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07 Outubro de 2000 | 13h16

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Luanda, 07/10 - A morte, quinta-feira, do tenente-generalIsaías António Gonga, por accionamento de mina anti-tanque, marcou aactualidade política da semana, um acontecimento que as mais altashierarquias do pais descrevem como uma "perda irreparável" para asForças Armadas Angolanas (Faa).

O presidente da república e Comandante-em-Chefe das Faa, JoséEduardo dos Santos, qualificou o malogrado de "chefe militar muitocorajoso e competente... Cujos feitos permanecerão na memóriacolectiva do povo angolano para sempre".

Numa cerimónia realizada sexta-feira, no quartel-general das Faa,o estadista escreveu no livro de condolências que +de Malange aoAndulo, do Andulo ao Cuemba, para o sul e leste, o general Gonga e as forças sob o seu comando desempenharam um papel decisivo nadestruição da máquina militar convencional dos inimigos da paz,constituindo-se assim na defesa da democracia e da liberdade do povoangolano.

"O general Gonga talvez tenha sido a maior perda que as Faativeram nos últimos anos", lamentou, por seu lado, o general João Baptista de Matos, chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas, durante a cerimónia.

O tenente-general Isaías António Gonga, comandante da terceiraagrupação das forcas armadas angolanas (Faa), baseada no Andulo(Bié), foi hoje a enterrar no cemitério do "alto das cruze"+, em Luanda.

Entretanto, a semana foi também marcada com revelações macabrasfeitas por um ex-militar da organização de Jonas Savimbi, segundo asquais o general Altino Bango Sapapalo "Bock" foi executado a mando de Savimbi, na localidade do tchanjo, a sul da província deMalange.

Manuel Tito confessou ter participado na execução do general,ocorrida na madrugada do dia 25 de Abril deste ano, com requintes de crueldade. Revelou que Savimbi ordenou que a execução decorresse emsegredo, pois temia que o assassinato de um dos seus sobrinhos e dosmais antigos e fieis seguidores tivesse repercussões negativas juntoda tropa.

Ingressado na Unita desde a juventude, "Bock" foi um dosseguidores mais fiéis e duros de Savimbi. Especialista em explosivos,tinha o branco esquerdo amputado, devido a um acidente com uma minaanti-pessoal.

"Bock", que chegou a atingir o posto de chefe do estado-maior das forças rebeldes da Unita, era um dos militares mais temidos do "galo negro" mas, em finais de 1998, foi despromovido a soldado,preso e chicoteado, por ter falhado na tentativa de tomar a cidade do kuito, capital da província do Bié.

Manuel Tito revelou também o assassínio de outros oficiais de alta patente da organização de Jonas Savimbi, como são os casos dosgenerais Antero Vieira, "tarzan", "assobio de bala" e Daniel Fuma.

Também foram executados, as ordens de Savimbi, os brigadeirosPeres, "grito", Jonas e o coronel Sombongo. O general Antero Vieira,casado com uma sobrinha de Savimbi, era o comandante da brigada"três de agosto", responsável pela segurança de Savimbi.

Para o ex-general da Unita Jacinto Bandua, actualmente incorporado nas Faa, a execução destes seus antigos companheirosconstitui uma "destruição de arquivos".

Noutra vertente, o secretário-geral do Mpla, João Lourenço,reafirmou que o governo está seriamente empenhado na criação dascondições para a realização de eleições gerais no pais tão cedoquanto possível e convidou os partidos da oposição a colaborarem como governo nesse sentido.

João Lourenço apelou a um esforço dos partidos da oposição comassento parlamentar no sentido de viabilizarem a produção eaprovação da futura constituição de Angola, como uma das condiçõesinerentes a realização das próximas eleições.

Neste sentido, explicou que as próximas eleições serão apenasconvocadas "quando se estimar que, efectivamente, existem condiçõesobjectivas" para a sua realização.

Apontou como tarefas em curso para a realização do escrutínio aconsolidação da paz para garantir a circulação de pessoas e bens por todo o pais, o registo eleitoral, reassentamento dos milharesdeslocados de guerra e a reposição da administração do estado.

Reagindo ao posicionamento de alguns políticos sobre acaducidade das instituições emanadas das eleições de 1992 (parlamento e governo), João Lourenço salientou que as "mesmas sópoderão ser renovadas através de eleições... De resto, não hámilagres a fazer".

No seu entender, qualquer outro organismo "ad-hoc" emsubstituição do actual parlamento seria ilegal e anti-constitucional,porque não teria o respaldo do voto popular saído das únicaseleições realizadas em 1992.

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