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19 Julho de 2020 | 23h46 - Actualizado em 20 Julho de 2020 | 12h06

Lágrimas, interacção e muito folclore

Luanda - De microfone na mão e rosto focado nos telespectadores, Baló Januário protagonizou, este domingo, um momento nostálgico no show a favor das pessoas com deficiência visual.

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Socorro

Foto: Gaspar dos Santos

 Chamado para partilhar o palco com o músico Socorro e o grupo Tunjila Tuwajokota, em mais um "Live solidário" promovido pela Televisão Pública de Angola (TPA), em parceria com a Platina Line, o artista derramou lágrimas ao narrar uma triste história de vida.

O show já ia a meio, quando Baló Januário narrou, por entre lágrimas e emoção, a história de alguém acusada de praticar feitiçaria, por pessoas a quem dedicou amor e carinho.

"Desculpem-me, emocionei-me. É a história de uma senhora que criou, formou e sustentou muita gente, mas, como agradecimento, classificaram-na de bruxa", exprimiu.

Conforme o músico, trata-se de uma canção dedicada às pessoas que já tiveram ou perderam familiares acusados de praticar actos de feitiçaria, em Angola, como ele mesmo.

"Em 2010, a minha mãe foi acusada de feiticismo, na Quiçama, numa assembleia (jango), com a corda pronta para ser enforcada", contou, ainda visivelmente emocionado.

Apesar desse momento, o show teve grande interacção entre os músicos e os telespectadores, que asseguraram vários milhares de kwanzas, com destaque para um donativo no valor de um milhão, oferecido por uma entidade privada à Associação de Cegos de Angola.

A actuação resultou igualmente num patrocínio para a gravação dos novos CD de Socorro e dos Tunjila Tuwajokota.

Mas, no essencial, o espectáculo, com duração de 03h30, foi intenso do princípio ao fim, com suporte instrumental da Banda Movimento e da Banda Socorro.

Foi uma actuação que reuniu várias gerações da música folclórica, em representação das províncias de Luanda, de Malanje e do Uíge, que "casaram", num só palco, a dança e o canto.

A "festa", transmitida pela televisão e pela rede social Yutube, abriu com Baló Januário, ao ritmo das canções "A Culpa é Minha" e "Assim é Problema".

Logo a seguir, foi a vez da entrada de Tunjila Tuwajokota, ao ritmo de "Américo",  antes de Socorro e a sua banda mandarem para o palco o tema "Ya Banza".

"É uma honra muito grande estar aqui, para poder ajudar os outros com a mesma deficiência que a minha", pronunciou Socorro, natural de Quimbele, Uíge.

"Eu queria que nós tivemos aqui a presença de todas as línguas e de todas as culturas", exprimiu, antes de soltar a voz, pela primeira vez, no show solidário.

Ao todo, foram mais de 10 canções, algumas com forte aceitação no país, que já estiveram em fases finais do Top dos Mais Queridos, promovido pela Rádio Nacional de Angola.

Em termos individuais, Baló Januário, de Luanda, cantou, entre outras, "Heróis da Pátria", "Azar da Belita", "Boca na Botija", "A Culpa é Minha" e "Assim é Problema".

Já os Tunjila Tuwajokota, de Malanje, interpretaram "Américo", "Mana Mena", "Amor" e "Sentem o Respeito", grande parte delas do álbum "Yosso Ikuma", publicado em 2007.

Por sua Vez, Socorro cantou "Ndigama", "Muana", "Regina", "Sengula" e "Ndinga", dos CD "Kuvata Kueto" e "Imuka", gravados entre 2008 e 2014, numa tarde de fortes emoções, a julgar pelos depoimentos publicados no final, nas redes sociais, por figuras públicas e anónimas.

Tratou-se, pois, de um show vibrante, que valorizou o folclore e o espírito de angolanidade, deixando patente a diversidade ritmica e melódica da zona norte de Angola, mais precisamente de Quimbele (Uíge), da Quiçama (Luanda) e da província de Malanje.

Assuntos Angola  

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