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19 Janeiro de 2020 | 21h48 - Actualizado em 19 Janeiro de 2020 | 21h47

Reino Unido/África: uma nova parceria

Londres (Do enviado especial) - O Reino Unido inicia, na próxima segunda-feira (20), um novo capítulo da sua diplomacia económica, centrando as atenções no continente africano, um dos mercados privilegiados do país europeu para o período pós-Brexit.

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Mapa de África

Foto: Divulgação

Bandeira do Reino unido

Foto: Francisco Miúdo

Com a quase consumada saída do bloco europeu (União Europeia - UE), a partir de 31 de Janeiro, os britânicos lançam um novo olhar aos parceiros africanos, com quem contam trabalhar, intensamente, na identificação de novas áreas de investimento.

O primeiro passo dessa nova parceria estratégica será a concretização da Cimeira de Investimento Reino Unido-África (na segunda-feira), que deverá contar com a participação de ilustres líderes políticos (entre os quais Chefes de Estado) e empresários africanos.

Trata-se de um evento que o governo britânico reputa de extrema importância, que permitirá discutir os próximos passos nas relações entre o continente e o Reino Unido,  aumentando a capacidade de intervenção e de investimento desse país em África.

Na verdade, pretende-se, como a Cimeira, mostrar exemplos das mais de duas mil empresas britânicas que operam em África, cujo investimento é estimado em 36 mil milhões de libras (42 mil milhões de euros), para promover oportunidades e parcerias.

A Cúpula de Londres é vista como meio de trampolim para maiores investimentos do Reino Unido em África e para o início de um relacionamento efectivo com os governos africanos, tendo em vista os futuros desafios da nova fase política e económica do país fora da UE.

Com essa realização, o Governo britânico quer fazer do país o maior investidor estrangeiro em África, até 2022, e superar outros membros do G7, grupo que inclui também Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Estados Unidos da América.

Dados do Governo britânico indicam que o investimento estrangeiro directo do Reino Unido no continente africano foi de aproximadamente 39 biliões de libras, em 2018.

Para dar uma ideia do novo interesse britânico por África, o CDC, a Instituição Financeira de Desenvolvimento do Reino Unido, pretende realizar, até 2022, um investimento de até US$ 2 biliões em novos negócios no "continente berço".

Segundo os números, desde 2002 o Grupo de Desenvolvimento de Infra-estrutura Privado do Reino Unido investiu mais de US$ 1,95 bilião em 146 projetos de infra-estrutura em África.  

Actualmente, existem mais países africanos com ações listadas e negociadas em Londres do que em qualquer outra bolsa de valores internacional.

Só o Departamento de Comércio Internacional (DIT) da África, do governo do Reino Unido, tem mais de 100 funcionários em 23 Estados africanos, o que representa um aumento de quase 20 por cento no pessoal instalado na região, desde 2018.

Nos últimos 12 meses, o comércio entre a África e o Reino Unido aumentou 7,7 por cento e hoje vale quase 34,2 biliões, de acordo com dados do governo do Reino Unido.

Além de apoiar empresas britânicas que exportam ou investem na África, o DIT concentra-se no ambiente de negócios e isso inclui acordos comerciais e acesso ao mercado.  

A instituição opera em todos os sectores, mas concentra-se principalmente em infra-estrutura, petróleo e gás, mineração, agronegócio, defesa e segurança, energia renovável, serviços financeiros e profissionais, saúde, educação e habilidades.

Será com esses números que o Reino Unido vai procurar aproximar-se, a partir de segunda-feira, dos líderes africanos, para identificar novas fontes de financiamento, numa Cimeira que deverá contar com a participação de uma delegação ministerial angolana.

À margem da Cimeira, os participantes serão brindados com vários eventos ligados à energia limpa, infra-estrutura sustentável e ao agronegócio.

É pretensão do Governo do Reino Unido apoiar a cidade de Londres para mobilizar biliões de libras de investimento para transformar a África, de acordo com um anúncio do secretário de Desenvolvimento Internacional, Alok Sharma, feito sexta-feira (17).

De acordo com o governante, mais empresas africanas estão listadas na Bolsa de Londres do que qualquer outro centro financeiro fora do continente.

Sublinhou, entretanto, que os activos africanos ainda representam apenas cerca de 1 por cento do total de investimentos gerenciados pela cidade.

Com esses anúncios, o governo britânico pretende captar mais dinheiro de investidores privados, como fundos de pensão, a entrar em África, tornando mais fácil, rápido e seguro o investimento.

No quadro da nova parceria com África, pretende-se garantir que o dinheiro seja direccionado directamente para apoiar o desenvolvimento verde e sustentável.

Para tal, três novas iniciativas, apoiadas por quase 400 milhões de libras em apoio à ajuda do Reino Unido, estão a ser equacionadas.

Uma dela visa dar suporte extra à Plataforma de Aprofundamento do Sector Financeiro do Reino Unido, que melhorará os sistemas e regulamentos financeiros de 45 países em desenvolvimento na África, para aumentar a confiança dos investidores internacionais.

Pretende-se liderar o caminho para impulsionar produtos financeiros ecológicos e melhorar o acesso a contas e empréstimos bancários para empreendedores africanos.  

Outra iniciativa será a colaboração com a cidade de Londres em uma competição para os gestores de fundos identificarem novos produtos de investimento para a África, que podem ser listados em grandes bolsas de valores como Londres, tornando mais fácil e atraente para investidores globais investir dinheiro em projetos africanos em escala.  

Segundo as autoridades do Reino Unido, isso ajudará os africanos a planejar melhor e investir no futuro do continente, que enfrenta grandes desafios, como instabilidade política e militar em algumas regiões, bem como falta de infra-estruturas.

Na visão do secretário de Desenvolvimento Internacional, Alok Sharma, "o potencial de investimento substancial da África é claro, com muitos países africanos a superarem o crescimento econômico global nas últimas décadas".

"O Reino Unido já é a principal bolsa financeira para os negócios da África e queremos que os investidores aproveitem as oportunidades que a África oferece", disse.

Do seu ponto de vista, essas novas iniciativas, anunciadas antes da Cúpula de Londres, tornarão mais fácil, mais verde e mais seguro investir na África, mobilizando biliões de libras de investimento sustentável para ajudar a acabar com a pobreza.  

Assuntos Angola   Investimentos  

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