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13 Dezembro de 2016 | 13h33 - Actualizado em 13 Dezembro de 2016 | 14h21

Município de Viana transforma-se de área rural em zona urbana em 51 anos de existência

Luanda - Ao longo dos seus 51 anos de existência, o município de Viana, criado à luz da Portaria nº 14.062 de 13 de Dezembro de 1965, em que a Comissão Municipal de Viana foi elevada a Câmara Municipal de Viana, tem passado por um amplo processo de desenvolvimento que o transformou de zona rústica pouco habitada em área urbanizada mais povoada da capital do país.

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Marceneiro do Mercado da Regedoria em Viana

Foto: Lino Guimaraes

Durante largos anos, o território que viria a ser denominado por Viana, nome de um agulheiro que residiu naquela zona nas décadas de 40 e 50 e ali acabou os seus dias numa modesta casa de madeira que servia também de estação do caminho de ferro, era apenas conhecido por quilómetro 21.

Integrado no Posto Administrativo de Alcântara do Concelho de Luanda, por diploma legislativo nº 2.049 de 1948, este lugar, designado Viana, foi também classificado por Povoação Comercial, devido aos produtos que demandavam do Cuanza para o Porto de Luanda.   

Consequentemente, o antigo apeadeiro passou a sede do Posto Administrativo de Viana, por Portaria nº 9.585 de 19 de Dezembro de 1956, assinada pelo então Governador Geral, Horácio de Sá Viana Ribeiro, com a existência já, no respectivo lugar, de uma população circulante oriunda de diversas zonas periféricas, como Calumbo, Bom Jesus, Catete, Botomona e das margens do Cuanza, Bengo e Cacuaco de Luanda.

O Posto Administrativo dessa área estava integrado no antigo Concelho Administrativo de Luanda e fazia parte da circunscrição Administrativa de São Paulo, que compreendia as áreas sede, Barra do Cuanza, Belas, Boavista, Cacuaco e Viana.

O diploma legislativo nº 3.042 de 11 de Maio de 1960 cria a circunscrição de Viana, que passa a ter mil 820 quilómetros quadrados de superfície territorial aproximadamente e comportava os Posto Administrativos da Sede, Barra do Cuanza, Belas, Boavista e Cacuaco. Posteriormente, de acordo com a Portaria nº 13. 735 de 27 de Maio de 1965, ascendeu a Concelho Administrativo e nele foi instituída uma Comissão Municipal no quadro da Reforma administrativa Ultramarina.  

Com a sua ascenção a Câmara Municipal de Viana (13/12/65) e fruto da referida reforma administrativa, Cacuaco é desanexado de Viana e passou a constituir um novo Posto Administrativo nessa mesma data.

Entretanto, os anos passaram e aquela antiga zona habitada por poucos camponeses e pescadores, passou a designar-se no pós independência nacional (11/11/75), em município de Viana, parte integrante da província de Luanda e que dista a 18 quilómetros da cidade capital, ocupando actualmente uma superfície de 615 quilómetros quadrados e com mais de dois milhões de habitantes.

Segundo a nova divisão administrativa de Luanda, ao abrigo da Lei 5/12 de 18 de Janeiro, o município de Viana conta actualmente com os Distritos Urbanos Sede, Zango, Vila Flor, Baia, Estalagem, Kikuxi e a comuna de Calumbo, estando limitado pelos municípios de Cacuaco, Icolo e Bengo, Kissama, Belas, Kilamba Kiaxi e Cazenga.

O reassentamento de pessoas fugidas da guerra, de pessoas que viviam em zonas de risco e com saneamento básico deficiente, como as encostas da Boavista, Samba e Sambizanga, inicialmente, bem como a fixação de muitas famílias que procuravam realizar o sonho da casa própria, transformou Viana no maior município populacional de Luanda.

Se por um lado, o êxodo populacional incentivou a fixação de muitas empresas a nível da Zona Económica Especial e Pólo de Desenvolvimento Industrial de Viana, que congregam centenas de empresas e produzem alimentos, bebidas, mobiliário, material de construção, dentre outros produtos, pois tem mão-de-obra abundante, contudo também acarretou um grande "fardo" social para as autoridades administrativas centrais e locais.

Deste modo, além do sector habitacional, em que surgiram vários projectos, sendo o Zango o de maior destaque pela sua dimensão e com mais de 100 mil habitantes, foi necessário investir-se seriamente em infraestruturas sociais como escolas e unidades sanitárias, além das vias de comunicação, dos transportes, energia, água, dentre outros sectores.

É assim que actualmente Viana conta com mil e 98 escolas de vários níveis de ensino, desde o básico ao superior, 22 unidades sanitárias, das quais três de referência: Hospital Municipal do Capalanga, Mãe Jacinta e do Zango, com 46 médicos e mais de 300 enfermeiros.

A circunscrição tem 15 instituições bancárias, nove hotéis, 31 hospedarias, 18 restaurantes e 17 snack bares, alberga o maior mercado a céu aberto do país, o Mercado do Quilómetro 30, e possui mais de três dezenas de empresas espalhadas também por outras zonas.

Ao completar 51 anos de existência, é visível a melhoria do saneamento básico, a limpeza e reabilitação das ruas, sobretudo na sede municipal, Zango, alguns troços das Caops, Capalanga, Regedoria, Luanda Sul e Calumbo, mas muito ainda há por se fazer. É preciso "domesticar" de vez o Coelho, para que na presente época chuvosa não cause os mesmos transtornos aos munícipes como nos anos passados. Bem hajam obras...

Viana cresceu e não vai parar, com o contributo do "mar" de gente que diariamente é visto a deambular freneticamente num vai e vem pelas diversas artérias do município, cada um com o seu destino e propósito fixando, ao jeito individual, o bloco neste grande edifício que se chama Viana.

Desde os funcionários públicos e privados ao agente da polícia obrigado a bater diariamente alguns recordes, correndo atrás das mamãs zungueiras, dos taxistas aos militares, dos desportistas aos estudantes, das crianças aos empresários, todos certamente vão continuar a  fazer Viana acontecer.  

Entretanto, a população pede maior combate à criminalidade, maior aposta nas agremiações desportivas dos diferentes distritos, mais iniciativas culturais, a reabilitação dos espaços de lazer como o cine Quilumba, que há muito deixou de exibir a sétima arte e passou a local de venda de prazeres mundanos que podem acelerar a viagem ao além...

É necessário que essas obras e acções cheguem à " Viana profunda", que beneficiem os 48 bairros do município e concomitantemente os seus moradores, como o musseque Baia, Mulenvos de Cima e Baixo, Boa Fé, Quilómetros, Vila Flor. A população dessas zonas clama há bastante que seja "lembrada" e que tão logo os ventos da bonança voltem a soprar favoravelmente a economia nacional, possam igualmente beneficiar de mais água, luz, segurança, emprego, conforto e pão.    

 

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