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Almoço oferecido pelo presidente da África do Sul, Jacob Zuma

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14/12/2010 - Discurso pronunciado por José Eduardo dos Santos, Presidente da República de Angola, no almoço oferecido por Jacob Zuma, Presidente da República da África do Sul.

SUA EXCELÊNCIA JACOB ZUMA,
PRESIDENTE DA REPÚBLICA DA ÁFRICA DO SUL,
ILUSTRES DIGNITÁRIOS DA REPÚBLICA DA ÀFRICA DO SUL,
DISTINTOS CONVIDADOS, MINHAS SENHORAS E MEUS
SENHORES,

'É para mim um grande prazer e uma elevada honra receber das mãos de vossa Excelência a condecoração "Oliver Tambo" a mais alta distinção do estado sul-africano.
 

Oliver Tambo foi uma figura histórica do movimento de Libertação de África.
 

Ele conduziu com tenacidade e perspicácia o ANC e a luta política e militar do povo sul-africano, até alcançar a vitória que pôs fim ao sistema do 'apartheid'.
 

Tive o privilégio e com ele discutir, concertar e implementar o programa, plano e tácticas para realizar objectivos estratégicos comuns, enquanto Nelson Mandela, o líder do seu Movimento, estava preso.
 

Os feitos de personalidade da estatura do falecido Oliver Tambo ficam gravados para sempre em letras de ouro na história dos povos.

 
É com orgulho que recebo esta Medalha com o seu nome, em nome do povo de Angola, que nunca regateou esforços para prestar a sua solidariedade sem reservas ao povo irmão sul-africano, num momento em que combatia corajosamente pela sua liberdade.
 

De facto, nós sempre encaramos a luta do povo sul-africano como uma extensão da nossa própria luta e a liberdade do povo sul-africano como parte da nossa própria liberdade.
 

Comemoramos assim a vitória com se fose nossa também, porque para ela contribuiram heróis anónimos de ambos os países, a quem neste momento rendemos a mais comovida homenagem.
 

Graças ao enorme sacríficio do vosso povo até a sua luta intransigente e também a condução clarividente dos seus dirigentes, o vosso país pode viver hoje num clima de paz, liberdade e democracia e realizar o sonho de construir nações prósperas na África Austral.
 

Ao apoiar o vosso combate, tinhamos a certeza de que a erradicação do 'apartheid' contribuiria para a resolução de todos os conflitos armados existentes na nossa região e abriria o caminho para estebelecermos novas formas de cooperação e para reforçarmos os laços de amizade entre os nossos povos.
 

Senhor Presidente,
 

Conheço-o desde há muito tempo e sei que o Senhor é uma pessoa de bem.
 

Vossa Excelência dirigiu um órgão importante no ANC que deu uma contribuição decisiva para a conquista da liberdade e para a instauração da democracia na África do Sul.
 

Nesta fase de consolidação do estado e da democracia sabemos que são grandes e complexos os desafios que se colocam diante de si para satisfazer a ansiedade dos cidadãos que querem ver rápidamente resolvidos os seus problemas, no dominio do emprego, da habitação, do acesso à água potável, a energia, a formação académica e profissional.
 

Sabemos por experiência própria que estes problemas, acumulados durante dezenas  e mesmo centenas de anos, não podem ser resolvidos de um dia para o outro.
 

O mais importante é achar o caminho certo e trabalhar juntos, com honestidade.
 

Assim, os resultados surgirão progressivamente e vamos inspirar confiança naqueles que nos seguem, pois quem confia tem paciência para esperar.
 

Estamos hoje perante uma nova situação e uma nova conjuntura regional e internacional que nos coloca novas questões e novos desafios.
 

Nos nossos países somos os principais actores de governos eleitos democraticamente e temos que dar respostas satisfatórias a vários problemas de natureza económica, social e de segurança pública e corresponder às expectativas das populações que confiaram em nós.
 

No plano internacional, temos de ser parceiros credíveis e capazes de contribuir para a construção de um mundo cada vez melhor, mais equilibrado e mais justo e seguro.
 

Através de consultas periódicas, podemos concertar as nossas posições sobre todas estas questões de interesse comum e cooperar em todos os domínios considerados convenientes, com vantagens recíprocas e na base da igualdade.
 

Partilhamos o mesmo espaço geopolítico, no quadro da SADC, e isso confere-nos a responsabilidade de o defender e de o fazer desenvolver em moldes que sirvam de exemplo para outras regiões do continente e do mundo.
 

Isto significa ter como alvo objectivos comuns e partilhar os esforços e os benefícios.
 

Nesta perspectiva, e com este espírito, Angola pretende conjugar e estabelecer parcerias fortes com a África do Sul nos mais distintos domínios da vida económica, social e científicas; trocar experiências na luta contra a pobreza e a doença e promover acções concertadas que contribuam para o progresso e o bem-estar dos nossos povos.
 

Se essas parcerias derem certo nas relações bilaterais trarão uma repercurssão positiva em toda a África Austral.
 

No nosso entender, a SADC será cada vez mais forte quanto mais forte forem as economias dos seus Estados membros.
 

O diálogo, a concertação e a cooperação são para nós a via previligiada para estabelecer todo o tipo de entendimentos necessários e, igualmente, o meio para procurar soluções para problemas ou situações que possam eventualmente criar instabilidade ou ameaçar a paz e a segurança de cada um dos nossos países e da região no seu todo.
 

Senhor Presidente,

 
Foi generoso para com a minha pessoa, reitero os meus agradecimentos pela elevada distinção que me foi outorgada e também pela hospitalidade e calor humano com que temos estado a ser recebidos na África do Sul.
 

Gostaria de convidar os presentes a erguer as suas taças num brinde à saúde e longa vida do Presidente Jacob Zuma e a  amizade e solidariedade entre o Povo angolano e o Povo sul-africano.
 
Muito Obrigado.