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19 Março de 2019 | 18h26 - Actualizado em 19 Março de 2019 | 19h21

Celeste de Brito pode ter falsificado documento do Vice-PR

Luanda - A ex-directora do Gabinete Jurídico da extinta UTIP, Sílvia Fernando, afirmou hoje, em tribunal, que Celeste de Brito apresentou-lhe uma carta de chamada supostamente subscrita pelo Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, um facto negado pela segunda no caso "Burla Tailandesa".

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Sala de julgamento do Tribunal Supremo

Foto: Alberto Julião

Segundo Sílvia Fernando, arrolada no processo como testemunha, a pedido do Ministério Público (MP), a aludida missiva foi-lhe apresentada no primeiro encontro que manteve na UTIP com a ré Celeste de Brito.

Tratou-se de um encontro em que Celeste de Brito informou sobre a intenção dos tailandeses investirem no país.

Este facto contradiz com as declarações de Celeste de Brito proferidas na sessão de julgamento de 30 de Janeiro, em que negou ter falsificado tal documento.

Caso se confirme, a ré Celeste de Brito poderá ser condenada pelo tribunal do crimes de falsificação de documentos, além da burla por defraudação, associação de malfeitores e branqueamento de capitais.

De acordo a acusação do MP, na altura, ao forjar a assinatura do Vice-Presidente da República, Celeste de Brito, de 46 anos, pretendia facilitar a imigração ilegal dos tailandeses detentores da empresa Centennial Energy Company, Limited, que supostamente investiriam em projectos sociais no valor e USD 50 mil milhões.

Ao se justificar durante a audição de 30 de Janeiro, Celeste de Brito disse que apercebeu-se do documento depois de ser afastada das negociações para o investimento por altas patentes das Forças Armadas Angolanas (FAA) e responsáveis da Unidade Técnica para Investimento Privado (UTIP).

Entretanto, além deste documento citado nas folhas 230 dos autos, Silvia Fernando aferiu que no mesmo encontro, a ré apresentou uma cópia do cheque de USD 50 mil milhões e uma carta em que o grupo tailandês manifestava a intenção de investir em Angola.

A antiga directora jurídica da UTIP, depois de ter sido confrontada com o documento, em tribunal, confirmou o conteúdo da missiva.

Duramte a 24ª sessão de julgamento realizada hoje, Sílvia Fernando afirmou que no segundo encontro de formalização do acordo de intenção para tramitação do processo, Celeste de Brito já não apresentou a suposta carta, enviando somente a cópia do cheque de USD 50 mil milhões e a carta da intenção dos tailandeses para investirem em Angola.

O caso Burla Tailandesa, em que 10 réus são acusados de tentativa de Burla ao Estado angolano em USD 50 mil milhões, já leva 62 dias, entrando na fase da audição de testemunhas, tendo sido ouvidas, hoje, duas (outro é o antigo consultor jurídico da UTIP, Eusébio Américo Sapalo) restando para os próximos dias o interrogatório dos últimos sete.

Assuntos Política   Tribunal Supremo  

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