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07 Maio de 2019 | 16h04 - Actualizado em 07 Maio de 2019 | 16h30

Obras no troço Lobito/Culango "perto" do fim

Lobito - Os automobilistas que circulam na Estrada Nacional (EN100), entre Culango e Lobito, província de Benguela, poderão "suspirar de alívio", a partir de Junho, caso a construtora chinesa Sinomach conclua a asfaltagem de 39.1 quilómetros do troço.

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Camionista Paulo Pedrosa

Foto: Joaquim Tomás

Obras na estrada nacional 100

Foto: Joaquim Tomás

A empreitada, que se iniciou há dois anos, está orçada em 27 USD milhões, 513 mil e 724. Vem responder as inquietações dos automobilistas, tendo em conta o estado de

degradação do pavimento betuminoso, provocado pelo elevado tráfego.

Dos 39.1 quilómetros previstos, 18 já foram asfaltados. Neste momento, estão executados 21 km de base e 26 km de sub-base.

A previsão da Sinomach, segundo o seu responsável, Yang Shi Bão, é concluir a camada de asfalto dos 21.1 quilómetros restantes até ao mês de Junho.

A camada asfáltica prevista é de cinco centímetros de espessura, sendo que, depois de concluída, a estrada terá nove metros de largura (3.50 m por cada faixa de rodagem, 50 cm para circulação de motocicletas e 0,5m em cada berma para peões). O empreiteiro afirma que a estrada terá durabilidade “não inferior a 10 anos”.

No troço rodoviário em causa, estão programadas 76 passagens hidráulicas, sendo

que 65 já foram executadas, segundo Yang Shi Bão. Por agora, estão envolvidos 60 angolanos e 35 chineses na empreitada do lote seis.

Porém, as intervenções da Sinomach não ficam por aqui. O representante do empreiteiro chinês enumera, ainda, o lote número cinco, entre o Culango e a localidade do Eval Guerra, passando pela comuna da Canjala.

Dos 62,9 quilómetros da ponte sobre o rio Eval à ponte sobre o rio Culango (orçada em USD 36 milhões, 776 mil e 96), 12 quilómetros de estrada, dos 15,5 quilómetros sob responsabilidade da Sinomach, já estão asfaltados.

De momento, a camada de base e sub-base foram executadas para receber os restantes três quilómetros de tapete asfáltico. Apesar da conclusão do trabalho estar prevista para este mês, o prazo de entrega da obra está a depender do pagamento do contrato.

Segundo o empreiteiro, o lote cinco tem já 35 passagens hidráulicas, das 44 previstas no seguimento da obra de reabilitação, em que estão envolvidos 35 angolanos recrutados localmente e 24 chineses.

Yang Shi Bão garante que os trabalhos de terraplanagem já foram concluídos, pelo que as intervenções, neste momento, estão concentradas na asfaltagem dos troços restantes, quer do lote seis, quer do lote cinco.

Os troços que abrangem o rio Culango/Lobito (39,1 km) e a ponte sobre o rio Eval/ponte sobre o rio Culango (62, 9 km) fazem parte dos 430 quilómetros de estrada entre as províncias de Benguela e Luanda.

Começaram a ser recuperadas em Setembro de 2016, numa empreitada financiada pelo plano operacional da linha de crédito da China, inicialmente com duração de 14 meses.

Enquadrada no programa de reabilitação da rede rodoviária primária nacional, sob a égide do Ministério da Construção e Obras Públicas, o projecto contempla 250 km de extensão no percurso Cabo Ledo/rio Keve/ Sumbe e 180 no troço Sumbe/ Lobito.

As intervenções foram repartidas entre vários lotes, nomeadamente Cabo Ledo/ ponte do rio Longa, numa extensão de 75,2km, a cargo da construtora chinesa Qingjian Group, no valor de 35,4 milhões de dólares, assim como ponte sobre o rio Longa/rio Keve, com 92,7 km, rio Keve/ Sumbe, Sumbe/ponte sobre o rio Eval (78,2).

O custo ronda USD 58,4 milhões, responsabilidade da empreiteira chinesa Sinohydro.

