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06 Novembro de 2014 | 13h52 - Actualizado em 06 Novembro de 2014 | 13h51

Cunene conhece desenvolvimento substancial

Luanda - A província do Cunene, situada no sul de Angola tem, nos últimos anos, conhecido um desenvolvimento substancial, fruto das transacções comerciais que são efectuadas na fronteira com a vizinha República da Namíbia, com a qual tem 460 quilómetros de fronteira, sendo 340 terrestres e 120 fluviais.

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Caminho para o município do Curoca

Foto: Rosário dos Santos

Posto fronteiriço de Santa Clara

Foto: Rosário dos Santos

Por Óscar Silva e Adriano Chisselele

Com uma população estimada em 965. 288 habitantes, distribuídos em seis municípios (Cuanhama, Ombadja, Namacunde, Cahama, Cuvelai e Curoca), o Cunene tem uma densidade populacional de 13 pessoas por quilómetro quadrado, sendo 79,19 por cento rural e 20.9 urbana.

Destes, três municípios são fronteiriços com a República da Namíbia, designadamente Namacunde, Curoca e Cuvelai, constituindo esta região um ponto de referência no concernente à política de boa vizinhança implementada pelo Executivo angolano.

Neste contexto, esta província tem merecido uma atenção especial das autoridades governamentais angolanas para o seu desenvolvimento multifacetado, com destaque para a reabilitação de infra-estruturas económicas e sociais.

Com o objectivo de facilitar o acesso a todos os municípios, recentemente foi adjudicada à uma empresa angolana a via que liga o município da Cahama ao Curoca. A estrada é constituída, neste momento, de areia e pedra, podendo considerar-se a localidade mais difícil de se atingir, visto que só é possível através de viaturas apropriadas, ou seja, todo o terreno.

Este facto contribui para que o Posto de Guarda Fronteira, marco número 1, na zona do Ruacana, no município do Curoca, seja o menos movimentado, em comparação com os restantes postos. A única atracção deste posto, para os imigrantes, incluindo turistas namibianos, sul-africanos e alemães, são as Quedas de Ruacana, proporcionadas pela barragem hidroléctrica com o mesmo nome, no tempo chuvoso, quando o Rio Cunene atinge o seu pico mais alto.

A barragem em questão fornece energia eléctrica, não só a Angola, como à República da Namíbia, fruto do acordo rubricado pelas autoridades coloniais portuguesas e sul- africanas e que ainda continua vigente, graças às boas relações políticas e de irmandade existentes entre as Repúblicas de Angola e da Namíbia.

Há ainda a realçar os trabalhos de restauro, desde 2012, da Barragem Hídrica do Calueque, no município de Namacunde, igualmente sobre o rio Cunene, estando já em 60 por cento da sua fase de execução. Esta infra-estrutura tem a capacidade de injectar 12 metros cúbicos de água por segundo, sendo a grande parte para a Namíbia e a restante utilizada para a rega na cintura verde da localidade de Calueque.

O Cunene, por outro lado, possui a Estrada Nacional 105, que a liga à província da Huíla.

A mesma via é conhecida ainda por Estrada Internacional “Transcunene”, pois liga Angola, Namíbia, África de Sul e o Botswana, cujo término, em território nacional, está situado no Posto Fronteiriço de Santa Clara, por sinal, o mais movimentado na zona sul de Angola.

Através deste posto regista-se o maior volume de negócios entre Angola e a Namíbia, com um movimento de cidadãos considerável, tanto nacionais como estrangeiros.

A maioria dos cidadãos que diariamente frequentam este posto tem como objectivo a aquisição de produtos alimentares e vestuário de origem namibiana. Por seu turno, os namibianos adquirem em Angola combustível para as suas viaturas, contribuindo desta forma para a grande movimentação de veículos ao longo da fronteira comum, o que faz com que sejam arrecadas receitas substanciais para os cofres do Estado.

Neste sentido, os laços de amizade entre os dois países são fortalecidos, ao que se junta a consanguinidade existente entre as populações que residem ao longo do troço fronteiriço.

