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12 Julho de 2019 | 18h17 - Actualizado em 12 Julho de 2019 | 18h19

Habitantes do bairro da "Mina" clamam por serviços sociais básicos

Benguela - Moradores do bairro da Boa Esperança da Mina, um campo que acolhe sinistrados das chuvas desta cidade, desde 2008, clamam pela instalação de alguns serviços sociais básicos, mormente um posto de saúde, escola, esquadra policial e o abastecimento de água potável e energia eléctrica.

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Casebres (arquivo)

Foto: Henri Celso

Situado a sensivelmente 12 quilómetros a nordeste da cidade, o bairro da “Mina”, como é vulgarmente conhecido, foi instalado a 28 de Junho de 2008, como consequência das chuvas que afectaram alguns bairros de Benguela (Capiandalo, Calomanga e Calomburaco) com um número inicial de 1.085 sinistrados, acolhendo também, anos mais tarde, alguns angolanos retornados de países vizinhos.

Entre os retornados, cinco foram repatriados da República do Congo Democrático, dois da Zâmbia, e três provenientes da Namíbia.

Tendo em conta a realidade no terreno, o coordenador do bairro, Jaime Baptista, informou hoje, sexta.feira, à Angop, que 445 pessoas retornaram, por meios próprios, à cidade de Benguela, incluindo os regressados dos países vizinhos, estando hoje o bairro constituído por 640 habitantes, maioritariamente dedicados à agricultura.

Segundo Jaime Baptista, a Zona da Boa Esperança da Mina enfrenta, desde 2008, dificuldades básicas, pelo que solicitam às autoridades administrativas da província que visitem a localidade, para aferirem a realidade e encontrarem algumas soluções.

Entre as dificuldades apontadas, enumerou a falta de uma esquadra policial, numa zona sem luz, a falta de água tratada, ainda que fornecida por cisternas, a ausência de serviços de saúde, a falta de serviços de registo civil, mesmo que ambulatórios, assim como a necessidade de colocação de uma escola, ainda que seja do ensino primário, para atender as crianças que percorrem 10 quilómetros para acederem aos serviços de educação e ensino, na zona da Chiva, que dista a cinco quilómetros de distância.

Para Jaime Baptista, o governador Rui Falcão tem estado a resolver situações mais delicadas do que estas que apoquentam os moradores da Mina, daí que clamam por uma visita sua.

Disse que as dificuldades são tantas que 445 outros sinistrados retornaram à cidade, não se sabe em que condições, todavia, conseguem ficar por perto dos serviços escolares para os filhos, dos serviços hospitalares para as famílias, além de terem acesso à água potável.

“Nós, que ficamos aqui, estamos abandonados, porque em 11 anos de existência da Mina não foi feito nada, nem sequer uma escola para as crianças da iniciação”, lamentou o responsável comunitário, alegando estar ao corrente de muitos casos de diarreia aguda motivados pelo consumo de água salobra, por aqueles que não conseguem adquirir o bidão de 25 litros ao preço de 60 kwanzas, transportado por motas de três rodas a partir da cidade de Benguela.

Lembrou que uma vez ou outra, os responsáveis do município aparecem com certas promessas, mas em 11 anos de existência do bairro nunca deram alguma solução aos problemas, daí que os habitantes clamam pela visita do governador Rui Falcão para ver de perto a situação em que vivem aqueles sinistrados que já se estabeleceram por conta própria.

“Nós sabemos que sempre que o senhor governador visita alguma localidade encontra alguma solução, por isso pedimos que agende também alguma visita para o sector da Boa Esperança da Mina, para ver se poderá dar soluções a situações como do registo civil, da falta de esquadra policial, da falta de uma escola, ao menos a primária, do posto de saúde, ou mesmo o fornecimento de água tratada que pode ser assegurado por fontes alternativas, como são os casos de camiões”, clamou o chefe do sector.

Daniel Ndulo, morador da Mina desde 2008, de 54 anos de idade, informou que quem vai ao hospital missionário da Graça vai notar que a maioria dos doentes é proveniente do bairro da Mina, devido a qualidade da água que é consumida pela maioria dos moradores.

Para si, a grande prioridade do bairro passa pela construção de um posto médico e uma escola para mitigar as dificuldades dos petizes que são forçados a percorrer dez quilómetros num percurso de ida e volta para a escola que fica na Chiva.

Benita Catanha, outra moradora, de 49 anos, referiu também que um “ponteco” deveria ser construído sobre o vale do Cavaco, com vista a facilitar a vida das mulheres, que poderiam aceder à maior praça de Benguela com alguma facilidade, já que na zona não existe nenhum meio de transporte.

Rosária Chilombo, que veio do bairro Docota, corrobora com os que o antecederam e aponta ainda a necessidade dos serviços ambulantes de identificação e registo civil, ainda que seja duas vezes ao ano.

Outra preocupação apontada, tem a ver com a necessidade de se ocupar os tempos livres da juventude, aludindo que os centros de formação profissionais existentes no município deveriam destinar algumas acções para aquela circunscrição, de modo a potenciar aqueles jovens que aí foram pequenos e hoje apresentam necessidades de empregos.

Dos 1.085 habitantes que fundaram inicialmente o bairro, a Boa Esperança da Mina conta actualmente com 640 membros, entre adultos e crianças, mergulhados num mar de dificuldades. Ainda assim, estes quase que esqueceram o “ título” de sinistrados, pois vivem o dia-a-dia, nestes 11 anos, à sua maneira, sendo a agricultura o seu principal sustento.

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