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16 Junho de 2019 | 18h12 - Actualizado em 17 Junho de 2019 | 09h39

Falta de verbas condiciona manutenção do Museu de Etnografia do Lobito

Lobito - O actual Museu de Etnografia do Lobito, em Benguela, nunca beneficiou de investimentos para manutenção da infra-estrutura, conservação de peças e pesquisas, desde que foi reaberto em 1978, disse hoje o seu director, Cipriano de Sousa.

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Acervo cultural (arquivo)

Foto: Rosario dos Santos

Em entrevista à Angop, Cipriano de Sousa lamenta o cenário de quase abandono em que se encontra actualmente museu, sendo visível o desgaste natural das paredes com o passar dos anos.

Daí a necessidade de uma reabilitação profunda para devolver dignidade à infra-estrutura, defendeu o gestor, segundo o qual fez-se, recentemente, a revisão de um estudo de viabilidade e o investimento apontava a quantia, em kwanzas, equivalente a dois milhões e 500 mil dólares norte-americanos.

Além da remodelação da infra-estrutura, a proposta, entregue ao Governo Provincial de Benguela, há alguns anos, contemplava a criação de salas de cinema, para mostrar a história do museu, e de conferências, assim como um restaurante.

Segundo a fonte, tudo indica que o projecto de recuperação do museu do Lobito vai continuar engavetado, em função da recente revisão do Orçamento Geral do Estado (OGE).

Aquele responsável justifica a exclusão da instituição que dirige nas prioridades do Programa de Investimentos Públicos (PIP), na província de Benguela, para 2019, devido ao corte orçamental.

Adiada elevação à categoria regional

Outra consequência da falta de orçamento é a dificuldade de elevar a instituição, de nível local, à categoria de museu regional, o que impulsionaria a investigação científica e possibilitaria a conservação, estudo e divulgação do acervo etnográfico.

Para Cipriano de Sousa, será necessário abordagens históricas sobre a movimentação de bens e serviços, através do Porto do Lobito e do Caminho de Ferro de Benguela (CFB), desde a era colonial, e as antigas máquinas da Açucareira da Catumbela, entre os séculos 16 e 19.

A história da radiodifusão, sendo a província de Benguela pioneira em Angola, junta-se, ao ver da fonte, ao leque de condições que poderiam convencer o Ministério da Cultura a dar aval para que o Museu de Etnografia ascendesse à categoria regional.

Actualmente, o museu dispõe de 1.513 peças. A maioria é proveniente da região etnolinguística Lunda-tchokwe, não obstante estar localizado no Lobito, uma circunscrição dominada maioritariamente pelo grupo cultural ovimbundu.

A área dos recursos humanos também tem tido transtornos, uma vez que muitos dos técnicos são professores formados em Geografia e História, enquadrados na altura em que a Educação e a Cultura faziam parte de um único ministério.

Neste momento, o Ministério da Educação precisa dos quadros que se encontram em comissão de serviço. Mas, para contornar a situação, o gestor diz ter proposto ao Governo Provincial a abertura de vagas nos próximos concursos públicos.

Dos 26 funcionários, oito estão na área administrativa, nove na museologia e igual número na investigação científica. Um número considerado “insuficiente”, tendo em conta a dimensão do acervo etnográfico e o trabalho de pesquisa.

Turistas de cruzeiros dominam visitas ao museu

Em relação às visitas, Cipriano de Sousa salienta, embora sem revelar números, que não há razões de queixas, isto porque todos os turistas que escalam o Lobito, através de navios de cruzeiro, incluem no seu roteiro o Museu de Etnografia.

Além disso, há boa colaboração com entidades governamentais e de organizações da sociedade civil, bem como escolas que enviam os seus estudantes para adquirirem conhecimentos sobre os objectos etnográficos.

O Museu de Etnografia do Lobito data das décadas de 1930 e 40, após a consolidação da ideia do Porto e CFB, com um espólio que representa toda a cultura angolana.

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