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26 Junho de 2019 | 19h56 - Actualizado em 26 Junho de 2019 | 20h06

Caso CNC: Ex-gestor admite recebimento de "gratificações"

Luanda - O ex-director-geral adjunto para área Técnica do Conselho Nacional de Carregadores (CNC), Rui Manuel Moita, admitiu hoje (quarta-feira), em tribunal, ter recebido cerca de 43 mil dólares norte-americanos (USD) da empresa BB Comercial, como "gratificação".

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Caso CNC: Vista da sala do Tribunal Supremo (ARQUIVO)

Foto: Alberto Juliao

Durante o seu primeiro interrogatório à instância do juiz relator do julgamento do conhecido “caso CNC”, que decorre no Tribunal Supremo, informou que soube dos valores apenas quando solicitou o relatório de movimentação das suas bancárias no BAI e BNI (Banco Africano de Investimento e  Banco de Negócios Internacionais).

Em tribunal,  Rui Moita assumiu ter recebido, igualmente, gratificações das empresas Xiang Cun Bu, Polida da Silva, Afroeng e Gilviso.

Alegou, no entanto, que os depósitos bancários das referidas empresas foram feitos sem o seu conhecimento.

Questionado pelo juiz como soube do dinheiro transferido para a sua conta, o réu afirmou ter sido por via de extractos bancários, ressaltando que na altura não fixou a quantia monetária.

Além das anteriores “bonificações”, o ex-gestor confirmou ter sido, igualmente, “agraciado”, com valor em dinheiro, pela empresa Real Imobiliária.

O arguido alegou que o dinheiro, cujo montante não especificou, foi transferido para a sua conta bancária pelo ex-director adjunto do CNC para área Administrativa e Financeira, Eurico Pereira da Silva, a mando do ex-director geral, Francisco Itembo, actualmente foragido.

Relativamente à  “oferta”, disse ter achado estranho, daí ter contactado o então director (Francisco Itembo), a fim de saber da proveniência e a razão da transferência dos referidos valores monetários.

Segundo o réu, Francisco Itembo (foragido) afirmou, na altura, que se tratava de uma oferta que decidiu partilhar com os então colegas (Eurico da Silva e Rui Moita).

Sustentou que o processo de “gratificações” continuou mesmo após a exoneração do ex-director-geral do CNC, Francisco Itembo, que foi substituído no cargo pela ré Isabel Bragança, segundo informações que diz ter recebido de Eurico da Silva.

Perante o jurado, Rui Moita referiu que mantinha uma relação fria com Francisco Itembo e de “fricções” com Isabel Bragança.

O julgamento do caso CNC envolve o antigo ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás, e quatro ex-dirigentes do Conselho Nacional de Carregadores (Manuel Paulo, Isabel Bragança, Rui Moita e Eurico Pereira da Silva).

Bolsa de estudos para sobrinha

O réu admitiu também ter beneficiado uma sobrinha sua com uma bolsa de estudos, no quadro do programa criado pelo CNC.

Rui Moita volta a ser ouvido quinta-feira (27) à instância do Ministério Público e depois pelos advogados.

O julgamento do caso CNC envolve o antigo ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás, e quatro ex-dirigentes do Conselho Nacional de Carregadores (Manuel Paulo, Isabel Bragança, Rui Moita e Eurico Pereira da Silva).

Rui Manuel Moita é penúltimo réu do processo sob o número 002/19 (designado caso CNC), no qual são acusados de crimes de peculato, violação de normas de execução de orçamento, branqueamento de capitais e abuso de poder na forma continuada

Assuntos Justiça  

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