagem à cultura lusófona.

Em  Abril de 1974 Bonga lança "Angola 74". Nos anos 80 torna-se no  primeiro artista africano a actuar a solo, dois dias consecutivos no Coliseu dos Recreios (Lisboa), símbolo da música portuguesa, é o primeiro africano Disco de Ouro e de Platina em Portugal.

O seu sucesso estende-se para lá das fronteiras lusófonas e Bonga actua no Apolo em Harlem, no S.O.B. de Nova Iorque; no Olympia de Paris, na Suíça, no Canadá, nas Antilhas e em Macau.

O seu sucesso é resultado de um trabalho árduo, intensivo e metódico e de uma imaginação criativa que caracteriza toda a sua carreira.

A marca Bonga  

Bonga cria uma fusão entre a sua pessoa e a música de Angola, tornando-as indissociáveis e tendo como maior estandarte, o Semba, um ritmo tradicional angolano correspondente ao samba brasileiro, mas precursor deste.

Também interpretou géneros musicais cabo-verdianos, sendo responsável pela roupagem da coladeira “Sodade” para uma morna, 18 anos antes de Cesária Évora a tornar mundialmente famosa.

Prémios

Bonga recebeu inúmeros prémios de popularidade e homenagens relativamente à sua obra, onde conta com distinções várias, medalhas e discos de ouro e de platina.

Tem manifestado inúmeras vezes a sua solidariedade e altruísmo dando concertos de beneficência para instituições como a MRAR, a Amnistia Internacional, FAO, ONU e UNICEF.

Para além disso, tem participado em CDs como por exemplo "Em Português Vos Amamos" dedicado a Timor, "Paz em Angola" ou ainda "Todos Diferentes, Todos Iguais", um marco na luta contra o racismo.

Tem mais de 300 composições da sua autoria, 32 álbuns, 6 video-clips, 7 bandas sonoras de filmes, e álbuns com inúmeras reedições em todo mundo.

Os seus temas têm sido interpretados por ilustres artistas como no Brasil Martinho da Vila, Alcione e Elsa Soares, em França, Mimi Lorca, na República Democrática do Congo, Bovic Bondo Gala, no Uruguai, Heltor Numa de Morais, e muitos artistas angolanos da nova vaga.  

Assuntos Cultura  

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