De acordo com dados fornecidos pelo Serviços locais de Migração e Estrangeiros (SME), as segundas, quarta-feiras e sábados são os dias de maior movimento neste posto fronteiriço e os meses de Novembro e Dezembro os de maior movimento migratório.

Município do Curoca: Aqui começa a marcação fronteiriça Angola/Namíbia

O Município do Curoca, que dista 333 quilómetros de Ondjiva, cidade capital da província do Cunene, desenvolve-se passo a passo, “sonhando” por dias melhores.

Com uma população estimada em 49 mil habitantes e uma extensão territorial de 7998 quilómetros quadrados, é nesta região que se inicia o conjunto dos postos fronteiriços do Cunene, colocados na zona limítrofe entre Angola e a Namíbia.

O Posto de Guarda Fronteira em questão corresponde ao marco 1, localizado na povoação do Ruacana, cerca de 100 quilómetros de Oncocua, sede do Curoca.

Aqui, o movimento migratório é ínfimo, tendo em conta que ainda há muito trabalho por fazer, mormente na asfaltagem das vias de comunicação, de modo a que se possa circular com mais comodidade nesta zona.

Para o terceiro sargento dos Serviços de Migração e Estrangeiros (SME), José Java Econgo, que falou à reportagem da Angop, como chefe interino do referido posto fronteiriço, o máximo são vinte pessoas diárias que passam por este marco, sendo que no sábado e domingo, o número cai para três ou cinco pessoas.

Muitos destes poucos imigrantes são residentes fronteiriços que têm família de um lado e doutro da fronteira.

Assim, para facilitar o trajecto regular destes, o governo angolano, em colaboração com as autoridades namibianas, criou os passes de travessia, com duração de estadia de 10 dias prorrogáveis, de modo a que aqueles que não tenham passaporte possam ter o direito de visitar e conviver com os seus próximos, com alguma regularidade.

Neste documento consta essencialmente a identidade do cidadão e as razões da travessia.

Barragem do Ruacana e seu impacto turístico

Ruacana é uma zona de destaque no Curoca, devido à Barragem hidroeléctrica que transmite energia eléctrica também à Namíbia, no âmbito dos acordos de cooperação existente entre os dois países. A barragem está sobre o rio Cunene, um rio muito importante para o país vizinho, pois é igualmente daí que se beneficia da água, através de uma tubagem ligada à barragem hídrica de Calueque, povoação do município de Ombadja.

Os imigrantes, geralmente namibianos e sul-africanos, bem como ingleses e alemães, frequentam esta localidade, com maior frequência, quando o nível da água do rio sobe, concretamente nos períodos de Janeiro a Abril, com o fito de apreciarem as quedas de água da Barragem do Ruacana, um espectáculo de rara beleza.

É neste período que o Cunene “sente” a presença notória e elevada das quedas pluviométricas.

Estes cidadãos, disse José Econgo, interessam-se por fazer turismo nesta área da barragem e acabam por conhecer outros pontos de Angola, como o Namibe, por exemplo.

O troço Cahama a Curoca ainda é de “pedra sobre pedra “

Pessoas há que não querem ouvir falar da viagem ao município do Curoca, devido a paisagem agreste, com as árvores com folhas secas e o rio intermitente a cortar a via de 167 quilómetros, do município da Cahama a Oncocua, sede do Curoca.

A situação que mais desencoraja a visitar este município, com regularidade, é a existência de pedras na estrada, pois faz com que o carro “dance permanentemente até ao destino”, sacudindo as pessoas que nele se fazem transportar. Mas a equipa de reportagem da Angop fez-se à via e depois de cinco horas de percurso chegou à Oncocua.

Logo depois de deixar o asfalto da estrada nacional e internacional 105, que corta Xangogo (sede municipal de Ombadja) e Cahama, a equipa da Angop constatou que as obras de melhoria da via para o Curoca já começaram, após o acto de consignação feita em Outubro deste ano.

O motociclista Lino Mutue, que geralmente passa por esta via, a caminho da localidade de Otchijau, enalteceu o governo por estar a trabalhar para asfaltá-la.

“Quando estiver com asfalto vai-me ajudar bastante porque eu passo sempre aqui com a moto e nem sempre é fácil “, disse.

