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09 Fevereiro de 2019 | 11h48 - Actualizado em 09 Fevereiro de 2019 | 11h47

Munícipes da Quibala exigem soluções integradas

Quibala - O município da Quibala, um dos 12 da província do Cuanza Sul, enfrenta problemas estruturais de fundo em quase todos os sectores, principalmente da saúde, que exigem, a curto prazo, respostas integradas e adequadas das autoridades locais.

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Vista parcial do Município da Quibala

Foto: Joaquim Tomas

(Por Paulino Neto)

Apesar da melhoria significativa de alguns indicadores da saúde, o município tem altas taxas de incidência de doenças, tais como a malária, tuberculose, diabetes, doenças respiratórias, diarreicas, além da lepra e hipertensão arterial.

Nos últimos anos, a principal causa de mortes, tanto em crianças, quanto em adultos, tem sido a malária, seguindo-se os acidentes de viação, principalmente de adultos.

O sector controla 25 unidades sanitárias, 18 das quais sob gestão directa da Repartição Municipal da Saúde, sendo que cinco se encontram encerradas por insuficiência de quadros técnicos, e quatro estão em vias de encerramento, por dificuldades financeiras.

Para servir a população local, está em funcionamento um hospital municipal, com 86 camas, um bloco operatório, sala de imagiologia e um laboratório de análises clínicas.

De igual modo, o hospital conta com dois aparelhos de RX e um de anestesia, que estão inoperantes, ou melhor, não funcionam, por falta de técnicos para os manusearem.

Dados oficiais indicam que a taxa de natalidade no município da Quibala foi de 701 partos realizados no hospital, em 2018, e 373 por via das parteiras tradicionais.

No mesmo ano, a taxa de mortalidade foi de 51 mil e 584 casos por malária, dos quais 68 envolvendo crianças, com idades compreendidas entre os zero e 14 anos de idade.

Segundo o administrador municipal, Isaías Bumba Luciano, há necessidade de uma urgente reabilitação ou construção de um novo hospital, e a admissão de mais enfermeiros e pessoal auxiliar, para reforçar os quadros existentes actualmente.

Outro sector que merece atenção especial é o da Educação. A rede escolar conta com 46 escolas de construção definitiva, mas, de acordo com as autoridades, ainda no decurso do presente ano lectivo quatro novas, todas estatais, entrarão em funcionamento.

Do total de escolas, duas pertencem à Igreja Católica.

No quadro da legalização de novas escolas, no município da Quibala foram criadas, em 2018, 23 novas, cujas legalizações já saíram em Diário da República.

De salientar que o município da Quibala tem sete mil e 999 cidadãos em idade escolar fora do sistema de ensino, por falta de escolas, sendo que uma instituição escolar, de 24 salas de aulas, tem as obras paralisadas, desde 2015, por falta de recursos financeiros.

Os problemas na Quibala, com uma população de 159 mil e 292 habitantes (80.536 mulheres e 78.756 homens) e 10.280 quilómetros quadrados, não se limitam à falta de hospitais e escolas. O abastecimento de água potável também é feito com deficiência.

Este constituiu um sério problema para a cidade e arredores da Quibala, uma vez que o projecto de reabilitação e ampliação do sistema de distribuição se encontra paralisado há três anos, por falta de recursos financeiros.

Actualmente, a população conta com tanques reservatórios de 70 metros cúbicos, num período variante de 48 a 96 horas, mas apenas para algumas casas do casco urbano.

Problema idêntico se regista no sector da energia eléctrica. A vila é abastecida, em dias alternados, por um grupo gerador de 400 Kva, em funcionamento, e outro de 1.100 Kva, ainda em processo de instalação e operacionalização.

A população local considera necessário e urgente um investimento na rede de distribuição, que clama por reabilitação e ampliação para os bairros periféricos à cidade.

Investimentos precisam-se, igualmente, no domínio do saneamento básico. A situação do escoamento das águas residuais e pluviais é caótica, face ao crescimento demográfico significativo e as diferenças de cotas significativas do terreno.

Isso ocasiona inclinações muito acentuadas, desabilitando o sistema de drenagem das águas pluviais existente no município, pela quantidade de metros cúbicos de água que nela escorrem. Por isso, há necessidade de obras de drenagem.

