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25 Maio de 2011 | 11h29 - Actualizado em 30 Maio de 2011 | 09h58

Cidade do Dondo na história de Angola há 38 anos

Kwanza Norte

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Um pormenor da cidade do Dondo

Foto: Angop

Dondo - A cidade do Dondo, sede do município de Kambambe (Kwanza Norte), celebra no próximo Domingo, o trigésimo oitavo aniversário, desde que ascendeu à categoria de cidade, a 29 de Maio de 1973.

Situada há 183 quilómetros de Luanda, Dondo é a segunda cidade próxima da capital do país, depois de Caxito, na província do Bengo, tendo uma população estimada em 55 mil habitantes, maioritariamente oriundos dos municípios fronteiriços do Libolo (Kwanza Sul) e Kissama (Bengo), cujo dialecto predominante é o kimbundo.

A história da cidade do Dondo remonta do século XIV e, consta que é terra pertencente ao reino do Ndongo, formada pela migração de povos negros oriundos do centro de África, chefiados pelo Rei Ngola Nzinga, que avançou para o Kwanza e ocupou todas as terras até ao mar.

Dondo teve como denominação "Mbanza Kabaza", sede do reino, hoje o centro da cidade e delimitava a Norte pelo rio Dande e as terras de Ambuila; ao Sul pelo Planalto do Bié, ao Leste pela região de Kassange (Malange) e ao Sudoeste, pela região da Kissama (Bengo).

Em 1625, a actual cidade do Dondo acolhe a maior feira comercial do reino do Ndongo, absorvendo produtos trazidos pelas caravanas idas das Lundas e da Quibala.

Com a construção na região de Nova Oeira (Massangano) da primeira fábrica de fundição de ferro em África, em 1771, sob a égide do português Francisco Inocêncio Coutinho, Dondo é elevado a categoria de sede do conselho, em 1857, tendo na altura, entre os seus habitantes, cerca de 100 portugueses.

Com a concentração populacional, na parte baixa, da sede do conselho, Dondo acolhe um número considerável de habitantes idos da Aldeia do Soba Kambambe (17 km da actual cidade), o qual viria a ser até a presente data o nome do município.

Em 1870, é elevada a categoria de vila, factor que provocou o seu contínuo desenvolvimento económico, com o início da abertura de numerosos campos agrícolas.

Com a chegada, ali, em 1941, do caminho-de-ferro prolongado de Cassoalala, pelo ramal do Zenza-do-Itombe, os habitantes do Dondo conhecem uma reanimação, com o aumento da transportação dos principais produtos, por via ferroviária.

Com o início da construção da barragem hidroeléctrica de Cambambe, em 1958, assim como as demais indústrias que se foram instalando, Dondo conheceu uma nova euforia de progresso, estimulada com o consumo de energia produzida localmente, a partir de 1960.

Pelo seu potencial económico, dado que detinha igualmente o complexo têxtil “Satec” (actual Bula Matadi l), a sociedade de Vinhos (Vinelo), a unidade de produção de matérias de construção (pré blocos), a sociedade algodoeira de Ambriz que exportavam produtos para a Europa, contribuíram para a sua ascensão, a 29 de Maio de 1973, à categoria de cidade, em acto orientado pelo então governador geral da província ultramarina de Angola, Fernando Santos e Castro.

Tais potencialidades viriam ainda a contribuírem para a elevação do Dondo, no quarto parque industrial do país, na pós-independência, título que ostentou até a década de 80.

 Hoje o cenário é diferente. Contrariamente as demais cidades de Angola que ao longo dos tempos conheceram uma certa evolução industrial, Dondo regista um decrescimento da sua indústria, com a completa paralisação das suas unidades fabris, a excepção da barragem de Kambambe e a EKA que ainda laboram a cem porcentos.

A população local dedica-se à prática da agricultura, pesca e comércio, sendo o feijão, batata-doce, banana, citrinos e a mandioca os principais produtos, enquanto o pescado com espécies bastante apreciados, composto por “bagre”, “cacusso”, “robalo”, “dicuango” e “mussolo”, constituem numa das grandes atracções turísticas da cidade.

Devido à sua situação geográfica, Dondo é uma das cidades mais quentes do país, circundada por montanhas e o rio Kwanza, constitui um ponto de trânsito obrigatório nas ligações rodoviárias entre Luanda às províncias do Leste, centro e sul do país e vice-versa.

Hábitos e costumes do Dondo:

Face a diversidade cultural dos primeiros habitantes, Dondo conheceu no início da sua criação uma subdivisão territorial que compreendia o bairro “Cabaza” reservado aos portugueses, “Cafuma” aos Kissamas e Cerâmica para os Calulo e Cacesse reservado aos seguidores do Soba Cambambe.

Apesar das diferentes culturas trazidas, ali criaram-se os hábitos e costumes locais, consubstanciado pelo respeito aos mais velhos, a quem cabia a veneração de menores durante a saudação ou noutros contactos.

Na ausência deste princípio, a prática era susceptível de se comunicar aos progenitores “de quem infringiu”, sendo passível de censura familiar.

Quanto ao casamento, o interesse económico estava reservado aos pais, a quem competia a selecção do cônjuge para seu educando, o qual deve pertencer a uma família de auto- sustento e um perfil socialmente aceite, dai o resultado de um casamento duradouro.

E porque conflitos sempre existiram nas sociedades, cabia aos pais na criação de todos os mecanismos para a reunificação do casal e impedir a uma dissolução marital, embora em raríssimos casos viesse a acontecer.

O funge, cabulo, feijão, banana, Kisaca, calulo, o rato e a kifula (feito a base de resíduos metabólicos da paca), constituem os pratos típicos da região.

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