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11 Outubro de 2018 | 17h40 - Actualizado em 11 Outubro de 2018 | 17h40

Psicólogos travam comportamentos suicidas na cadeia de Benguela

Lobito - Face ao risco de cometerem suicídio, vinte e cinco reclusos que cumprem pena por homicídio, violação sexual e roubo na cadeia do Cavaco, em Benguela, contam com o apoio de psicólogos do Programa Provincial de Saúde Mental, na tentativa de demovê-los dessa prática.

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Reclusos numa unidade prisional (

Foto: EStevão Manuel/arquivo

Essa informação foi avançada à Angop, hoje, no Lobito, pela supervisora provincial do Programa de Saúde Mental, Sandra Mendes, explicando que, no âmbito das acções de prevenção de suicídios, os psicólogos rastrearam em Agosto deste ano 45 presos na Penitenciária do Cavaco, dos quais 25 correm o risco de se matar. 

A estes, segundo a responsável, acrescem nove outros casos propensos ao suicídio identificados na Academia Militar do Lobito, onde os serviços de Saúde Mental também intervieram, nesse período, inquirindo um total de 58 militares.

Para ela, a intervenção profilática tanto no estabelecimento prisional de Benguela, quanto na Academia Militar do Lobito, visou identificar pessoas que evidenciam comportamentos propensos à prática de suicídio, para receberem apoio psicológico e desistirem da ideia de pôr fim à vida.

Relativamente aos factores de risco relacionados com os suicídios, a psicóloga clínica aponta não só os antecedentes familiares, mas também a depressão, a pouca autoestima, o desespero e a frustração, devido à privação da liberdade, para além dos problemas de toxicodependência.

“Normalmente, um indivíduo privado da sua liberdade pensa que já não tem futuro e que a sua vida terminou”, frisou a responsável, acentuando a ideia de que estar preso é, por si só, um factor de risco para comportamento suicida, uma situação que se agrava ainda mais com o abandono por parte de familiares ou amigos.

Daí que Sandra Mendes defenda que é preciso reforçar a intervenção do Programa de Saúde Mental nessas duas instituições: “Vamos começar a trabalhar, por meio de uma intervenção psicológica e psiquiátrica para apoiar essas vítimas de situações traumáticas”.

Afirmou, no entanto, que houve pelo menos três casos de suicídio em Benguela, todos do sexo masculino, que tinham problemas mentais e estavam sob acompanhamento dos técnicos do programa.

Psicóloga clínica de profissão, a supervisora frisou ainda que terá acontecido igualmente em Benguela, recentemente, um homicídio alegadamente cometido por um individuo vivendo com transtornos mentais.

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