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29 Maio de 2020 | 16h20 - Actualizado em 29 Maio de 2020 | 16h43

Benguela despede-se de Dom Óscar Braga

Benguela - Num misto de tristeza e gratidão, personalidades de vários segmentos da sociedade angolana estiveram, esta sexta-feira, na Sé Catedral, para prestar uma última homenagem a Dom Óscar Braga, bispo emérito da Diocese de Benguela, falecido a 26 de Maio.

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Viatura com a urna de Dom Óscar Braga

Foto: António Lourenço

Exéquias de Dom Óscar Braga, Bispo Emérito de Benguela

Foto: António Lourenço

Antes do corpo chegar à Sé, onde estará até sábado, de manhã, em câmara ardente, várias centenas de pessoas, em silêncio, aproveitaram para se despedir de Dom Óscar Braga nas ruas por onde o cortejo percorreu, atravessando a cidade de Benguela, de “lés-a-lés”.

À entrada da ponte sobre o Rio Cavaco, um grupo de fiéis católicos, alguns trajados com panos das paróquias, e de outras denominações religiosas esperavam o carro funerário. E foi num misto de tristeza e saudade que se despediram daquele que ordenou 300 padres e consagrou três bispos.

O governador provincial de Benguela, Rui Falcão, ladeado pelos vice-governadores provinciais, administradores municipais, deputados e políticos, assistiu à entrada da urna para a Sé Catedral e, entre lágrimas, rendeu uma sentida homenagem a Dom Óscar Braga.  

A casa das Monjas Dominicanas do Mosteiro “Mãe de Deus”, nos arredores do Rio Cavaco, presente em Benguela há mais de 40 anos e que Dom Óscar sempre visitava, foi o primeiro ponto de paragem e de homenagem da urna, escoltada por agentes policiais.

Entre amor e sacrifício

Amor e sacrifício foram as palavras com que o bispo da Diocese do Bié, Dom José Nambi que, por sinal, foi consagrado, em 1995, ao episcopado pelo agora malogrado, descreveu o percurso desafiante de Dom Óscar Braga.

“Nunca aspirei a ser bispo, mas um dia ele [D. Óscar Braga] surpreendeu e nomeou-me Monsenhor e depois ouvira dizer que seria bispo e em 1995 aconteceu”, referiu Dom José Nambi, em declarações aos jornalistas, antes de celebrar a missa de corpo presente, no primeiro dia das exéquias.

Já o padre Venâncio Branco, o primeiro diácono na Diocese de Benguela ordenado ao presbiterado, a 11 de Julho de 1976, por Dom Óscar Braga, considera que o bispo emérito deixa um grande exemplo, uma experiência de fé e amor para com os irmãos católicos.

“Sinto-me feliz por ter sido ordenado por ele. Foi uma bênção especial para mim ter tido experiência junto dele como nosso pai e pastor”, resumiu o sacerdote.

Porém, lembra as últimas palavras ditas a si por Dom Óscar Braga: “Que a Diocese de Benguela viva como uma família, procurai dar sempre testemunho de fé, esperança, amor e trabalhai pela paz e pela justiça”.

Um poema de silêncio na última homenagem a Dom Óscar Braga

Depois da primeira das três missas de corpo presente, programadas para hoje, na Sé, ouviu-se alto a voz de António Pelembi, seminarista do 3º ano do curso de Filosofia, a recitar o poema “Versejando Dom Óscar Braga”, de sua autoria, num dos momentos mais emotivos da cerimónia.

“Morre o homem que não cabe em África (…). Morre no tempo e nasce no atempo…E oferta silêncio, sua vida, seu exemplo”, declamava ante os olhares lacrimejantes de 150 fiéis sentados, o poeta António Pelembi, para quem Dom Óscar partilhava sua vida com os seminaristas, motivando-lhes a seguirem em frente na senda da vocação sacerdotal.

Também Ribeiro Sambo, 27 anos, um fiel católico portador de deficiência, viajou do Lar “Anjo da Guarda”, na Catumbela, onde mora, até Benguela, para prestar sua homenagem. À Angop, o jovem estudante confessa que sua vida mudou desde que conheceu o bispo Dom Óscar Braga, em 2016, na cerimónia da sua primeira comunhão, na comuna do Dombe Grande.

Entre os vários feitos de Dom Óscar Braga, o professor Jorge Barroso, que lecciona a cadeira de Língua Portuguesa no Instituto Médio Industrial de Benguela (IMIB), prefere salientar a formação de 300 sacerdotes, três bispos e várias religiosas, fazendo de Benguela uma escola de formação de quadros, alguns dos quais servem hoje o Estado.

Catequista há 20 anos e antigo combatente, Luciano Tambília, 47 anos, recorda o bispo falecido como seu pai espiritual e educador.

"Quando estive na Ganda, aos 13 anos, ele veio e mandou um diácono me chamar. Tirou um terço do bolso e me ofereceu”, frisou. E contou que, embora a guerra o tenha desviado do sonho de ser padre, ainda guarda esse terço até hoje.

Sábado, a urna será transportada para o Cemitério Velho da Camunda, onde será sepultado Dom Óscar Braga, que morreu na terça-feira, aos 89 anos, no Hospital Geral de Benguela.

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