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21 Março de 2019 | 18h48 - Actualizado em 21 Março de 2019 | 20h12

Especialista alerta para perigo das Fake News

Luanda - As primeiras eleições autárquicas em Angola, previstas para 2020, poderão ser "uma porta de entrada" para a divulgação em massa de falsas notícias nas redes sociais, advertiu, nesta quinta-feira, o consultor brasileiro Wellington Calasans de Lima.

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Consultor brasileiro Wellington Calasan de Lima

Foto: Alberto Juliao

Ao dissertar o tema "Redes sociais e eleições: O caso dos EUA e do Brasil", na Conferência Internacional sobre os Desafios da Comunicação Social Angolana, disse que essa situação se verificou nas últimas eleições americanas e brasileiras, ganhas por Donald Trump e Jair Bolsonaro.

Segundo o especialista, muitos políticos usam as redes sociais para enganar pessoas distraídas ou pouco instruídas, prática que cresce no mundo em época de eleições.

Para contrapor esse facto, sugeriu um maior investimento tecnológico, acções de formação permanente dos jornalistas e a adopção de legislação forte em Angola, para que a imprensa dê um salto qualitativo na prestação do serviço público de informação.

"As mentiras confortáveis atraem muito mais do que as verdades. Para combater essa situação, é urgente despertar o serviço público de informação para a necessidade de melhorar o seu trabalho, investindo no capital humano", comentou.

A problemática das Fake News tem merecido particular atenção das autoridades angolanas, que procuram, com novos mecanismos de regulação, como o Código Penal aprovado este ano, atenuar os efeitos negativos desses falsos conteúdos na sociedade.

A esse respeito, o académico angolano José Octávio Serra Van-Dúnem afirmou que a melhor forma de combater as falsas informações, nas redes sociais, é apostar na educação dos cidadãos e aprimorar a cultura de verificação dos factos, pelos jornalistas.

Ao dissertar o tema "O advento da pós-verdade e das Fake News", disse que isso permite uma escolha consciente de tudo que se consome nas redes sociais.

Para José Octávio Serra Van-Dúnem, as empresas de comunicação devem ser fortes e dispor de bons jornalistas, para que as notícias falsas não superem as verdadeiras.

Além da verificação das fontes e da confirmação dos factos difundidos nas redes sociais, encorajou os jornalistas a analisarem as fotografias e a estrutura dos textos, recorrendo a especialistas, quando necessário, para não publicarem notícias falsas.

Por sua vez, a directora executiva do Diário de Noticias de Portugal, Catarina Tavares de Carvalho, disse que o "jornalismo está em crise e em risco devido as redes sociais, mas há esperança porque as pessoas querem e precisam de saber a verdade, com rigor.

“O jornalista não deve deixar de ser jornalista nas redes sociais, porque jornalismo tem regras. Há que ter responsabilidade pelo que se diz nestes canais e se tiver dúvida não publique nada”, expressou a profissional, quando dissertava sobre o tema “Comportamento dos jornalistas nas redes sociais”.

A Conferência Internacional sobre os Desafios da Comunicação Social Angolana é promovida pelo Ministério da Comunicação Social e conta com a participação de profissionais de Angola, Portugal, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Estados Unidos e Reino Unido.

O evento, que termina ao final da tarde de hoje, está dividido em quatro painéis: Comunicação, Democracia e Regulação; Redes Sociais Factor ou Ameaça à Democracia; Experiências Internacionais do Domínio da Imprensa Pública, e Como Fomentar a Imprensa Privada, Local e Comunitária.

Assuntos Angola  

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