As vias de acesso são outro problema de fundo na Quibala.

Pela sua importância na circulação de pessoas e bens, afigura-se urgente a reabilitação das vias Ndala Cachibo/Kilenda, Quibala/Lonhe (fronteira com o Bié), assim como o edifício da Administração Pública

A administração municipal enfrenta dificuldades na acomodação dos funcionários, por falta de uma infraestrutura digna para albergar todas as suas repartições e secções de serviços e comodidades dos funcionários nas respectivas áreas de trabalho.

Carece, também, de uma urgente ampliação e reabilitação do seu edifício, para que esta possa albergar todos os serviços que se encontram isolados.

Entretanto, uma das áreas em que se registam menos problemas, é da agricultura.

No âmbito da actividade do SAMAP (Programa de Agricultura Familiar e Comercialização), a administração da Quibala efectuou o registo de mil e 669 famílias que, no âmbito do Programa de Extensão e de Desenvolvimento Rural (PEDR), receberam 40 mil quilogramas de milho, proveniente da fazenda Cambondo.

 A localidade conta com 77 associações, duas cooperativas e 82 pequenos produtores.

 No quadro desse programa, foi acompanhada a preparação de 60 hectares, de forma mecanizada, 2,5 hectares com racção animal e 300 hectares de forma manual, na localidade de Catofé, perfazendo um total de 362,5 hectares.

Para a para a Campanha Agrícola 2018/2019, segundo o administrador Isaías Bumba Luciano, estão disponíveis 60 toneladas de fertilizantes, que estão a ser comercializados a um valor subvencionado de cinco mil kwanzas o saco de 50 quilogramas.

Neste sector, as autoridades municipais controlam 49 fazendas de pequeno porte, 41 médias, dez de grande porte e uma quinta, totalizando 101 fazendas, além de 24 associações com mil e 485 membros cada e duas cooperativas com 201 membros.

Até 2018, estavam registados na Quibala 12 mil e 333 cabeças do gabo bovino, contra 12 mil e 126 cabeças de 2017, das quais foram vacinadas mil e 245 cabeças contra a peripneumonia bovina contagiosa, carbúnculos hemático e sintomático e dermatite nodular bovina contagiosa.

A localidade conta com 62 pescadores artesanais, que exercem actividade ao longo dos rios Longa e Pumbuíge, na captura das espécies Bagre, Toqueia e Cacusso, sete  Lagoas de Retenção (duas na Fazenda Vissolela, uma na Noviagro, uma na Fazenda Filomena, uma na Agro Líder, uma na Akira e outra na Tembuenda), onde se faz a captura de Bagre e Cacusso, em pouca escala.

A área da veterinária vacinou, em 2018, 607 animais de estimação contra a raiva, contra mil e 050 de 2017. Registou 47 casos de mordeduras, contra 51 do ano anterior, dos quais um resultou em óbito.

No domínio agro-industrial, estão instaladas no município quatro grandes Empresas Agrícolas, nomeadamente Mato Grosso, Cambondo, Santo António e Nova Agro-Líder, que produzem sisal, fuba de milho, queijo, óleo de soja e leite.

Outro sector que registas melhorias é o dos assuntos sociais. Para o novo paradigma do programa integrado de desenvolvimento local e combate à pobreza 2018/2022, foram atribuídas cotas para 2019, em número de beneficiários, por grupos sociais prioritários.

A administração municipal controla 2.610 idosos, contra 2.182 de 2017, 135 órfãos, 38 viúvas, 305 deficientes, 26 pensionistas dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, mil e 384 ex-militares das FAPLA e dois mil e 297 ex-militares das FALA.

Para encontrar soluções adequadas a essa imensidão de problemas, a localidade recebeu,quarta-feira, a primeira visita do novo governador provincial, Job Castelo Capapinha, nomeado no dia 2 de Janeiro, pelo presidente da República, João Lourenço.

Na Quibala, que faz fronteiras a Norte com os municípios do Libolo e Quiçama (Luanda), a Sul com a Cela, a Este com o Mussende e Andulo (Bié) e a Oeste com o Ebo e Quilenda, Job Capapinha radiografou o dia-a-dia das populações e ouviu, dos membros do Conselho de Auscultação e Concertação Social e de empresários, as principais dificuldades que enfrentam.

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