Pagamento lento

Apesar do optimismo do empreiteiro, o atraso dos pagamentos constitui preocupação para o engenheiro chinês Yang Shi Bão, na medida em que gera morosidade na execução. Além disso, o mesmo queixa-se do alto preço do asfalto no mercado local.

Segundo Yang Shi Bão, o preço de uma tonelada de asfalto, inicialmente acordado com o dono da obra (Ministério da Construção e Obras Públicas), era de 170 mil kwanzas.

Entretanto, refere, o valor neste momento subiu para 400 mil kwanzas, na Angobetumes, o que está a criar constrangimentos.

Por agora, estão a ser empregues na obra 34 equipamentos diversos, nomeadamente camiões basculantes, cilindros, espalhadores de asfalto e retroescavadoras.

Até ao momento, não houve nenhum acidente de trabalho. Yang Shi Bão diz que a empresa cumpre os procedimentos de segurança dos trabalhadores.

Além de Angola, a Sinomach já asfaltou estradas, entre outros países, em Moçambique, Namíbia, Paquistão e Ucrânia.

Morosidade preocupa

As obras de requalificação e manutenção dos 430 quilómetros de estradas do troço Cabo Ledo (Luanda) e Lobito (Benguela) são uma aposta do governo no desenvolvimento do país, disse o director interino dos Serviços Provinciais de Benguela do Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA). 

Não obstante a sua importância, o gestor mostra-se apreensivo com a morosidade na execução do projecto, que deveria ser concluído 14 meses após o seu lançamento, em Agosto de 2016, mas ainda continua.

Domingos Cipriano não tem dúvidas de que a Estrada Nacional EN100 é muito importante, na medida em que cria um corredor rodoviário de Norte a Sul do país e permite a circulação de pessoas e bens de primeira necessidade para criação de riqueza.

Todavia, lamenta as dificuldades financeiras decorrentes da crise económica que o país vive, como factor de bloqueio à conclusão dentro dos prazos inicialmente acordados.

No fundo, o responsável vê na infra-estrutura rodoviária a porta de entrada, a partir do Sul para a região Norte de Angola, por onde passam centenas de camiões carregados com mercadoria diversa provenientes, sobretudo, da África do Sul e Namíbia.

Sobre os 102 quilómetros, subdivididos entre os lotes seis e cinco, da parte de Benguela, Domingos Cipriano situa em 73 porcento o nível de execução de toda a obra e reforça que o troço Culango/Lobito pode ser entregue até Agosto ou mesmo antes.

Após a reabilitação, a plataforma da estrada estará mais larga, com nove metros de largura, contra os anteriores oito, diz o responsável, que também associa a Estrada Nacional EN100 ao turismo interno, que nos últimos tempos sofreu uma redução significativa depois que muitos turistas nacionais deixaram de circular pela via.

Porém, frisou que uma auto-estrada entre Benguela-Luanda seria ideal face ao elevado tráfego de viaturas pesadas e autocarros vocacionados aos transportes inter-provinciais.

Atraso provoca prejuízos

O estado actual da estrada está a causar enormes constrangimentos aos automobilistas e a mobilidade das viaturas torna-se cada vez mais difícil, devido a demora do trajecto alternativo para atingir os dois pontos da EN100.

Ermelinda Bento Cangombe, técnica do sector do Comércio, Hotelaria e Turismo, diz que o movimento de pessoas por esta via diminuiu drasticamente, afectando a rede hoteleira, em relação ao ano passado, embora não tenha avançado dados estatísticos.

Já os camionistas, entrevistados pela Angop, no Culango, queixam-se do estado da estrada e por serem obrigados a andar a 20 quilómetros a hora nas picadas e 80 km no asfalto, situação que se reflecte no cumprimento dos prazos de entrega das mercadorias.

Por isso, os homens do volante clamam pelo término da estrada.

António Marcelino, camionista, proveniente de Luanda, com destino ao Lobito, diz que leva quase um dia e meio para fazer este trajecto. Nisso, junta-se o desgaste das peças dos camiões, como é o caso dos pneus e discos de embraiagem.

Manifesta-se desgastado com este cenário, uma vez que pagou a taxa de circulação.

Já Alberto Epalanga avança que, actualmente, um pneu de camião custa no mínimo 150 mil kwanzas, e o veículo precisa de 24 unidades, incluindo os sobressalentes.

