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Encontro com Governo de Benguela e representantes da sociedade civil

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18/08/2008 - Encontro com Governo de Benguela e representantes da sociedade civil

Eu queria começar agradecendo a todos os presentes pelo testemunho que pessoalmente manifestam de amizade, solidariedade e carinho para com a minha pessoa e a delegação que me acompanha.

Durante esta manhã visitamos algumas zonas da cidade de Benguela. Estivemos também na Catumbela e posso dizer que saio daqui satisfeito pela qualidade e importância dos empreendimentos que inauguramos no domínio das infra-estruturas, fundamentalmente, que vão servir para melhorar a vida dos habitantes desta província, destas localidades, Benguela, Catumbela, Lobito.

Eu digo que fiquei satisfeito porque estive nesta província noutras ocasiões, logo depois da conquistada a paz. Tivemos reuniões com este formato em que eu próprio fiz considerações sobre o que devia ser a nossa acção futura.

Claro, naquela altura, era o começo de uma nova caminhada e parecia que estamos numa encruzilhada: não sabíamos se íamos para direita, esquerda, para frente, enfim! É sempre difícil nestas ocasiões escolher a via certa: país estava destruído totalmente e a província também, é evidente. Bastante minado e havia uma grande pressão de todos os sectores da sociedade: os camionistas queriam estradas para realizar as suas actividades, as estradas estavam esburacadas, as pontes partidas, muitas áreas minadas, os estudantes queriam estabelecimentos de ensino, ensino médio e, sobretudo, sobretudo ensino superior, as populações precisavam de água, precisavam de energia, enfim! Por onde começar?

Claro, decidimos que devíamos começar, primeiro, pela normalização do quadro macro-económico para garantir estabilidade, permitir que toda a economia, os sectores sociais pudessem avançar. Outra decisão foi a de investir, fortemente, no domínio das infra- estruturas e na desminagem de todas as regiões minadas, as pontes, estradas, as zonas em que passam as linhas de alta tensão, campos agrícolas, etc.

E acho que hoje podemos constatar que a via escolhida não foi má. Visivelmente foi acertada. Porque?

Reabilitamos dezenas senão centenas de quilómetros da rede fundamental de estradas, construímos muitas pontes, nalguns casos reconstruímos estas pontes, aumentou a circulação de pessoas em bens em todo o território nacional. Investimos no domínio da reabilitação de infra estruturas no domínio da energia eléctrica e água.

No que diz respeito a água em Benguela, Lobito e Catumbela conseguimos grandes progressos, pois já muitas famílias têm água potável e melhoraram, por conseguinte, a sua qualidade de vida.

Estamos a trabalhar fortemente para que os compromissos assumidos no domínio da energia sejam cumpridos.

Houve um acidente que não nos permitiu realizar nos prazos previstos da instalação da estação de geração de energia eléctrica, porque houve uma avaria no gerador comprado, durante a descarga, que está a ser reparado. Mas entretanto o Ministério da energia e água está em busca de soluções alternativas, serão estabelecidas unidades, provisoriamente em regime de aluguer, com grande capacidade para geração de energia eléctrica, numa primeira fase enquanto se termina a estação da Quileva vão se estabelecer outros geradores e nos próximos meses a situação poderá melhorar nesta área também.

No domínio da formação podemos constatar a abertura de novos estabelecimentos de ensino médio. Disse-me o Primeiro-Secretário do Comité Provincial do partido MPLA aqui na província que há ensino médio em todos os municípios, que é um grande avanço.

Foram criadas muitas salas de aulas do ensino de base e no ensino superior os avanços conseguidos são conhecidos e são notáveis.

Intervimos na área macro-económica, na área de reabilitação e desenvolvimento das infra-estruturas, estamos a intervir no domínio da formação quadros e incluindo a formação profissional.

