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15 Setembro de 2020 | 20h07 - Actualizado em 15 Setembro de 2020 | 21h35

Francisco Neto conquista Prémio Sagrada Esperança

Luanda - Com a obra "A Festa dos Porcos", o escritor Francisco Agostinho Dias Neto foi distinguido, nesta terça-feira, com o Prémio Literário Sagrada Esperança, edição 2018, numa promoção do Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas do Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente e a Fundação Dr. António Agostinho Neto.

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Cerimónia de Outorga do Prémio Sagrada Esperança

Foto: Francisco Miudo

Como prémio tem direito a nove milhões, 51 mil e 150 kwanzas e a edição e publicação da obra.

A obra, com 200 páginas, constitui uma ficção histórico-narrativa cativante e lúdica, retratando a era colonial em Angola com as suas humilhações e injustiças, e por outro as tradições e as crenças dos nativos.

De acordo com o autor, traz à tona assuntos que deveriam ser estudados pelos historiadores para o conhecimento geral, sobretudo das gerações mais novas, não pretendendo alimentar o ódio, mas faz convicto de que é importante conhecer o passado para se valorizar o presente e melhor projectar o futuro.

“Pretendemos homenagear os vários heróis anónimos de Angola, sendo que muitos pagaram com a própria vida o preço da liberdade. 'A festa dos porcos', em função de um testo literário permitir várias interpretações”, disse.

Pode também, acrescentou, ser encarado como um sonoro grito de socorro, porque pretende chamar a atenção das autoridades para olhar para a indigência nas sanzalas mártires do país, procurar lembrar que um importante número de angolanos “foi barbaramente assassinado sem direito a óbito nem komba".

“Todos temos consciência do valor espiritual que ambos (óbito e komba) encerram na cultura bantu”, disse.

Dias Neto questiona se não será o tempo de fazer um komba nacional para que os mártires angolanos tenham um descanso merecido.

Tendo noção da importância que o livro ocupa no árduo caminho para o desenvolvimento em que se encontra o país, o autor lança um repto para as autoridades, para a aplicação prática da política nacional do livro e promoção da leitura, criada pelo Decreto Executivo 274/11 de 27 de Outubro, para que os jovens de hoje possam transformar o livro em catana do novo tempo.

Na ocasião, o deputado Roberto de Almeida, escritor sob pseudónimo Jofre Rocha, considerou que a obra dará um grande impulso aos jovens escritores, por retratar a vida passada num ambiente de opressão, humilhação e que nem sempre é lembrada e conhecida sobretudo pelos mais jovens.

Considerou ser um escritor que surpreende, pois, normalmente, os jovens escritores têm outras preocupações, e mesmo os que se dedicam a escrita preocupam-se em escrever sobre o futuro e o presente mais próximo, e raramente se debruçam sobre a vida vivida anteriormente no país. 

Historial do prémio

O prémio Sagrada Esperança é organizado em parceria pela Fundação Dr. António Agostinho Neto e o Banco Caixa Angola, que patrocina a iniciativa.

Constitui uma homenagem ao poeta António Agostinho Neto e é dirigido a autores angolanos, com ou sem obras publicadas.

A iniciativa visa promover o enriquecimento do universo simbólico e do imaginário da língua portuguesa, através do discurso literário, incentivar a criação literária entre os autores nacionais, bem como assegurar o surgimento habitual e alargado de novas obras editadas.

De periodicidade anual, o concurso visa incentivar a criação literária entre os autores nacionais e o surgimento de mais obras editadas.

Criado em 1980 pelo Instituto Nacional do Livro e do Disco (INALD), agora convertido em Instituto Nacional das Indústrias Culturais (INIC), o Prémio foi ganho pela primeira vez pelo escritor Manuel Rui, com “Quem Me Dera Ser Onda”.

Assuntos Angola  

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