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13 Julho de 2017 | 18h22 - Actualizado em 13 Julho de 2017 | 18h51

Angola e ONU trabalham para que refugiados não perturbem eleições

Nova Iorque - As autoridades angolanas, com o apoio da ONU, trabalham para evitar que a presença de mais de 30 mil refugiados congoleses no país perturbe as eleições gerais do dia 23 de Agosto próximo, afirmou em Nova Iorque (EUA) o secretário do MPLA para as Relações Internacionais, Julião Mateus Paulo "Dino Matrosse".

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Secretário do MPLA para as Relações Internacionais - Julião Mateus Paulo ?Dino Matrosse?

Foto: Pedro Parente

"Angola absorveu nos últimos tempos cerca de 30 mil refugiados da RDC que atravessaram as fronteiras, a maioria apenas com as roupas que tinham no corpo, e grande parte mulheres, crianças e idosos", disse o dirigente, num discurso proferido na reunião do Conselho da Internacional Socialista (IS), decorrida de 11 a 12 deste mês, na sede das Nações Unidas.

Lembrou que na região dos Grandes Lagos regista-se um dos conflitos mais devastadores, que dura há bastante tempo e que causou a perda de milhares de vidas humanas e uma "colossal destruição", principalmente na República Democrática do Congo.

O político enfatizou que esta circunstância fez com que, por iniciativa dos países da sub-região, fosse criada a Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos, um mecanismo de concertação multilateral específico, cuja presidência é exercida pela segunda vez consecutiva pelo Presidente José Eduardo dos Santos, que tem desenvolvido esforços para estabilizar a área.

"O retardamento (no alcance) deste objectivo (paz) deve-se essencialmente à inconfessa falta de compromisso e à sobreposição de interesses económicos particulares em detrimento dos superiores interesses dos povos", acusou "Dino Matrosse, que antes da reunião do Conselho participou num encontro do Presidium da IS, na sua qualidade de um dos vice-presidentes da organização.

Na sua intervenção, feita no primeiro dia de trabalho, durante a abordagem do tema sobre a importância dos mecanismos multilaterais na preservação da paz, proposto pelo secretario-geral da ONU, António Guterres, o dirigente do MPLA defendeu esses mecanismos, para que se possa fazer  a concertação, a compatibilização de interesses e, fundamentalmente, se obtenha compromissos.

Disse persistirem no mundo os desafios da paz que arrasta consigo o drama da perda de vidas de pessoas inocentes, dos refugiados e deslocados, os problemas da mitigação dos efeitos da crise económica e financeira global, da pobreza, do desemprego, do atraso económico e social, os desafios ambientais e o terrorismo.

De acordo com o orador, associa-se a esse fenómeno o perigo da incerteza e da imprevisibilidade que caracterizam as lideranças actuais em algumas sociedades, principalmente naqueles casos em que existe a responsabilidade histórica da preservação da paz, da harmonia, da promoção da democracia, numa perspectiva multifacética.

Para si, a existência de organizações, a discussão dos assuntos e a criação de  mecanismos de facilitação devem ser acompanhados da seriedade e do compromisso, porque o que a humanidade quer é um mundo equilibrado em que a concertação, a compatibilização de interesses e a busca de consensos sejam a motivação e o propósito de todas as nações e de todos os líderes que tratam das relações internacionais.

Neste sentido, alertou que o compromisso é uma premissa para que o mundo não registe novamente uma alteração da posição inicial, como aconteceu recentemente em relação aos entendimentos obtidos na Cimeira de Paris sobre as Alterações Climáticas, numa referência implícita à decisão dos Estados Unidos da América de se retirarem do Acordo sobre o Clima.

"Tendo em conta que todos os problemas globais têm reflexos na vida interna dos países e dos povos, sejam eles de natureza ecológica, financeira ou relacionados com o terrorismo, a segurança, o crime organizado transnacional e as grandes endemias, o seu impacto depende muito das infra-estruturas existentes, da robustez da economia e da organização das sociedades. Por isso, os países subdesenvolvidos são os que mais sentem estes efeitos", frisou.

Ao finalizar, lembrou que em 2005, a nível da Internacional Socialista, na altura presidida pelo actual secretário-geral da ONU, trabalhou-se "arduamente" num conjunto de propostas sobre as reformas a introduzir no sistema das Nações Unidas, denominadas “Reforma da ONU para uma nova Agenda Global".

"Era, na altura, preocupação profunda a ineficácia dos instrumentos multilaterais e a instrumentalização da ONU, usada como bandeira dos intentos militaristas expansionistas e de ingerência na soberania dos países", afiançou "Dino Matrosse", cuja delegação integrou os membros do Comité Central do MPLA Manuel Pedro Chaves e João dos Santos Neto, respectivamente, director para Relações Internacionais (DRI) e chefe de Divisão de Relações Internacionais.

Assuntos Debate   MPLA   ONU  

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