Entretanto, o governo está fazendo a sua parte, mas tudo isso visa apenas criar condições para que possamos habilitar o tecido produtivo. Precisamos reabilitar e desenvolver a agricultura, as industrias para a transformação dos produtos agrícolas e outros a origem mineral. Quem fará isso? Se é verdade que o estado tem uma grande responsabilidade na reabilitação e desenvolvimento das infra-estruturas, já no domínio da produção a responsabilidade tem de ser comparticipada e tem que caber, sobretudo a maior fatia, a quota parte maior da responsabilidade ao sector empresarial, privado, em primeira mão, e de outro modo, e a complementar, o sector empresarial do Estado.

Compreendemos que estamos numa fase de arranque, em que os empresários não têm ainda grande capacidade financeira, técnica, tecnológica e que o Estado, de alguma maneira, tem de intervir. Mas, chegou o momento do os empresários assumirem as suas responsabilidades, realizarem investimentos para produzir bens, produziu serviços também, criar empregos, remunerar bem os seus trabalhadores, contribuindo assim para a melhoria das condições de vida de todos cidadãos.

Mas que farão os empresários, Estado e o Governo sós, sem o apoio da sociedade civil? O homem não vive apenas de bens materiais. Há bens que são imateriais. Há valores, princípios, que todos temos que assimilar e nos dignificam e nos permitem viver em harmonia numa determinada sociedade, em paz e ordem.

Significa que as instituições da sociedade civil, sobretudo aquelas que tratam de questões de ordem espirituais, as diferentes igrejas e as associações de vária natureza, do domínio social terão agora também um papel importante a desenvolver. Precisamos da alma angolana, da maneira de pensar e ver dos angolanos e de cultivar o espírito, assumir as suas responsabilidades, realizar o bem comum nas diferentes áreas, trabalhar com o amor ao próximo, para o bem de todos.

Acho que os políticos farão a sua parte, têm feito a sua parte na promoção da reconciliação nacional, na consolidação da unidade nacional , como condições para a manutenção da paz, mas não bastará a mensagem dos políticos para harmonizar a sociedade, cultivar o sentido do respeito da tolerância, da fraternidade é importante a mensagem daqueles que cuidam da vida pastoral.

Portanto, faço estas considerações num momento especial, num momento particular da vida da nação. Os partido políticos estão empenhados na mobilização de eleitorado para conseguir votos para sua causa. Dentro de aproximadamente 20 dias serão realziadas as 2ªs eleições legislativas em Angola. O clima parece bom, sereno, a disputa está a ser conduzida de forma correcta, respeitando a diferença, mas é evidente que enquanto Presidente das República e Chefe do Governo, durante estes anos todos fui executando um programa, um programa difícil concretizar nos primeiros anos depois da eleições de 1992.

Foi um período bastante conturbado, com muita violência, de muita discórdia, que felizmente passou. Com a paz, aceleramos a implementação do nosso programa. Foi este o entendimento alcançado em Lusaka. O programa do Governo de Unidade e Reconciliação Nacional a ser implementado seria o de partido vencedor, que foi o MPLA.

E é este o programa que o governo tem estado a implementar, com os resultados que estão a vista de todos. Daqui para frente, o que pode fazer é que cada partido apresenta uma proposta de programa e o MPLA também. É evidente que, na prática, este governo conduzido pelo MPLA, que integra várias forças políticas, mostrou-se a altura das suas responsabilidades e capaz de executar um programa.

Os resultados estão aí. Claro só podemos continuar a obra iniciada e continuar nesta senda da reabilitação, da reconstrução, do desenvolvimento, diria mesmo até da construção de nova Angola, se os angolanos que vão as urnas a cinco de Setembro deste ano saberem fazer a escolha certa, saberem distinguir entre os diferentes autores, quem lhes garanta certeza, confiança, no cumprimento de promessas. “Quem já mentiu mais? Quem já falhou mais?

Desejo a todos os presentes muita força, muito trabalho, muita dedicação que trabalhem no sentido de esclarecer as populações, os quadros, os trabalhadores sobre os propósitos de cada um para no dia cinco de Setembro se faça a escolha certa e sabem qual é a escolha certa, no MPLA.

Muito obrigado