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29 Maio de 2020 | 05h02 - Actualizado em 28 Maio de 2020 | 23h56

O fumo da morte

Luanda - Em dias de incertezas, face à Covid-19, todos os cuidados são poucos para salvaguardar a saúde. Todavia, há quem insista em vícios que podem degradar o corpo.

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Grozas de cigarro

Foto: Henri Celso

(Por Francisca Augusto, jornalista da ANGOP)

Pelo mundo, milhares de pessoas estão vulneráveis ao coronavírus, por padecerem de doenças crónicas ou manterem hábitos propícios para agravar a doença, entre elas, os fumadores.

Quem fuma e se deixa "seduzir" pelo cigarro nunca teve mais motivos para segurar o vício, como nesse período de pandemia mundial e de isolamento quase generalizado.

Nos dias actuais, marcados por infecções em massa de um vírus silencioso e letal, o "atraente" tabaco pode-se constituir num dos piores "inimigos" da humanidade.

Conforme especialistas em saúde, o cigarro contém substâncias nocivas ao corpo, que afectam vários órgãos, como o coração, os pulmões, o fígado e os sistemas nervoso e muscular.

A coordenadora do Departamento de Combate ao Tabaco da Direcção Nacional de Saúde Pública, Joseth Rita, alerta que o tabagismo é responsável por 90 por cento de casos de neoplasia do pulmão e 30 por cento das mortes por outros tipos de neoplasia, como boca, laringe, faringe, esófago, pâncreas, fígado, rim, bexiga e colo do útero.

O fumo, de acordo com Euclides Sacomboio, também médico de diagnóstico laboral, é absorvido por combustão, o que aumenta os males da sua composição no organismo.

Joseth Rita sublinha que o tabaco enfraquece organismo, a ponto de facilitar o agravamento dos sintomas da Covid-19, que já infectou 77 pessoas em Angola.

"Os doentes fumadores são classificados como de risco, não exactamente por adquirirem a Covid-19, mas por manifestarem formas mais graves da doença", explica.

A médica, que falava no quadro do Dia Mundial Sem-Tabaco (31 de Maio), refere que o tabagismo tem efeito imunossupressor reconhecido, tornando os fumadores mais vulneráveis às infeções respiratórias e "prezas fáceis" diante do novo coronavírus.

Conforme Euclides Sacomboio, se um fumante for infectado por esse vírus, gasta mais no seu tratamento, por ter problemas respiratórios e órgãos vitais comprometidos.

"Os pacientes tabagistas podem apresentar um quadro com maior gravidade, e o seu tratamento requer o uso do sistema de ventilação", adverte o médico.

Especialistas referem que, enquanto o tabaco mata lentamente, a Covid-19 é, em pouco tempo, letal, daí muitos países estarem a registar várias mortes em poucos dias.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que um terço da população adulta é fumante, ou seja, 1,2 biliões de pessoas, entre as quais 200 milhões de mulheres.

Em Angola, conforme a coordenadora do Departamento de Combate ao Tabaco, Joseth Rita, não existem estatísticas actualizadas para apurar o quadro do tabagismo.

Em contrapartida, aponta que, na prática clínica, são muito poucos os doentes no país que têm o hábito de fumar (felizmente), em comparação com outros países.

“Os poucos doentes são geralmente diagnosticados com as neoplasias do pulmão, seguidas da DPOC (doença pulmonar obstrutiva crónica)”, refere.

Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), dos anos 2015/2016, dão conta que a grande maioria dos homens e mulheres angolanos não fumam, numa escala de 86 por cento e 98, respectivamente.

Entre os fumadores, indicam os números oficiais do INE, nove por cento dos homens e um por cento das mulheres fumam diariamente.

A percentagem da população fumante, em Angola, aumenta com a idade, sendo três por cento dos homens, dos 15 aos 19 anos, e 25 por cento das mulheres, dos 45 aos 49 anos.

Apesar de as estatísticas locais não terem a mesma abrangência das da OMS, milhares de pessoas em Angola continuam a fumar e a negligenciar as questões de saúde.

Enfrentar riscos

A funcionária pública Kénia Guelengueta, consumidora de tabaco há 20 anos, diz ter conhecimento de que o tabaco provoca doenças do sistema respiratório, como a bronquite, enfisema pulmonar e outras.

A cidadã, de 47 anos, já havia deixado de fumar após uma malária cerebral, em 2004, que lhe causou infarto, mas admite que a ansiedade fez fracassar a sua "luta" contra o cigarro. 

Kénia confessa que gasta, todos os meses, aproximadamente oito mil kwanzas em cigarros. Apesar de saber que os fumantes são vulneráveis à Covid-19, considera difícil parar.

"Devia tentar deixar de fumar, não apenas pela pandemia, mas também para reduzir gastos com o consumo de tabaco, aumentar a qualidade e a expectativa de uma boa vida e longa", expressa, sem, contudo, consumar a determinação de se libertar do vício.

Ainda assim, a funcionária aconselha os outros cidadãos a deixarem de fumar e a procurarem outras vias para enfrentar e aliviar eventuais momentos de stress. 

À semelhança de Kénia, Paulo Mota, 48 anos, consome tabaco há 15 anos. O mesmo começou por influência de amigos, mas, com o tempo, nunca conseguiu parar.

O cidadão já quase perdeu a vida por causa do cigarro, acometido por graves problemas no sistema respiratório, principalmente nos pulmões e no fígado. 

Mota já enfrentou uma infecção pela bactéria da tuberculose, que levou quase dois anos para ser controlada, mas, nem com isso, consegue vencer o vício do cigarro.

Mas não aconselha ninguém a seguir o caminho do fumo da morte, principalmente nesta fase da pandemia do novo coronavírus, que dizima milhares de pessoas pelo mundo.

Mitigação dos efeitos da Covid-19

A respeito dessa problemática, a coordenadora do Departamento de Combate ao Tabaco da Direcção Nacional de Saúde Pública, Joseth Rita, esclarece que não existe ainda um plano para fazer face à Covid-19, relativamente aos fumantes.

No entanto, recomenda aos poucos doentes fumantes a cessação do consumo de tabaco, pelo menos por agora.

A OMS continua, anualmente, a fazer o seu trabalho, alertando as pessoas para os riscos de degradação da saúde, por causa do consumo excessivo de tabaco.

Apesar das reiteradas chamadas de atenção, em especial na véspera do Dia Mundial Sem-Tabaco, o vício leva a que milhares de pessoas  insistam no consumo.

Muitas pessoas mantêm a prática do consumo e influenciam outras a aderirem ao vício.

O efeito do fumo da morte continua a ser bastante alto em todo o mundo, deixando milhares de famílias em lágrima e em desespero, sobretudo agora com o agigantar da pandemia em África.

Especialistas recomendam a prevenção permanente e uma luta mais acirrada contra o vício do tabagismo. Mas, nesse combate, a palavra-chave é vontade de vencer.

A Covid-19 é mortal, silenciosa e rápida. Não escolhe cor, nem raça, nem condição social. Diante desse cenário, nada melhor que suspender o cigarro e lutar contra o vício.

O fumo do tabaco não salva, pelo contrário, pode levar à morte. Todo o cuidado se impõe.

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