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18 Maio de 2014 | 14h23 - Actualizado em 19 Maio de 2014 | 07h09

Moxico: 58 velas abrilhantam Luena, "a cidade da paz"

Luena - O 18 de Maio é, particularmente para os luenenses, uma data vivida de forma especial, porque se traduz num acontecimento, também muito especial, a elevação da então vila - Luso à categoria de cidade.

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Símbolo da paz no Moxico

Foto: Angop

Por: David José


Desta vez, a data que assinala os 58 anos da criação da cidade do Luena, capital da Província do Moxico, leste de Angola festeja – se de forma restrita, por coincidir com o período do Censo da População e Habitação programado pelo Executivo angolano.

Luso ou Vila Luso foi o nome dado pelos portugueses quando Angola era uma colónia de Portugal. Após a independência do país, em 1975, como a cidade tinha um nome português que identificava de alguma forma esta região com o país colonizador, o governo angolano decidiu mudar o seu nome, dando-lhe o nome do rio que banha a região, o rio Luena.

Dados históricos revelam que a chegada dos primeiros portugueses nestas paragens é fruto da continuação das expedições de Silva Porto, Serpa – Pinto, Capelo e tenente Coronel Trigo Teixeira, remonta desde 1894/1895, tendo edificado uma fortaleza (colonia penal agrícola e militar), substituída pouco depois por uma capitania-mor.

Essas expedições deram origem a criação do distrito do Moxico, a 15 de Setembro de 1917, através do Decreto 3.365, e consequente instalação da sua sede em 1918, na antiga povoação do Moxico velho pelo tenente – coronel Trigo Teixeira.

Após a tomada de posse do primeiro Governador ( D. António de Almeida) escolheu, delineou e fundou a cerca de 20 quilómetros do Moxico velho, a sede do distrito Moxico Novo, num planalto de 12 km de largura que se espraia entre os rios Luena ao sul e o Lumege ao Norte, a 1.320 metros de altitude.

O alto-comissário de Angola, general Norton de Matos, natural de Ponte de Lima – Portugal, passou pela primeira vez em 1922, na sede do Moxico Novo e de seguida fixou em concelho do Governo, o nome de Vila Luso para povoação nascente (Portaria de 25 de Fevereiro de 1922).

Vila – Luso foi elevada a categoria de cidade, através da Portaria de 18 de Maio de 1956, passando a designar – se por Luso.

Assim surgiu a cidade moderna, espaçosa, plana, urbanisticamente bem traçada, largas avenidas arborizadas, ruas directas, se ergueram pontes e barragens de irrigação agrária, expandindo em todas as suas dimensões com ares de “princesa Luena”.

À par disso, também cresceram e expandiram – se serviços de administração civil, fazendas e contabilidade, saúde e higiene, educação, agricultura e floresta, veterinária e serviços de economia.

Os 58 anos significam que a urbe ganhou maturidade, mas, como disse o actual administrador municipal do Moxico (sede), Bento Luembe Paulino isto não se reflecte no desenvolvimento da cidade, devido a factores ligados ao atraso tecnológico – industrial e humano da então potência colonial, associado a outros momentos que o país viveu no período pós independência.

O alcance da paz e com a implementação de projectos ligados aos programas de Investimentos públicos e municipal integrado de desenvolvimento rural e redução da pobreza, tem permitido o crescimento da cidade do ponto de vista de construção de infra – estruturas económicas e sociais, ambientais e paisagísticas, rede viária, iluminação domiciliária e pública que paulatinamente vai mudando a imagem desta bela e linda cidade, para o bem dos seus cerca de 456 mil habitantes.

Situado entre os paralelos 11º 47' de Latitude Sul e 19º 53'de Longitude Este, a cidade do Luena (as vezes escrito Lwena), nome do rio que banha a região é habitada por diversos grupos étnicos linguísticos, designadamente, Côkwe (cujo idioma é o mais falado), Luvale, Ovimbundu, Bundas, Luchazes e Lunda Dembo.

Luena está numa zona que tem, em média, 1. 350 metros acima do nível do mar, possui um clima tropical modificado pela altitude com uma pluviometria média anual a volta de 1.200 mm e temperatura média de 21ºC.

Devido ao crescimento da cidade ao ponto de “ninguém mais pode parar”, para o reconforto e satisfação dos seus cerca de 456 mil habitantes, não se pode visitar mais alguns pontos turísticos que existiam, entre eles, a Reserva Florestal do Luena, com um tamanho de 1. 800 Km² demarcada pelos caminhos dos rios Luena e Camege.

Quanto ao sector hoteleiro, existem actualmente um total de cinco hotéis (todos em funcionamento): hotel Luena, Kawango, Lumafil, Candamba e Cawissa, juntando cinco pensões e mais de 30 bares e restaurantes.

A urbe está constituída em diversos bairros, com destaque para Nzaji, Saidy – Mingas Popular, Mandembué, Zorrô, Santa Rosa, Sinai - Velho, Aço, Kapango e muitos outros que continuam a crescer exponencialmente e de forma desordenada, o que já preocupa as autoridades administrativas locais.

Com a reabilitação da estrada nacional 180 que liga Luena (Moxico) a Saurimo (Lunda - Sul) e Dundo (Lunda - Norte) e do Caminho-de-ferro de Benguela (CFB), o transporte aéreo deixou de constituir o único meio para transporte interprovincial, pois as pessoas já circulam de viaturas e Comboios de Luena para o resto do país e vice – versa.

Apesar dos luenenses serem considerados reservados e humildes, carácter típico dos habitantes do leste do país, a eles não faltam empolgamento e alegria durante as festas e maratonas. Velhos amantes da dança “tchianda” de todas as idades participam dos concertos ao ar livre e salões.

Na área ao redor do jardim “Lénine”, os visitantes desfrutam da mistura entre a floresta e o imponente Monumento à Paz erguido pelo Executivo, em homenagem a heroica cidade, palco de inúmeros combates em tempos de guerra e vários acontecimentos políticos que culminaram com a assinatura do memorando do Luena, a 4 de Abril de 2002.

Na cidade, os turistas são rapidamente cativados pela atmosfera especial causada pela construção pitoresca das ruas e avenidas largas, descaindo para o rio Luena e o extraordinário clima que a natureza oferece.

A gastronomia é muito variada. Somente dentro da cidade os bares e restaurantes oferecem especiarias para todos os paladares, desde os pratos simples até aos mais requintados.

Os restaurantes oferecem  desde os pratos típicos até aos modernos: Quitutes da banda, comida portuguesa, cubana, russa, argentina, italiana, grega até a chinesa.

Na rua directa quem sai da estação central dos comboios do CFB se encontra a maior discoteca da urbe “Aplauso”: seja música latina, soul, hip – hop, quizomba, Kuduro, tchianda, os disc - joqueis (Djs) sabem como fazer o pessoal "suar" a camisa.

A bravura dos seus habitantes durante o conflito armado e a primazia de ter acolhido vários actos históricos, sobretudo o relacionado com as conversações para a Paz que o país goza, deram ao Luena a fama de “Cidade da Paz”.

 Não importa onde quer se esteja, o oásis verde dos jardins estará sempre próximo dali. Os parques, cuja arquitectura apaixona “tudo e todos” circundam a cidade que apaga 58 velas, com a realização nesta ocasião, de algumas actividades sobretudo de âmbito cultural.

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