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18 Agosto de 2019 | 13h54 - Actualizado em 18 Agosto de 2019 | 17h50

Governo angolano demove refugiados da RDcongo de abandonarem Lóvua

Dundo - As autoridades angolanas estão a fazer tudo em apoio aos refugiados da vizinha República do Congo estabelecidos em território angolano, que, unilateralmente, decidiram abandonar o campo em que se encontravam alojados, anunciou este domingo fonte próxima do processo.

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REFUGIADOS CONGOLESES EM ANGOLA MANIFESTAM DESEJO DE REGRESSO AO SEU PAÍS

Foto: HÉLDER DIAS/ARQUIVO

Oito mil dos cerca de 23 mil e 600 refugiados estabelecidos no Lóvua, 150 quilómetros da cidade do Dundo, sede provincial, decidiu, sábado, rumar, a pé, em direcção ao centro político e administrativo da província.

Da cidade do Dundo, os refugiados partiriam, igualmente a pé, em direcção à fronteira com a República Democrática do Congo, num percurso entre mais 80 a 90 quilómetros.

Segundo a mesma fonte, o Governo angolano está a “tentar negociar” com os refugiados que ainda se encontram no local de acolhimento, contabilizados em mais de 90 por cento do total.

É intenção governamental demover os refugiados do regresso ao seu país sem que sejam criadas as mínimas condições logísticas de apoio à operação.

De resto, de cordo com a fonte da ANGOP, esta é a “recomendação” das partes envolvidas no processo, designadamente os governos de Angola e da RDC, e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Essas condições passam pela criação de condições mínimas de transporte, água e alimentos, de acordo, ainda, com a mesma fonte.

A tensão em torno do assunto subiu de tom, uma vez que as autoridades da República Democrática do Congo continuam sem a concretização do seu compromisso público e oficial, em termos da recepção oficial dos mais de 20 mil refugiados congoleses estabelecidos em território angolano, mais precisamente no campo de Lóvua.

No dia 29 de Julho último,  o Governo da República Democrática do Congo, na pessoa do governador da província do Kassai Central (RDC), Martin Mulamba, garantiu ter as condições criadas para acolher os cidadãos congoleses refugiados na localidade de Lóvua (Angola), desde Maio de 2017.

Nessa altura, o governante congolês esteve em Angola para uma visita de trabalho de três dias, com a finalidade de tratar com as autoridades angolanas o processo de repatriamento dos refugiados da RDC.

No final de um encontro que manteve com o governador da Lunda Norte, Ernesto Muangala, o visitante desmentiu à imprensa serem as alegações de que a RDC não oferece condições de segurança para acolher os mais de 20 mil refugiados assentados no acampamento do Lóvua.

“O Congo tem condições para receber os nossos filhos a qualquer momento. Por isso, viemos para (tentar) encontrar soluções urgentes e acelerar a reunião tripartida entre os governos de Angola e da RDC e o Alto Comissariado das Nações Unidades”, frisou.

Segundo Martin Mulamba, os motivos da saída dos cidadãos congoleses do seu país estão ultrapassados, pelo que já podem regressar, para contribuírem para o desenvolvimento do seu território.

A migração dos cidadãos congoleses para Angola derivou da violência extrema e generalizada, causada por tensões políticas e étnicas na RDC, em 2017.

Assuntos Angola   RDCongo   Refugiados  

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