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29 Maio de 2019 | 02h40 - Actualizado em 29 Maio de 2019 | 08h53

Munícipes preocupados com estado de degradação dos edifícios no Dondo

Dondo - O estado avançado de degradação que alguns edifícios históricos da cidade do Dondo, sede do município de Cambambe, província do Cuanza Norte, apresentam, estão a preocupar os moradores que reclamam por intervenção urgente dos órgãos competentes.

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K.Norte: Edificio do Séc. XVIII da Zona Historia do Dondo

Foto: Diniz Simão

A preocupação foi manifestada à Angop, hoje, por alguns residentes dos edifícios, a propósito dos 46 anos da ascensão da vila do Dondo à categoria de cidade, a 28 de Maio de 1973, afirmando que o estado que muitos prédios apresentam coloca em risco a segurança e a saúde dos munícipes.

José Manuel Augusto, morador da cidade há 44 anos, mostrou-se descontente com o estado avançado de degradação do edifício  que albergava a antiga câmara municipal, construído no século XVII e classificado como monumento histórico.

Considerou que o desmoronamento progressivo de muitos edifícios vai influenciar negativamente na verdadeira imagem da cidade do Dondo, que começou a ser edificada a partir do ano 1600.

Tendo acrescentado que independentemente da arquitectura contemporânea, que caracteriza as modernas construções em Angola, seria importante que estes edifícios fossem preservados, devido o seu simbolismo histórico.

Já Paulo Renato Martins, lamenta a falta de conservação dos edifícios seculares do Dondo e sugere iniciativas locais, para evitar o desabamento dos mesmos e outras consequências que podem comprometer a classificação da antigo vila do Dondo, em património histórico e cultural nacional.

Explicou que o edifício da antiga câmara apresenta fissuras bastante acentuadas e está a desmoronar gradativamente, uma situação que coloca em risco a segurança das pessoas que passam por perto.

A semelhança da cidade do Dondo, apontou também progressiva degradação das ruínas de edifícios históricos da vila de Massangano, que já foi capital provisória de Angola, por altura da ocupação de Luanda pelos holandeses.

Por seu turno, o responsável da Cultura no município de Cambambe, Ginilson Pedro da Costa afirmou que a preservação dos monumentos históricos da circunscrição, passa pela mobilização do empresariado nacional, com vista ao aproveitamento desses espaços para outros fins, sem contudo, se alterar a estrutura arquitectónica original dos mesmos.

Tal estratégia, prosseguiu, faz parte das políticas de conservação dos edifícios, definidas pelo governo, que incluem a cedência dos mesmos a pessoas interessadas para o seu aproveitamento, que seja para actividades comerciais, mas mantendo o figurino da cidade.

Disse ainda que neste âmbito, foi já recuperada a estrutura externa da antiga Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Cambambe, pela empreiteira Odebrecht, cujas obras não foram concluídas por razões financeiras.

A cidade do Dondo celebra hoje, 28 de Maio, seu 46º o aniversário, desde que ascendeu a esta categoria.

Para celebrar a data, os munícipes organizaram várias actividades, sobretudo, comerciais, associando-se ao programa da administração municipal, que reserva a realização, de entre outras, actividades recreativas, desportivas, musicais e culturais.

A trajectória da cidade remonta desde a histórica vila do Dondo, fundada no século XIV, com a anterior denominação de "Mbanza Kabaza", sede do reino do Ndongo, no espaço, hoje, ocupado pelo centro da actual cidade.

Em 1625, a então vila do Dondo acolhe a maior feira comercial do reino do Ndongo, absorvendo produtos trazidos pelas caravanas idas das Lundas e da Quibala.

Com a construção na região de Nova Oeiras (Massangano) da primeira fábrica de fundição de ferro em África, em 1771, sob a égide do português Francisco Inocêncio Coutinho, Dondo é elevado a categoria de sede do concelho, em 1857 e a vila em 1870, tendo na altura, entre os seus habitantes, cerca de 100 portugueses.

Grande número dos habitantes da Aldeia do Soba Cambambe transferiram-se para o Dondo, o que originou o nome do município.

A evolução industrial do Dondo ficou marcada por dois acontecimentos. Em 1941 chegou o caminho-de-ferro através do Ramal de Zenza do Itombe, uma conexão do Caminho de Ferro de Luanda ao Dondo.

E em 1958 iniciaram-se as obras da barragem hidroeléctrica do Cambambe, concluídas em 1960. Seguiu-se um crescimento industrial, salientando-se o complexo têxtil Satec (depois denominada Bula Matadi l), a sociedade de Vinhos (Vinelo), a unidade de produção de matérias de construção (pré blocos), a sociedade algodoeira de Ambriz exportadora para a Europa, e mais tarde a fábrica de cerveja EKA.

Desde 2013, o Dondo tem vindo a receber novos incentivos que já resultaram em investimentos japoneses no ramo têxtil e angolanos no ramo agro-industrial.

Actualmente, Dondo é sede do município de Cambambe. É conhecida como uma das cidades mais quentes do país e foi até à década de 1980 o quarto parque industrial do país.

Até ao ano de 2000, foi o ponto de trânsito obrigatório nas ligações rodoviárias entre Luanda e as províncias do leste, centro e sul do país.

O Rio Kwanza passa pela cidade.

Situada há 183 quilómetros de Luanda, Dondo é a segunda cidade próxima da capital do país, depois de Caxito, na província do Bengo, tendo uma população estimada em 71 mil 715 habitantes, maioritariamente oriundos dos municípios fronteiriços do Libolo (Cuanza Sul) e Quiçama (Luanda), cujo dialecto predominante é o Kimbundu.

A parte histórica da cidade do Dondo foi classificada como património histórico nacional, ao 29 de Maio de 2013, pelo Ministério da Cultura.

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