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13 Agosto de 2017 | 17h27 - Actualizado em 13 Agosto de 2017 | 17h55

Eleições/2017: Corrida contra o tempo

Luanda - As eleições gerais de 23 de Agosto estão à porta e a dez dias para o país ir às urnas pela quarta vez decidir o destino pela via democrática, cresce a corrida entre os concorrentes e a expectativa dos eleitores, que vão escolher os novos dirigentes para o quinquénio 2017-2022.

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Boletim de voto para eleições de 2017

Foto: Foto divulgação

(Por Óscar Silva)

O sufrágio deste ano marcará o começo de uma nova página na cena política nacional, sem o actual Chefe de Estado José Eduardo dos Santos, na liderança do país, o que faz aumentar o desafio e a responsabilidade dos aspirantes à sucessão.

Assumir este "apetecível” posto, que fez de José Eduardo dos Santos uma referência obrigatória de liderança em África, é, para os seis adversários políticos em cena na presente campanha eleitoral, uma meta que se afigura difícil e inspiradora.

Apesar do grande desafio de contornar os efeitos da crise económica e resgatar os índices de crescimento interrompidos pela queda brusca do preço do petróleo, os candidatos continuam a procurar, a todo custo, "seduzir" o soberano povo com as promessas eleitorais.

Para convencer o eleitorado, que se mostra mais maduro e exigente a cada pleito, os concorrentes submetem ao eleitor estratégias distintas, propondo-se a atacar fenómenos que têm dificultado a materialização de alguns programas.

A poucos dias do fim da campanha eleitoral, as seis forças políticas e os seus candidatos a Presidente da República esmeram-se para fundamentar a viabilidade dos programas e mostrar aos eleitores que, apesar da crise, têm soluções para manter a dinâmica de crescimento do país.

Nessa campanha, considerada por muitos como uma das mais difíceis da história de Angola (devido às limitações financeiras), o MPLA surge em força, desde a abertura do processo, com um lema que assenta na esperança.

Com o slogan “Corrigir o que está mal e melhorar o que está bem”, o partido realiza diversos actos de massa por todo o país, prometendo um combate cerrado à corrupção.

O seu candidato a Presidente da República, João Lourenço, tem vindo a dar, nos seus discursos, especial atenção às autoridades tradicionais e à valorização das figuras históricas.

Assume, desde o começo da campanha, um compromisso com o combate à impunidade e à melhoria das condições de vida dos cidadãos, pondo o homem e a competência no centro de toda a agenda de governação.

Já a UNITA, principal força da oposição, tem vindo a adoptar como lema de campanha "Mudança  agora",  prometendo, caso vença as eleições, formar um governo inclusivo.

Nos seus actos políticos de massa e encontros com os académicos, as autoridades eclesiásticas, o partido liderado por Isaías Samakuva fala da atribuição de salários condignos, que se ajustam à capacidade financeira do país.

Esta tem constituído uma das bandeiras de campanha dessa formação política, pretendendo que no seu governo seja estabelecido um salário mínimo correspondente a 500 dólares.

Por sua vez, a CASA-CE tem vindo a centrar o seu discurso na juventude e vendedores dos mercados informais, tendo como principal bandeira da campanha “acabar com a fome em cinco anos e com a pobreza em dez anos". 

A FNLA, um dos três históricos da conquista da independência nacional, aposta na valorização dos antigos combatentes, prometendo construir mais mercados em todos os municípios do país, para albergar o maior número de vendedores ambulantes.

De igual modo, pretende fomentar a agricultura, para a segurança alimentar e criação de mais emprego às famílias angolanas, considerando este sector uma das principais fontes para alavancar o desenvolvimento do país.

Outra aposta do partido liderado por Lucas Ngonda, submetida ao crivo do eleitor, é a educação, em que prevê criar a facilidade na obtenção de bolsas de estudo.

O Partido de Renovação Social (PRS) tem vindo, à semelhança das anteriores campanhas, a usar como trunfo a adopção do federalismo como sistema de governo.

Esse sistema de governo constitui para o PRS a saída para o combate às assimetrias regionais, por meio da promoção da distribuição equitativa das riquezas.

Caso vença as eleições, o PRS liderado por Benedito Daniel promete lançar as bases para reduzir as importações e elevar o número de postos de trabalho, sobretudo para os jovens.

A Aliança Patriótica Nacional (APN), a mais nova entre as seis forças concorrentes nesse pleito eleitoral, tem marcado a campanha, sobretudo, com actividades fora da capital do país, com passeatas e actos de massas.

O partido de Quintino Moreira defende a construção de três cidades, designadamente a capital económica (junção de Luanda e Bengo), política no centro do país e turística no Namibe, para  permitir o desenvolvimento sustentável de Angola.  

No seu programa de governo, defende ainda a criação do "ondjango dos sábios", espaço específico em que são discutidos problemas das comunidades, além da melhoria das condições nos sectores da educação e saúde.

A construção de residências para jovens e a redução dos preços das habitações nas centralidades é outra mensagem que o partido tem transmitido ao eleitor, na esperança de conseguir votos, vencer o pleito ou, na pior das hipóteses, conseguir lugares na futura composição do Parlamento.

Os dados estão lançados e cada partido, ao seu jeito, com as suas forças e estratégias, procura consolidar a base de eleitores e convencer os indecisos, numa corrida que se antevê renhida até ao último dia da campanha.

Cabe agora ao eleitor, dentro do civismo e sentido patriótico, de forma ordeira e disciplinada, escolher o candidato com o melhor programa de governo. A esse respeito, não se deve descurar os constantes apelos da sociedade civil, com destaque para as igrejas, para a preservação da paz no país.

Assuntos Eleições   Política  

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