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03 Setembro de 2003 | 13h24

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Nova bandeira e insígnia apuradas pela Comissão Constitucional da AN

Foto: Foto Angop

Luanda, 04/09 - Vários cidadãos angolanos contestaram quarta-feira os Símbolos da República (Bandeira, Hino Nacional e Insígnia), apurados na semana passada pela Comissão Constitucional daAssembleia Nacional, durante o debate radiofónico do programa "Manhã Informativa", da Rádio Nacional de Angola (RNA).

Entre os símbolos apurados, após cerca de três anos deanálise, os cidadãos manifestaram-se contra a nova Bandeira e as mudanças a submeter à letra do Hino Nacional.#

Em relação a Bandeira, defenderam que o país devia ter umaexclusiva, ao contrário da actual que tem presente um conjunto depaíses e não representa uma exclusividade em termos de cores. "Os Senhores deputados não vão cabular uma bandeira de outros países", reclamaram.

Mas, para o Bispo José Quipungo, da Igreja Metodista Unida, no cômputo geral das Nações, a actual Bandeira Nacional não se assemelha a nenhuma de outro país, pelo que ela não deve "ser mudada de ânimo leve".

Afirmou que a apurada, tanto a cor como a sua configuração, não representa nenhum sentimento patriótico ou nacionalismo angolano. "Talvez represente o sentimento político do momento",afirmou.

Por seu lado, o cidadão Mateus Bimbi argumentou que se os deputados diariamente reclamam a democracia, neste caso também devia-se, em gestodemocrático, deixar o povo escolher o que pretende. "Estão a negar o símbolo maior da independência, o que significa arenúncia da própria independência", salientou.

Ana Bela, outra cidadã que se pronunciou, afirmou que os deputados estão a ser precipitados, pois Angola acaba de sair de uma fase de guerra e ainda há muita coisa importante por fazer.

Neste sentido, defendeu que se devia dar mais algum tempo para que os muitos e bons artistas que o país possui trabalhem com mais calma na criação de uma Bandeira mais completa, "com cabeça, tronco e membros".

Já Manuela Santana sugeriu a realização de uma consulta popular para a escolha da Bandeira da República, porqueo povo é que tem a soberania. "É necessário encontrar-se uma Bandeira na qual o povo se identifique, porque a actual não nos identifica em nada. Angola sempre teve um sol radiante", declarou,referindo que o sol não significa nada para Angola.

Em relação a futura Bandeira Nacional, os deputados Jerónimo Wanga (UNITA) e Anália Pereira (PLD), convidados ao debate, consideram que a escolhida representa a neutralidade.

Sobre a eventualidade de cábula, devido as semelhanças entre a Bandeira Nacional e da Costa Rica, Anália Pereira justificou que não foram definidos critérios concretos para a elaboração dos símbolos, deixando a livre criatividade dos concorrentes. "Daí a razão de a Comissão não ter muito por escolher entre as propostas", afirmou.

No entanto, os parlamentares afirmaram que a populaçãoterá a sua palavra a dizer, antes que os símbolos da Repúblicasejam aprovados pela Assembleia Nacional.

Os cidadãos foram bastante críticos em relação à algumasjustificações dos deputados convidados, realçando-se as dirigidas à deputada Anália que, segundo os populares, hoje defende a mudança da Bandeira, quando as primeiras eleições foram realizadas com a actual, apesar de se assemelhar à do MPLA.

"Só agora, nas segundas eleições, é que estão preocupados com esse problema"?, questionaram-se.

O Hino Nacional é um dos símbolos apurados, estando prevista a manutenção da melodia e a alteração de parte da letra. Esta alteração está também a ser alvo de contestação pelos cidadãos.

Em sua opinião, a letra não deve merecer alterações muito profundas, salvo a passagem referente aos "heróis do 4 de Fevereiro", que nos últimos tempos tem gerado certa polémicapor parte de muitos partidos da oposição.

A futura Bandeira Nacional, apurada pela Comissão Constitucional e que deverá passar ainda pelo crivo da plenária da Assembleia Nacional, na sua veste de Assembleia Constituinte, tem a forma de um rectângulo, dividida em cinco faixas horizontais (paralelas) com as proporções correspondentes a 180 centímetros de comprimento e 120 de largura.

A faixa superior e a inferior são de cor azul forte com 20 cm de largura cada, as duas faixas intermédias de cor branca com 10 cm de largura cada e uma faixa central de cor vermelho-rubro com 60 cm de largura.

Sobre a faixa vermelha central está uma representação solar de cor amarelo vivo, constituída por três círculos irregulares concêntricos e 15 raios, inspirada nas gravuras rupestres do Tchitundo-Hulu, localizadas na província do Namibe.

As faixas azuis representam a Liberdade, Justiça e Solidariedade, enquanto as brancas a Paz, Unidade e Harmonia. A faixa vermelha indica o Sacrifício, Tenacidade e Heroísmo. Por sua vez, a representação solar equivale a Identidade Histórica e Cultural e as Riquezas de Angola.

A Comissão Constitucional decidiu manter a melodia do HinoNacional "Angola Avante", sujeitando apenas a sua letra a algunsarranjos.

Adoptou a Insígnia da República, que é formada por uma ramagem de milho, café e algodão e uma secção de uma ronda dentada cor de bronze representando, respectivamente, a Produção Agrícola e a Industrial, sectores fundamentais da economia de Angola.

Na base do conjunto está um livro aberto simbolizando a Educação e a Cultura, o sol nascente sob fundo azul celeste com os seus raios que simbolizam a Alvorada do Novo País e a Sabedoria Popular.

No centro da Insígnia está colocada uma catana e uma enxada, simbolizando o Trabalho do Campo Rural e a Homenagem aos Heróis Nacionais.

Ao cimo figura a estrela de cor amarelo dourado simbolizando as Riquezas do País e o Progresso. Na parte inferior da Insígnia está colocada uma faixa dourada com a inscrição "República de Angola".