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21 Outubro de 2019 | 15h24 - Actualizado em 21 Outubro de 2019 | 19h56

Rússia e África discutem estratégia em Sochi

Sochi (Dos enviados especiais) - Líderes de pelo menos 50 países africanos são esperados a partir de hoje (21), em Sochi, para participar, de 23 a 24 deste mês, na Cimeira África-Rússia.

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Russia: um recanto de Sochi

Foto: Carlos Matias

Russia: uma artéria da cidade de Sochi

Foto: Carlos Matias

Trata-se de uma importante reunião para reavaliar a estratégia de cooperação entre os governos de África e as autoridades russas, que pretendem, com esse evento, construir novas alianças e reafirmar a sua influência no "continente berço".

A Cimeira visa destacar a expansão da cooperação política, económica, técnica e cultural entre  África e a Rússia.

Neste encontro, em que Angola se fará representar por uma delegação governamental chefiada pelo Presidente da República, João Lourenço, a Rússia procura reviver os relacionamentos da era soviética e reforçar a sua influência global.

Prevê-se que além dos líderes de Estados tradicionalmente parceiros deste país europeu, como Angola e Etiópia, estejam na Cimeira outros governos cuja relação com a Rússia tem sido menos intensa, como da Nigéria e do Ghana.

Segundo as autoridades russas, esta será a primeira Cimeira desse nível na história das relações russo-africanas, pelo que se espera pela presença de chefes de todos os estados de África, e de líderes das principais associações e organizações sub-regionais.

Esse formato de evento internacional já foi realizado pela China, pelos EUA, pela UE, Índia, França, Turquia, Coreia do Sul e pelo Japão.

O Presidente egípcio e líder da União Africana (UA), Abdel Fattah Al-Sisi, será o co-presidente da Cimeira, a pedido de Vladimir Putin, Presidente da Rússia.

Durante as reuniões plenárias da Cimeira, pretende-se discutir uma vasta gama de questões da agenda internacional, de maior interesse para a Rússia e os países africanos.

A Cimeira dará atenção especial ao estado e as perspectivas das relações da Rússia com os estados do continente africano, passando em revista o desenvolvimento da cooperação nos domínios político, económico, humanitário e cultural.

As partes vão tentar, no encontro, procurar formas de desenvolvimento acelerado e sistémico de todo o conjunto da cooperação russo-africana.

Para tal, está prevista uma troca de opiniões aprofundada sobre a elaboração de medidas acordadas para combater o terrorismo, a criminalidade transfronteiriça, entre outros desafios, como as ameaças à segurança regional e global.

Com base nos resultados da Cimeira, prevê-se a aprovação de um documento conjunto.

"É uma chance de reviver os relacionamentos da era soviética e construir novas alianças, reforçando a influência global de Moscovo diante do confronto com o Ocidente", escreve Vladimir Putin, no site oficial da organização.

A ideia de realizar a primeira Cúpula Rússia-África foi iniciada pelo presidente russo, à margem da cúpula do BRICS, em Joanesburgo, em julho de 2018.

Mas a decisão foi precedida por um longo processo de negociações que levou cerca de 10 anos.

A reunião deste ano surge num contexto favorável para os africanos e para a Rússia, que mostra interesse em formar novas alianças internacionais, tendo como parceiro estratégico África, uma das regiões económicas em desenvolvimento mais rápido do mundo.

Fórum Económico

À margem da Cimeira, decorrerá, também em Sochi, um Fórum Económico com a presença de líderes africanos e russos, e representantes de grandes empresas, em que se prevê a assinatura de acordos comerciais, econômicos e de investimento.

Segundo a organização, espera-se pela assinatura de um pacote significativo de acordos nos domínios do comércio, economia e investimento.

O governo russo, que ainda não revelou o nome das empresas convidadas, diz esperar por quase três mil empresários africanos para participar deste evento.

O Fórum Económico incluirá uma sessão plenária, várias mesas-redondas e painéis de discussão, além de uma plataforma para reuniões de negócios.

Trata-se de uma plataforma comercial para viabilizar a criação de condições mais favoráveis para o desenvolvimento das relações comerciais e econômicas entre a Rússia e África, além de permitir diversificar as formas e direcções da cooperação.

O evento contará com a presença de chefes de estado africanos, representantes de empresas russas, africanas e internacionais, além de agências governamentais e representantes de associações de integração do continente africano.

No âmbito do Fórum Económico Rússia-África, será organizada uma exposição, com a participação dos parceiros e vários expositores.

O evento será uma plataforma chave para demonstrar os êxitos e as potencialidades nas esferas da economia, ciência, cultura e protecção do meio-ambiente.

Os expositores apresentarão projectos marcantes e as tecnologias avançadas nas indústrias de mineração, química e de construção de máquinas, no sector de energia, agricultura, transportes, na esfera de saúde, além do militar-industrial.

