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04 Abril de 2020 | 09h41 - Actualizado em 06 Abril de 2020 | 18h14

Covid-19: Operadores piscatórios adoptam medidas preventivas

Benguela - As empresas vocacionadas a captura, processamento e venda de pescado (pescarias), localizadas no município da Baía Farta, na província de Benguela, adoptaram já medidas preventivas de higienização contra a pandemia do coronavírus (covid-19), constatou hoje, sábado, a Angop.

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Benguela: Responsável da Pescaria "Vimar e Filhos", Jinofla Viegas

Foto: António Lourenço

Numa ronda efectuada naquela circunscrição, foi possível aferir que as diversas pescarias já adoptaram medidas de prevenção contra a pandemia do coronavírus, que abrangem os seus trabalhadores, clientes e visitantes.

Logo à entrada nestas empresas, as pessoas são obrigadas a cumprir determinados procedimentos, como a lavagem das mãos com água corrente e sabão, bem como a sua desinfestação com álcool gel.

Os trabalhadores, na sua maioria, utilizam máscaras de protecção ou luvas, independentemente de funcionarem nas áreas de produção, administrativa ou oficinas.

Outra medida imposta pelas pescarias foi a redução do pessoal em serviço e dos barcos de pesca que se fazem ao mar.

Na pescaria Vimar e Filhos, por exemplo, cerca de 400 trabalhadores (dos 600 que possui) encontram-se em casa neste momento, como medida de prevenção de propagação da doença.

Segundo Jinofla Viegas, gestora executiva da empresa, essas pessoas foram sensibilizadas sobre as razões da sua dispensa temporária e sobre os cuidados que devem observar no seu dia-a-dia.

A gestora disse que os salários do mês de Abril estão garantidos, embora tenha adiantado que os mesmos podem estar em risco, caso o Estado de Emergência vigente no país e as restrições daí decorrentes se estendam por tempo indeterminado.

“Sem captura e venda de pescado em grandes quantidades, certamente nenhuma empresa do sector estará em condições de suportar os encargos financeiros com o seu pessoal”, referiu.

Com efeito, a Vimar tem neste momento os seus barcos parados porque ainda tem algum peixe em stock, mas a partir de domingo e, no âmbito do seu plano de contingência, espera lançar ao mar dois dos seus oito barcos de pesca, com capacidade de 60 toneladas cada, para não deixar de produzir.

Entretanto, Jinofla Viegas é de opinião que o principal risco de contágio da tripulação desses barcos não está no mar, uma vez que lá, ela não tem contacto com ninguém, mas sim em terra.

“Dentro da empresa, temos todos mecanismos de biossegurança e até temos um posto médico interno, mas esses trabalhadores regressam às suas casas e aí já não temos como os controlar. Apelamos sempre ao bom senso e responsabilidade individual”, frisou.

Na pescaria Alva Fishing, o cenário é o mesmo, logo a entrada, os seguranças conduzem as pessoas para uma zona onde foram instalados alguns tanques com água corrente, para a lavagem das mãos com sabão.

Todos os funcionários escalados, antes de se dirigirem aos seus postos de trabalho, depois da desinfestação, recebem diariamente luvas e máscaras.

A força de trabalho também foi reduzida de cerca de 300 em simultâneo para os actuais 130 em cada jornada.

As três embarcações que possuem, com capacidades de 40, 30 e 20 toneladas, respectivamente, estão actualmente a trabalhar de forma intercalada, revelou David Bernarda, director executivo desta empresa.

Na mesma senda, disse que foram dispensados, preventiva e temporariamente, todos os trabalhadores com mais de 50 anos, bem como aqueles que padecem de doenças crónicas ou de risco.

As pescarias localizadas no município da Baía Farta são responsáveis pela captura de mais de 70 por cento do pescado que se consome no país, chegando mesmo a abastecer algum mercado na RD Congo.

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