Para o funcionário da empresa angolana Levon, encarregue dos trabalhos do troço em referência, Fernando Rodrigues, os trabalhos correm sem sobressaltos, prevendo, conforme o estabelecido, a conclusão da obra no final do próximo ano.

Concluída a asfaltagem da via, muitas são as pessoas que viajarão para o Curoca, uma cidade que tem vindo a tomar novos rumos.

Composta por duas comunas, designamente Oncocua e Chitado, bem como 25 povoações, tudo leva crer que o Curoca, cada vez mais, vai melhorar, tendo em conta os projectos em carteira e os já efectivados pela administração local, como a construção de escolas e habitações para os professores e técnicos de saúde.

Neste momento, já foram construídas 100 casas em Oncocua e já ocupadas por professores e técnicos de saúde. “Este ano, mais 100 casas estão em construção, sendo que 70 serão para os quadros da sede municipal e 25 para os do Chitado e cinco para os de uma das povoações estratégicas”, garantiu o administrador adjunto do Curoca, José Adriano Cafiló.

Curoca já conta com 57 escolas, do I e II ciclos, ao contrário das 15 escolas que existiam em 2004.

Fora do sistema normal de ensino têm controladas 6 mil 57 crianças, mas a administração diz que tudo está a fazer para que o município tenha mais professores e salas de aulas para se reduzir substancialmente este número.

Este ano, o município admitiu 78 professores, que já laboram. Outros futuros docentes estão a estudar em regime de bolsas de estudo noutras províncias, pelo que se acredita que muita coisa vai melhorar nesta região do país.

A administração do Curoca aguarda igualmente, para 2015, o envio de professores que participaram no concurso público deste ano e aprovaram, os quais, em número ainda não definido, vão se juntar aos 305 professores existentes.

No plano da saúde, o Curoca tem um hospital com 75 camas, seis posto de saúde e um centro escolar de saúde. Em termos de profissionais da saúde tem dois médicos, um angolano e outro expatriado, 20 enfermeiros permanentes e nove eventuais.

As doenças mais frequentes nesta municipalidade são as diarreicas e o paludismo. O HIV/Sida, segundo José Cafiló, é reduzido, apesar de não ter avançado o número.

A seca e o seu impacto social

No período de seca, principalmente de Maio a Dezembro, munícipes há que atravessam a fronteira para a aquisição de alguns bens, como alimentares, pois nesta fase escasseiam. Também aproveitam para comprar roupas, calçados e mobiliários.

Por este facto e tendo em conta as condições agrestes do Curoca, no período de seca, não se tem registado, com frequência, entrada de estrangeiros nesta região, principalmente na sede do município, Oncocua.

A população é essencialmente constituída por agricultores e pastores.

A administração, para ajudar nas actividades em referência, tem sobre sua posse quatro tractores que, em período de chuva, são entregues aos agricultores para lavrarem a terra e tem surtido, conforme fez constar o administrador adjunto do Curoca, efeito desejado.

Os munícipes produzem milho, massambala e massango, nalgumas vezes abóbora.

Em Oncocua, devido ao facto de existirem somente os rios intermitentes e que “não aguentam por muito tempo com água”, a actividade agrícola acontece essencialmente apenas na época das chuvas.

Para o consumo diário, a população da sede do Curoca é abastecida por sondas com ajuda das placas solares e igualmente na base de chimpacas feitas nas zonas rurais.

No entanto, este município é banhado pelo rio Cunene, através da comuna do Chitado. Nesta localidade as pessoas praticam trabalhos de rega das suas plantações, mesmo em tempo de poucas chuvas.

Chitado é a única localidade do Curoca que tem igualmente a vantagem de receber a energia eléctrica da barragem do Ruacana, situada na localidade com o mesmo nome.

Em Oncocua consome-se energia alternativa através de dois grupos geradores, sendo que um fornece luz até à meia noite para facilitar as aulas noturnas e o gerador da saúde que trabalha toda a noite para atender os pacientes.

Uma das grandes preocupações é a inexistência de bancos para atender os trabalhadores nesta fase em que os salários são todos bancarizados.

O administrador adjunto fez saber que uma equipa do Banco de Poupança e Crédito (BPC) esteve em Oncocua e já identificou um espaço onde se poderá erguer a infra-estrutura bancária.