A amostra deve abarcar outras áreas de interesse para os investidores e para o desenvolvimento do potencial de exportação da Rússia e dos países de África.

As perspectivas e os formatos da cooperação russo-africana na esfera da indústria serão discutidos pelos participantes do Fórum Económico Rússia-África.

O foco está nos pontos de crescimento, projectos conjuntos de longo prazo e zonas económicas, que são exemplos de localização eficaz da produção.

Uma das formas mais promissoras de cooperação entre a Rússia e África pode ser o trabalho no âmbito das zonas económicas, uma vez que as cadeias produtivas modernas sofrem alterações, fazendo a produção ficar cada vez mais perto dos consumidores finais.

Os especialistas do Fórum discutirão essas e outras questões a 23 de Outubro no painel de discussão "Rússia-África: novos formatos de cooperação. Possibilidades de zonas econômicas especiais no exemplo do projecto da zona industrial russa no Egipto.

Terão de avaliar as condições para implantar "pontos de entrada" na infra-estrutura, isto é, regimes preferenciais nas zonas económicas especiais (livres) em que se produzem produtos competitivos e de alta tecnologia e qualidade.

Os participantes do Fórum discutirão oportunidades de cooperação na utilização dos recursos minerais, na sessão "Geologia Russa em África: Património e um Olhar para o Futuro", que será realizada como parte do programa de negócios em 24 de Outubro.

A discussão contará com a presença de Dmitry Kobylkin, ministro dos Recursos Naturais e Meio-Ambiente da Rússia; Diamantino Azevedo, ministro dos Recursos Minerais e Petróleo de Angola; e Adil Ali Ibrahim, ministro de Energia e Mineração do Sudão.

África é rica em minerais e detém o primeiro lugar no mundo no tocante às reservas de manganês, cromita, bauxita, ouro, platina, cobalto, diamantes, fosforitas, além de importantes depósitos de petróleo, gás natural, grafite e amianto.

Entretanto, essas riquezas ainda não foram muito estudadas e, para aproveitar os recursos naturais, os países precisam de sérios conhecimentos teóricos e práticos nesta área, sendo este um importante domínio de cooperação com a Rússia.

Com efeito, as empresas russas têm uma experiência excepcional de exploração geológica e podem fornecer assistência inestimável aos seus parceiros africanos.

Festival de gastronomia

À margem do Fórum Económico, está também agendado um festival gastronómico "Discover Russian Cuisine", com eventos de degustação e demonstração, que decorrerá também em Sochi, de 23 a 24 de Outubro.

O festival demonstrará aos convidados e participantes do Fórum toda a variedade da cultura gastronómica da Rússia e as suas especialidades regionais.

Uma equipa dos melhores cozinheiros-mestres russos e estrangeiros mostrará a diversificada culinária russa, combinando produtos locais e gostos tradicionais com modernas tecnologias culinárias.

Cozinheiros famosos demonstrarão as suas habilidades no formato da mesa de "chef’s table" e "master classes" abertas.

O programa inclui a apresentação gastronómica "Histórias do Mar Negro", demonstrada por Andrei Savenkov e Artur Vidins, uma exibição franco-belga dos mestres da gastronomia Michel Lenz e Roland Debus, e uma apresentação requintada do chef russo Nikita Prikhodko.

Nos dias do Fórum, Sochi receberá mais de três mil convidados de 50 países africanos, muitos deles visitarão este país pela primeira vez, pelo que, durante o evento, serão realizadas degustações de bebidas e apresentações de pratos russos exclusivos, feitos com produtos nacionais em empresas russas.

A propósito da Cimeira e do Fórum Económico, o porta-voz de Vladimir Putin, Dmitry Peskov, afirmou recentemente que a Rússia sempre esteve presente em África, sublinhando ser um continente muito importante no quadro da estratégia externa da Rússia.

"A Rússia tem coisas a oferecer em termos de cooperação mutuamente benéfica para os países africanos", declarou, antes do começo dessa importante Cimeira.

Já o Presidente do Egipto e da União Africana, Abdel Fattah Al-Sisi, enfatiza numa mensagem de saudação aos participantes, que é o primeiro evento do género durante o actual período de grandes transformações globais e internacionais.

Observa que os países africanos têm um enorme potencial e oportunidades que, com a optimização, lhes permitirão tornar-se numa das potências económicas emergentes.

Na última década, África conseguiu avanços no que diz respeito ao crescimento, que chegou a 3,55 por cento em 2018.

Na Cimeira da União Africana no Níger, em Julho de 2019, entrou em vigor o Acordo Continental Africano de Livre Comércio, incluindo o lançamento de respectivas ferramentas.

Assuntos Angola   Cooperação   Rússia   África  

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