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26 Janeiro de 2019 | 09h16 - Actualizado em 26 Janeiro de 2019 | 16h21

Angola regista 618 novos casos de lepra

Benguela - O secretário de Estado para Saúde Pública, José Viera Dias da Cunha, informou nesta sexta-feira, na cidade de Benguela, que o país conta com 618 novos casos de lepra, correspondente a uma taxa de detecção de 2.17 porcento por 100 mil habitantes.

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Leprosaria da Funda

Foto: Lucas Neto

Segundo o responsável, que falava em acto comemorativo do Dia Mundial da Lepra, que se assinala a 27 de Janeiro, estes números representam uma taxa de deformidade de 16.20 porcento em novos casos.

Luanda, Huambo, Malanje, Cuando Cubango, Benguela, Bengo, Bié e Moxico estão entre as províncias que registam maior incidência desta doença no país, onde os últimos dados apontam para o registo de pouco mais de mil casos.  

Explicou que o governo angolano, tendo em conta as recomendações da OMS, que tem como principal objectivo reduzir a carga da doença, está comprometido em tudo fazer para melhorar e ampliar o acesso à informação, diagnóstico precoce, tratamento gratuito e disponível desta enfermidade.

José Cunha disse, a propósito, que a distribuição de medicamentos para lepra nas unidades sanitárias em todo país é gratuita.

“O grande trabalho de combate à lepra deve ser feito por todos nós. A lepra é uma doença crónica, infecto-contagiosa, que atinge a pele em diferentes partes do corpo e os nervos, cuja magnitude e alto poder incapacitante mantém esta enfermidade como uma preocupação de saúde pública”, referiu.

Recordou que, em 2005, Angola declarou a erradicação da lepra como problema de saúde pública e que, naquela altura, a doença apresentava uma prevalência correspondente a 0,36 porcento por cada 10 mil habitantes.

José Viera dias Cunha disse que a taxa de eliminação preconizada era de 01 caso em 10.000 habitantes, mas que a tarefa ficou difícil de cumprir, uma vez que o país ficou sem apoios para o controlo da doença.

Referiu que nove anos depois da declaração desta eliminação, a OMS incluiu Angola num conjunto de 22 países mais endémicos do mundo, com alta carga de lepra em conformidade com os indicadores da doença.

Alertou a população a identificar os primeiros sinais da doença e da necessidade de se procurar a unidade sanitária mais próxima da sua residência, pois, esta atitude reduz o risco de deformidade e incapacidade, o que garante que as pessoas afectadas possam levar vidas normais com dignidade.

Até 2018, cerca de 20 mil pessoas haviam sido curadas da lepra em Angola.

A lepra é uma doença infecciosa causada pelo bacilo Mycobacterium leprae que afecta os nervos e a pele e que provoca danos severos. É uma enfermidade contagiosa, que passa de uma pessoa doente, que não esteja em tratamento, para outra.

Transmite-se por gotículas de saliva. O bacilo Mycobacterium leprae é eliminado pelo aparelho respiratório da pessoa doente na forma de aerossol durante o acto de falar, espirrar ou tossir. A contaminação se faz por via respiratória, pelas secreções nasais ou pela saliva.

É ao último domingo de Janeiro que se comemora o Dia Mundial da Lepra. Este dia foi instituído em 1954 pela ONU, a pedido de Raoul Follereau, o apóstolo dos leprosos do século XX, que um dia afirmou que "não há sonhos grandes demais".

Esta efeméride tem o objetivo de sensibilizar as pessoas para a discriminação exercida sobre os doentes com lepra, assim como promover a ajuda dos leprosos e a sua reintegração social.

Foi escolhido o último domingo de janeiro para a celebração em honra de Gandhi, falecido neste dia, que afirmou que "eliminar a lepra é o único trabalho que não consegui completar na minha vida". O objetivo mundial é continuar o seu trabalho.

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