Para si, os rendimentos com os fretes não compensem muito, porque as despesas são avultadas enquanto o Estado não resolver o problema das estradas.

Para Paulo Pedrosa, que faz da camionagem o seu “ganha-pão” há 21 anos, está “duro” circular por aqui. “Pagamos taxa de circulação e as estradas não estão boas”, reivindica.

“Sair de Benguela a Luanda por estrada tornou-se um calvário, devido ao estado de degradação dos troços”, desabafa o automobilista.

Agastado com o cenário, o camionista conta que os pneus duram muito pouco e as avarias com molas são constantes. Assim, a única coisa que pede ao Governo é que se conclua rapidamente a intervenção, para melhoria da estrada.

Há três anos, Paulo fazia menos de um dia entre Lobito e Luanda. Hoje, faz um dia e meio. O maior problema, garante, é o troço Lobito/Sumbe que está péssimo e onde os automobilistas são obrigados a circular com bastante lentidão.

No mercado da Canjala, o contabilista Rui Quissua, proveniente de Luanda, pára para confortar o estômago. Surpreendido pela Angop, ele fala das peripécias em circular pela Estrada Nacional EN100 ao volante do seu Pajero e lamenta que viajar de carro - da capital do país a Benguela - tornou-se bastante moroso e cansativo.

“Estamos a fazer sete a oito horas de viagem. Antigamente, fazíamos cerca de quatro horas”, acentua, reclamando do desgaste da sua viatura. Logo a seguir, ressalta que esta obra devia merecer outra atenção, até porque a reabilitação já leva muito tempo.

Dá conta de que o troço além da ponte sobre o rio Eval, em direcção ao Sumbe, continua mal. Ainda assim, não descarta a hipótese de ter de regressar a Luanda por estrada, porque andar de carro é mais barato do que andar de avião.

Para Rui Quissua, fala-se muito de turismo interno, mas isso só vai funcionar se as vias estiverem boas. “Há muita gente que gostaria de fazer turismo pelo país, mas o estado das vias as desencoraja”, considera.

Já Ismael, camionista residente na província da Huíla e que transporta peixe do Tômbua (Namibe) para Lunda Norte, passando pela Estrada Nacional EN100, diz ter feito seis dias para chegar ao Dundo, porque há troços cheios de buracos.

Isso, conta, resulta em danos nas viaturas, podendo provocar acidentes, dadas as manobras perigosas que os automobilistas fazem.

No caso concreto da EN100, afirma que as picadas no troço Eval/Sumbe criam muitos transtornos aos automobilistas. “Quando cai chuva, os camiões ficam parados e não conseguem andar”, explica, acrescentando que é um troço que não tem mais de 50 quilómetros, mas entra lá “às seis horas e só sai às 11:30”.

Mas nem tudo está mal. Por exemplo, o troço Sumbe-Porto Amboim/Cabo Ledo está bom e asfaltado, como fez crer a fonte.

Obras retiram jovens do desemprego

As obras na Estrada Nacional EN100 abriram oportunidades de emprego para dezenas de jovens, que antes engrossavam as estatísticas do desemprego no Lobito.

É o caso de Jardel João, cujo trabalho se restringe, há dois anos, em avaliar a qualidade da obra, nomeadamente a pavimentação dos troços para detectar se há “borrachado”, um tipo de anomalia comum no pavimento.

Depois de ter trabalhado na reabilitação dos troços Benguela/Lubango, Cacula/Lubango, Mussende/Andulo, mostra-se satisfeito com a experiência que o trabalho lhe proporciona. Todavia, espera que a obra possa ganhar mais celeridade.

Assim como Jardel, António Muhinda trabalha no lote seis como operador de moto-niveladora para terraplanar o troço antes de receber asfalto. Contente com o salário que ganha, o jovem diz já ter nivelado quase 15 quilómetro de estrada.

Com o rosto coberto de poeira, João Nunda, 28 anos, conta que os chineses pagam aos jovens mil kwanzas por dia e que a chuva este ano atrapalhou os trabalhos de terraplanagem do troço Culango/Lobito.

No entanto, acredita que, pelo ritmo dos trabalhos, a Sinomach poderá terminar os três quilómetros em direcção ao Lobito até Junho.

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