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19 Abril de 2019 | 16h57 - Actualizado em 19 Abril de 2019 | 16h57

Província perde estações arqueológicas por falta de política de protecção

Benguela - A província de Benguela conta com 46 sítios e estações arqueológicas classificadas em 1996, algumas das quais desapareceram devido a ocupação desenfreada de terrenos e a construção de habitações, por alguns cidadãos, anunciou hoje, nesta cidade, a directora do Museu Nacional de Arqueologia, Maria Benjamim.

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Museu Nacional de Arqueologia

Foto: Carlos Morony

Segundo a responsável, a partir da rotunda do Camioneiro até a entrada da praia de Santo António, arredores da cidade de Benguela, uma zona de aproximadamente um quilómetro e meio, constitui área de estações arqueológicas já classificadas, mas que, devido a ausência de medidas de protecção institucional, foi usurpada.

Contudo, explicou, apesar do desaparecimento dessas estações, o museu conseguiu preservar mais de 500 peças paleolíticas extraídas daquele local, datadas do período da pré-história em diante.

Segundo a directora, além das seis estações então classificadas na zona da Baía Azul (também desaparecidas por falta de uma política de protecção), o país, no geral, conta com dezasseis estações arqueológicas identificadas em diversas províncias.

Por seu lado, Manuel Gutirre, arqueólogo francês que se encontra em Benguela a convite das autoridades académicas locais para um seminário no curso de História do Instituto Superior das Ciências de Educação (ISCED) da Universidade Katyavala Bwila (UKB), referiu haver mudanças positivas nos métodos de pesquisa e escavações agora usados.

Deu a conhecer que antes era usado um método de escavação em que se retirava o material, era classificado e ficava exposto no museu, sem se saber qual era o contexto em que foi utilizado, mas agora já se integra na uma perspectiva técnica e arqueológica. “Isto é, procura-se saber quais foram os povos que fabricaram o material lítico cerâmico, qual foi o contexto social e o emprego feito aos objectos pelas sociedades antigas”, disse.

Para si, há uma mudança na maneira de se escavar e o facto de se ter feito uma equipa angolano-francesa deve ser ressaltado, visto que alguns arqueólogos europeus, antes trabalhavam com pesquisadores africanos, mas no final estes eram pagos e os europeus levavam os resultados, publicavam em seu nome, esquecendo-se dos nacionais.

O também especialista europeu ressaltou que essa prática não se verifica no seu grupo de trabalho, onde quadros africanos passaram a subscrever as investigações mesmo antes de terem partido para bolsas de doutoramento em França.

No caso específico das pesquisas e escavações a favor do Museu Nacional de Arqueologia de Benguela, afirmou que o grupo de trabalho está a viver algumas dificuldades, já que nem sequer possuem uma viatura para o trabalho de campo, orçamento para as escavações e muito menos equipas de trabalho previamente definidas.

Enquanto isso, o governo de Benguela aprovou, recentemente, um orçamento de 207 milhões e 54 mil e 250 kwanzas que está ser aplicado, desde Fevereiro passado, na reabilitação do Museu Nacional de Arqueologia, cujas obras deverão durar 12 meses.

O Museu Nacional de Arqueologia, localizado junto a praia Morena, na cidade de Benguela, chegou a ter um acervo, num passado recente, de nove mil e 150 peças, muitas das quais foram roubadas nos vários assaltos que sofreu ao longo dos anos.

O edifício onde funciona é uma obra dos séculos XVII/XVIII, onde os escravos eram depositados temporariamente antes de serem levados para a América. Ocupa um perímetro de oito mil metros quadrados e foi construído de blocos de pedra calcária, possuindo portões e gradeamentos de ferro maciço.

Depois do fim do tráfico de escravos, o edifício passou a pertencer à Alfândega de Angola, sendo posteriormente transformado Museu Nacional de Arqueologia, em 1976.

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