José Cafiló prevê que daqui a um ou dois anos terão o banco tão almejado, principalmente, pelos funcionários que têm de percorrer longas distâncias, para outros municípios, para levantarem os salários e efectuar outras operações bancárias.

Comunidade Vátua: “De pedra e cal”

Os vátuas são uma comunidade étnica de referência histórica no sul de Angola que, apesar da presença do colono português em Angola, por cerca de 500 anos, mantém ainda presente os traços que os caracterizam.

Este grupo, nómada por excelência, no passado, encontra-se no Curoca e noutras zonas fronteiriças do Cunene, onde têm as suas casotas feitas de pau e cobertas de capim. Eles são tidos como os primeiros povos a habitarem o município do Curoca.

No entanto, a camada feminina aparenta ser a mais conservadora da tradição, pois a equipa de reportagem da Angop encontrou-as com o corpo pintado com a tinta vermelha obtida através da trituração de uma pedra vermelha, que se encontra na comuna de Chitado, e que o seu pó é misturado com a gordura dos animais.

Com a maior parte do corpo descoberto, missangas ao pescoço, cintura e os quadris cobertos com vestes feitas de pele de animais (de cabrito, carneiro e boi) e algumas com panos, as mulheres manifestaram a sua satisfação por receberam visitas.

Esta comunidade vátua, também chamada mutua, antes da chegada dos portugueses em Angola, em 1482 na foz do rio Zaire, província com o mesmo nome, comiam frutos silvestres e carne, já que se dedicavam igualmente à caça.

O soba Joaquim Muquila Calilo confirma a entrega e contínua disposição da sua comunidade aos hábitos e costumes seculares.

Os homens dedicam-se, essencialmente, ao fabrico de lanças, catanas e outros utensílios de caça, enquanto as mulheres fazem panelas de barro para permutarem com alimentos, assim como contribuem, fortemente, na educação dos filhos sobre os valores da vida.

De ressaltar que em caso de conflitos, nas famílias e nas comunidades, têm um tribunal tradicional, constituído por um conselho de sobas, que trata de resolver os problemas.

Segundo o Soba existem, na área do Curoca, sete grupos dos vátuas, sendo que o seu grupo é composto por 540 pessoas, entre homens e mulheres.

“ Temos vátuas no Chitado, nas povoações de Loura e Ombua, por exemplo. O nosso soba grande chama-se Iaca Capica. Eu sou soba da sede e membro das autoridades tradicionais no Curoca ”, esclareceu.

Nos últimos tempos e tendo em conta a falta de chuvas (de Maio a Dezembro), têm contado com o apoio da administração local, que fornece, particularmente, produtos alimentares para o seu sustento.

O governo tem estado a apoiá-los na aquisição de novos animais para substituir o gado que morre por causa da seca.

O governo também tem em perspectiva fazer chegar a água a esta comunidade, o que vai permitir o cultivo do feijão, couve e outros produtos.

Os vátuas estão igualmente na Namíbia, isto porque a partilha dos territórios africanos, pelas potências colónias, na conferência de Berlim (Alemanha), em 1885, não levou em conta os hábitos, costumes e a consanguinidade dos povos.

Por este facto, este grupo étnico necessita de atravessar frequentemente as fronteiras para visitar e conviver com os seus familiares.

“ O meu tio, irmão da mãe, é de nacionalidade namibiana, morreu recentemente naquele país, mas vai ser enterrado em Angola, onde está a maioria dos familiares”, fez saber o soba, tendo esclarecido que para atravessar a fronteira tratam do passe de travessia, que é obtido no posto fronteiriço.

A administração do Curoca, além de levar alguns produtos alimentares, em período de seca, como arroz e feijão, inseriu crianças desta comunidade na escola, para que não estejam à margem da dinâmica actual da sociedade angolana no geral.

Um lar foi criado e é onde estão 100 crianças, com as idades dos nove aos 14 anos, que estão a estudar. Fruto deste engajamento da administração, o Curoca já tem um vátua como coordenador da saúde na localidade.

Assuntos Angola   Província » Cunene  

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