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Discurso no início das conversações com Raul Castro Ruz, Presidente do Conselho de Estado de Cuba

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05/02/2009 - Discurso no início das conversações com Raul Castro Ruz, Presidente do Conselho de Estado de Cuba

SUA EXCELÊNCIA RAUL CASTRO RUZ, PRESIDENTE DO CONSELHO DE ESTADO DA REPÚBLICA DE CUBA,
SENHORES MEMBROS DAS DELEGAÇÕES ANGOLANA E CUBANA,
MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES,

O Presidente Raul Castro e a sua Delegação chegaram ontem a Angola no dia em que celebramos, por feliz coincidência, o aniversário do início da Luta de Libertação Nacional contra o colonialismo.

A sua presença hoje aqui, Caro Companheiro Raul Castro, traz-nos à memória alguns dos momentos cruciais dessa gesta em que a acção solidária de Cuba foi determinante, tanto no plano civil como militar, para a proclamação da independência de Angola e para a organização do novo Estado e da sua Administração.

Na véspera do dia da Independência, o Povo angolano foi abandonado à sua sorte pela potência administrante, sem quadros e sem recursos, enfrentando uma complicada guerra face a inimigos poderosos.

Nesse momento extremamente difícil, Cuba enviou para Angola os seus melhores quadros, que ajudaram os angolanos na luta pela
defesa da soberania e da integridade das fronteiras nacionais.

O povo angolano jamais esquecerá esta atitude corajosa e generosa do povo irmão de Cuba, dos seus amigos e companheiros das horas difíceis e rende eterna homenagem e profundo reconhecimento a todos os que se bateram e se sacrificaram pela liberdade e dignidade.

Este é também o ano em que Cuba vai assinalar o 50° aniversário da sua Revolução, demonstrando que foi capaz de resistir a todas
as agressões e ameaças e afirmar-se como um país respeitado em todo o mundo, pela sua enorme capacidade de trabalho e espírito de sacrifício.

Em todo esse processo foi decisiva a existência de uma liderança esclarecida e firme, em que sempre se destacaram o Companheiro Fidel Castro Ruz e Vossa Excelência.

Sabeis que, tal como no passado, podeis contar sempre com a amizade e a modesta solidariedade de Angola na luta do Povo
cubano pelo direito de escolher o seu destino com honra e dignidade.

Guardo ainda na minha memória as discussões que mantive com Vossa Excelência e com o Companheiro Fidel Castro, que tive
o prazer de rever em Havana. A ele desejo melhoras e um rápido e completo restabelecimento e reitero a nossa vontade de estreitar
os nossos laços de amizade e cooperação bilateral.

Companheiro Raul Castro,

A sua primeira visita a Angola, na qualidade de Chefe de Estado, vai permitir-nos assim fazer um balanço detalhado da já frutuosa
cooperação que relançámos durante a minha visita a Cuba, concluir os Acordos que não foi possível assinar então e perspectivar
eventualmente novos domínios de acção.

Devemos, com efeito, aproveitar a complementaridade que existe entre as nossas economias e estudar a possibilidade de reforçarmos os nossos laços em áreas como a Indústria, a Construção, o Ensino Superior, a Investigação Científica, a Saúde, a Cultura e outras.

Excelência,
Minhas Senhoras e Meus Senhores,

A actual crise económica que o mundo atravessa, e que atinge também os nossos países, é um constrangimento que temos de
contornar para que ela não afecte o nosso programa de cooperação.

Essa crise veio recordar que ninguém é detentor da verdade absoluta e que, mais do que tentar impôr os seus regimes e modos de vida a todos os outros, importa que cada povo encontre as soluções mais adequadas ao seu estágio de desenvolvimento.

Em Angola, nunca nos tornámos dependentes de ninguém e preferimos sempre, com maior ou menor dificuldade, definir o rumo a
seguir, estabelecendo as nossas metas de curto, médio e longo prazo e os métodos para as atingir, mobilizando os cidadãos e as
instituições para as materializar.

Cuba também foi sempre um modelo de independência e de coerência no caminho que escolheu, e, apesar do isolamento a que foi votada, por causa de um anacrónico e absurdo bloqueio, nunca deixou de garantir o mínimo essencial a todos os seus cidadãos, conseguindo resultados extraordinários no domínio científico e educacional.

É nessa similaridade de destinos que cada um de nós estabelece as vias que considera racionais para a abertura política e económica ao mundo multipolar e para a construção de uma sociedade cada vez mais democrática e moderna.

Desejo que nesta sua visita a Angola possa auscultar os angolanos e os companheiros cubanos aqui radicados, que, em conjunto,
continuam empenhados no desenvolvimento das nossas relações de amizade.

Que Viva a Amizade entre Angola e Cuba!